Em recente ação da PMRJ, um sequestrador foi morto por um disparo de fuzil por um franco-atirador posicionado em um prédio nas proximidades do incidente. O mesmo segurava pelo pescoço a proprietária de uma farmácia e empunhava uma granada de mão. A ação foi aplaudida pelos curiosos que assistiam a ação dos policiais.
Era evidente que, portando um explosivo com capacidade de afetar pessoas num raio de 10 a 20 metros, e mostrando-se intransigente às tentativas de negociação, a ação da PM carioca foi acertada, se analisarmos friamente. É o procedimento padrão em outras polícias do mundo ao saber que determinado indivíduo porta uma bomba e pretende usá-la contra civis. Trata-se de uma daquelas clássicas situações onde a vida de um é sacrificada para preservar a vida das potenciais vítimas, muito embora eu nunca me sinta confortável com este tipo de pensamento.
No entanto, o que realmente me incomodou foram as reações das pessoas, a começar por aqueles que aplaudiram a ação da polícia. Mais tarde, como era de se imaginar, na internet começaram a brotar opiniões seguindo o já batido mote "bandido bom é bandido morto". Não deixa de me impressionar o fato de que situações como esta são pródigas em fazer despertar o pequeno totalitário que existe em todos nós, ávido por soluções rápidas que desapareçam com um problema das nossas vistas, e de quebre proporcione um pouco de catarse para aliviar nossas frustrações.
É evidente que a vida de muitos estava em risco, e que uma ação rápida se fazia necessária. Mas situações assim não deveriam ser a regra, ainda que muitos acreditem o contrário. Não se pode confiar em instituições que banalizam a vida de qualquer um, ou que esteja disposta a abrir mão de direitos fundamentais com o intuito de garantir uma suposta segurança. Mudanças conjunturais nem sempre dão o resultado esperado, mas o mesmo não se pode dizer das mudanças estruturais, ou seja, aquelas que afetam os motivos que levam alguém a cometer um crime.
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26 de setembro de 2009
1 de março de 2009
Grandes Verdades de Botequim
Segundo o bardo cearense Xico Sá, em sua coluna semanal no Diário de Pernambuco, homens bonitos vencem a vontade feminina por nocaute; homens feios vencem por pontos, ao final de um longo embate de 12 rounds.
29 de janeiro de 2009
Como Assassinar A Lógica
Quando se faz de tudo para defender uma tese que não necessariamente correta, um orador frequentemente lança mão de um recurso lógico não muito honesto conhecido como falácia. Basicamente, uma falácia é a distorção de um fato concreto de modo a adequar-se aos nossos interesses. Era muito utilizada por um grupo de oradores da Grécia antiga conhecidos como sofistas (que mais tarde viriam a tomar um cacete de discurso da parte daquele velho gordinho e de olho azul), e hoje em dia qualquer um que utilize-se desse discurso é chamado de sofista.
O título de sofista da semana aparentemente vai para Alexandre Garcia, repórter da Globo que cometeu uma pérola do assassinato à lógica ao propor duas situações absurdas quanto ao caso do italiano Cesare Battisti, a quem foi concedido asilo político em oposição à decisão da justiça italiana de condená-lo à prisão perpétua por assassinatos ocorridos nos "anos de chumbo", durante a década de 70. A situação ocorreu ontem, durante o Jornal Nacional.
Garcia começa enunciando a primeira hipotética situação, onde considera que os brasileiros não gostariam nada caso Fernandinho Beira-Mar recebesse asilo político na Itália. Depois, outra situação hipotética na qual Osama bin Laden receberia asilo político no Brasil por considerar-se seus crimes como tendo caráter político.
Na primeira situação, o repórter global comete uma falácia de associação, na qual uma associação apressada entre duas situações é feita com o intuito de provar-se um ponto de vista. Neste caso, os crimes de Beira-Mar não possuem nenhuma associação com os de Battisti: o primeiro responde principalmente por tráfico de entorpecentes, armas e homicídios ocorridos em associação com práticas criminosas largamente reconhecidas como tal. Já Battisti cometeu 4 homicídios dentro de um contexto de luta política, onde a tipificação do crime pode sofrer um viés político, ainda mais se considerarmos as leis de exceção vigentes na época.
Na segunda, Garcia comete uma falácia conhecida como tese irrelevante. Nesta falácia, apesar de a consideração levada em conta por Garcia ser válida (abrigar Osama bin Laden por crimes políticos é, de fato, uma atitude questionável), é no entanto irrelevante para a situação em questão: a situação de Battisti é totalmente distinta da situação de bin Laden, principalmente se levarmos em conta a motivação dos crimes.
Em tempo: eu ainda fui à final em Lógica durante a faculdade.
O título de sofista da semana aparentemente vai para Alexandre Garcia, repórter da Globo que cometeu uma pérola do assassinato à lógica ao propor duas situações absurdas quanto ao caso do italiano Cesare Battisti, a quem foi concedido asilo político em oposição à decisão da justiça italiana de condená-lo à prisão perpétua por assassinatos ocorridos nos "anos de chumbo", durante a década de 70. A situação ocorreu ontem, durante o Jornal Nacional.
Garcia começa enunciando a primeira hipotética situação, onde considera que os brasileiros não gostariam nada caso Fernandinho Beira-Mar recebesse asilo político na Itália. Depois, outra situação hipotética na qual Osama bin Laden receberia asilo político no Brasil por considerar-se seus crimes como tendo caráter político.
Na primeira situação, o repórter global comete uma falácia de associação, na qual uma associação apressada entre duas situações é feita com o intuito de provar-se um ponto de vista. Neste caso, os crimes de Beira-Mar não possuem nenhuma associação com os de Battisti: o primeiro responde principalmente por tráfico de entorpecentes, armas e homicídios ocorridos em associação com práticas criminosas largamente reconhecidas como tal. Já Battisti cometeu 4 homicídios dentro de um contexto de luta política, onde a tipificação do crime pode sofrer um viés político, ainda mais se considerarmos as leis de exceção vigentes na época.
Na segunda, Garcia comete uma falácia conhecida como tese irrelevante. Nesta falácia, apesar de a consideração levada em conta por Garcia ser válida (abrigar Osama bin Laden por crimes políticos é, de fato, uma atitude questionável), é no entanto irrelevante para a situação em questão: a situação de Battisti é totalmente distinta da situação de bin Laden, principalmente se levarmos em conta a motivação dos crimes.
Em tempo: eu ainda fui à final em Lógica durante a faculdade.
Ingredientes:
comunicação social,
filosofia,
política
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