Voltei.
Natal e Ano Novo bem normais. Felicidade por ter revisto alguns parentes meus que eu não via já há algum tempo. Mas de resto normal.
Eu queria falar sobre isso aqui:
É um vídeo de uma musiquinha escrota que um programa inglês fez sobre o Aiatolá Khomeini. Trata-se do "Not The Nine O'Clock News", um programa de comédia da BBC que ficou no ar entre 1979 e 1982. Foi um programa revolucionário na época pelo fato de, apesar de manter a estrutura de sketches com um elenco fixo (Rowan Atkinson, Pamela Stephenson, Mel Smith e Griff Rhys Jones), já consagrada pelo Monty Python, abria a possibilidade de qualquer roteirista de comédia da Inglaterra enviar seu roteiro para a produção e ter seu sketch encenado. Normalmente, era coisa de poucos segundos a poucos minutos, em um programa de meia hora.
As piadas até hoje se mantêm hilárias, especialmente quando consideramos as ácidas tiradas políticas com os eventos da época. Ninguém escapava, de Khomeini (como descrito acima) a Margareth Thatcher e a cara-de-pau dos Tories dominantes na Inglaterra de então. Além disso, havia um ótimo humor nonsense e cotidiano, como o sujeito que é sacaneado ao tentar comprar um gramofone (na verdade, uma vitrola) ou então uma linha de montagem da finada British Leyland onde todos os trabalhadores se chamavam Bob. Um monte desses videozinhos podem ser encontrados no Youtube. Aqui no Brasil, os programas eram exibidos pelo Euro Channel.
Sem falar que eu estou viciado na melodia e na voz da cantora do vídeo acima. :P
Mostrando postagens com marcador (pós?) modernidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador (pós?) modernidade. Mostrar todas as postagens
2 de janeiro de 2008
19 de setembro de 2007
Moms I'd Like...
Quem me chamou a atenção, de início, foi Mary-Louise Parker. Ela é mais conhecida como a provedora de barato-mor de "Weeds", mais uma daquelas séries tapa-na-cara da conservadora sociedade americana. Mas o que me chamou a atenção foi a foto de chamada que puseram para uma notícia relativa a ela (a adoção de uma criança africana) na Folha Online. Ela, de uma maneira quase que kinskiana, estava nua em pêlo - maneira de dizer, estava nua em pele branquíssima mesmo -, enrolada numa cobra e exibindo curvas de dar inveja a muita menina de 18 anos. Infelizmente, parece que retiraram a mesma da página principal.
Parker tem 43 anos.
Em outros tempos, mulheres nesta idade, tirando fetiche de um ou outro escritor maluco (Milan Kundera no meio, basta ler risíveis amores), eram coisa que não saía do domínio de mentes doentias, e nos fazem, em muitos casos, pensar em pelancas, bundas e peitos flácidos. Mas a modernidade, ah, a modernidade... com suas drenagens linfáticas, suas malhações, pilates, yoga, ayurveda, sexo tântrico. Lógico que eu deixei as plásticas de fora: certos níveis de perfeição, de ânsia de segurar e sentir aquelas curvas nas mãos só podem ser conseguidos por métodos "naturais".
Qual foi minha surpresa no dia que eu descobri que Nívea Stellmann, que não é mais o que era antigamente mas ainda dá um belo de um brodo, nem um caldo, superou a barreira dos 30 há uns bons anos. Do outro lado do Atlântico, Catherine Zeta-Jones parece conservada no formol. A mulher do Otto, Alessandra Negrini, tem 37 anos, tudo em cima e em generosas proporções. Nicole Kidman também beira os 40 e ainda é de cair o queixo. A tendência é que as coisas continuem progredindo nas mais diversas etnias do mundo, para o deleite daqueles que incluem casamento nos planos. Eu no meio.
Para finalizar este post, deixo a campanha publicitária que Alicia Silverstone, recém-vegetariana e recém-trintona, fez contra os maus tratos contra animais para a Peta nos EUA. Continua com as mesmas cintura e quadris de "As Patricinhas de Beverly Hills". É o tipo de coisa que só nos dá motivos para manter a nossa esperança no futuro.
Parker tem 43 anos.
Em outros tempos, mulheres nesta idade, tirando fetiche de um ou outro escritor maluco (Milan Kundera no meio, basta ler risíveis amores), eram coisa que não saía do domínio de mentes doentias, e nos fazem, em muitos casos, pensar em pelancas, bundas e peitos flácidos. Mas a modernidade, ah, a modernidade... com suas drenagens linfáticas, suas malhações, pilates, yoga, ayurveda, sexo tântrico. Lógico que eu deixei as plásticas de fora: certos níveis de perfeição, de ânsia de segurar e sentir aquelas curvas nas mãos só podem ser conseguidos por métodos "naturais".
Qual foi minha surpresa no dia que eu descobri que Nívea Stellmann, que não é mais o que era antigamente mas ainda dá um belo de um brodo, nem um caldo, superou a barreira dos 30 há uns bons anos. Do outro lado do Atlântico, Catherine Zeta-Jones parece conservada no formol. A mulher do Otto, Alessandra Negrini, tem 37 anos, tudo em cima e em generosas proporções. Nicole Kidman também beira os 40 e ainda é de cair o queixo. A tendência é que as coisas continuem progredindo nas mais diversas etnias do mundo, para o deleite daqueles que incluem casamento nos planos. Eu no meio.
