"Me empresta seus olhos só por um instante? Dá pra ver a alma da gente neles..."
E então, aquele que é provavelmente o mais belo sorriso do mundo se abriu.
Mostrando postagens com marcador mulher. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador mulher. Mostrar todas as postagens
15 de abril de 2009
1 de abril de 2009
Eu Tenho Medo
(Bendita preguiça, bendita falta de inspiração, bendita cabeça a mil)
Eu morro de medo de ter de me apaixonar por alguém de quem todo mundo é a fim. É como quando eu tentava a vaga no Instituto Rio Branco, com a diferença de que a seleção do IRBr é comparativamente mais fácil.
Há de se separar mulheres de mulheres neste caso. Existem as deusas estonteantemente lindas, cuja aparência é um cruzado de direita no seu queixo e que chacoalha seu cérebro até o último balançar, no último neurônio da parte do cérebro responsável por avaliar a beleza feminina.
Essas eu dispenso. Ou então fico babando por elas quando uma desilusão amorosa providencial trata de ligar o "foda-se" no meu julgamento. É uma manifestação de catarse, de puro desbunde de um coração partido e cheio de mágoa: "Dane-se! Vou pedir em casamento a primeira loira de 1,90m que aparecer na minha frente!". Mas eu sei que esse tipo de vontade nunca vai pra frente, já que minha vida não é feita totalmente de cabeças quentes e corações amargurados.
Temos um problema quando se trata de uma menina não necessariamente linda, mas um "bonita-próximo-da-realidade". Esse não é exatamente o seu principal atributo, mas sim a sua capacidade de atrair as pessoas com uma palavra amiga, com meiguice, doçura, inteligência e carinho. Chovem homens em cima dessas mulheres, porque, em última análise, é o que todo mundo quer, e me dói ter de desagradar a loira de 1,90m do parágrafo acima dizendo isso.
Eu morro de medo de me ver apaixonado por uma mulher assim pois, como eu disse antes e como antes de mim disse o bardo do Cariri (Xico Sá), homens feios não conquistam mulher por nocaute, e sim por pontos ao final de um aguerrido embate de 12 rounds. Eu posso ser facilmente descartado antes mesmo que a bela