Para finalizar este post, deixo a campanha publicitária que Alicia Silverstone, recém-vegetariana e recém-trintona, fez contra os maus tratos contra animais para a Peta nos EUA. Continua com as mesmas cintura e quadris de "As Patricinhas de Beverly Hills". É o tipo de coisa que só nos dá motivos para manter a nossa esperança no futuro.
8 de agosto de 2007
Deus Ex Machina
Esta expressão latina significa, literalmente, "Deus saído de uma máquina". Ela designa um recurso muito utilizado no teatro grego, no qual em certos momentos de uma peça de teatro um ator vestido de deus grego desceria de uma gaiola na ponta de uma espécie de guindaste primitivo para oferecer um destino até então inimaginado para o roteiro, pelo menos com os elementos dados até então. Normalmente recorrem a objetos ou pessoas fantásticas ou improváveis dentro daquele universo.
São poucos os autores de obras literárias, peças de teatro e filmes que utilizam este recurso, quer por olhar como algo "brega e demodé" ou por não saber exatamente como incluir o tal recurso em sua obra, mesmo quando o roteiro permite (ou, mais freqëntemente, nos dois casos). E a "teledramaturgia brasileira" (leia-se novelas da Grôbo) raramente coloca algo assim, pelo que percebi neste período do limbo de minha vida.
De minha parte eu não estou nem aí. Mas minha mãe reclama tanto das personagens (tomada pela catarse que acomete muitas noveleiras) e principalmente dos vilões que eu sugeri algumas alterações no enredo de certas "obradas":
- Mocinha da novela das oito é presa contra a vontade em uma "clínica", na verdade um verdadeiro gulag carioca: Simples. O par rômantico dela é rico, né? Contrata uns mercenários vestidos com estilosas roupas camufladas de preto e cinza e submetralhadoras pra invadir o local, no melhor estilo "Rambo" ou "Duro de Matar";
- Bruxa da novela das seis hipnotiza ingênua enfermeira para que esta veja seu rosto sempre deformado: Minha inspiração desta vez vem de meu anime preferido, "Cavaleiros do Zodíaco". Neste anime, o cavaleiro de ouro mais forte, Shaka de Virgem, derrota seus inimigos expondo-os ao ridículo de suas próprias ações frente à eternidade e ao desconhecimento da transitoriedade das coisas, uma vez que o mesmo é budista e considerado o homem mais próximo da iluminação. Desta forma, meu Deus ex machina desta situação seria um lama budista que, ao perceber as tentativas de maquinação da vilã, sorri com um sorriso amarelo (porém franco), mantém a expressão de meditação e diz, calmamente: "seus sortilégios nada mais são do que um pulo de um macaco na palma da mão de Buda...".
- Patricinha loira engana mocinha morena para ficar com o namorado da última: Curto e grosso - ponho as duas pra brigar no gel e quem vencer leva o zé-mané.
Não preciso nem dizer que minha mãe não gostou nada das versões. Minha resposta pra ela foi fácil e rápida: primeiro, deixe de reclamar com personagens que só existem no plano das idéias; segundo, a novela é tão ruim que até mesmo um absurdo desses poderia dar uma melhoradinha...
São poucos os autores de obras literárias, peças de teatro e filmes que utilizam este recurso, quer por olhar como algo "brega e demodé" ou por não saber exatamente como incluir o tal recurso em sua obra, mesmo quando o roteiro permite (ou, mais freqëntemente, nos dois casos). E a "teledramaturgia brasileira" (leia-se novelas da Grôbo) raramente coloca algo assim, pelo que percebi neste período do limbo de minha vida.
De minha parte eu não estou nem aí. Mas minha mãe reclama tanto das personagens (tomada pela catarse que acomete muitas noveleiras) e principalmente dos vilões que eu sugeri algumas alterações no enredo de certas "obradas":
- Mocinha da novela das oito é presa contra a vontade em uma "clínica", na verdade um verdadeiro gulag carioca: Simples. O par rômantico dela é rico, né? Contrata uns mercenários vestidos com estilosas roupas camufladas de preto e cinza e submetralhadoras pra invadir o local, no melhor estilo "Rambo" ou "Duro de Matar";
- Bruxa da novela das seis hipnotiza ingênua enfermeira para que esta veja seu rosto sempre deformado: Minha inspiração desta vez vem de meu anime preferido, "Cavaleiros do Zodíaco". Neste anime, o cavaleiro de ouro mais forte, Shaka de Virgem, derrota seus inimigos expondo-os ao ridículo de suas próprias ações frente à eternidade e ao desconhecimento da transitoriedade das coisas, uma vez que o mesmo é budista e considerado o homem mais próximo da iluminação. Desta forma, meu Deus ex machina desta situação seria um lama budista que, ao perceber as tentativas de maquinação da vilã, sorri com um sorriso amarelo (porém franco), mantém a expressão de meditação e diz, calmamente: "seus sortilégios nada mais são do que um pulo de um macaco na palma da mão de Buda...".
- Patricinha loira engana mocinha morena para ficar com o namorado da última: Curto e grosso - ponho as duas pra brigar no gel e quem vencer leva o zé-mané.
Não preciso nem dizer que minha mãe não gostou nada das versões. Minha resposta pra ela foi fácil e rápida: primeiro, deixe de reclamar com personagens que só existem no plano das idéias; segundo, a novela é tão ruim que até mesmo um absurdo desses poderia dar uma melhoradinha...
Ingredientes:
(pós?) modernidade,
comédia,
televisão
Assinar:
Postagens (Atom)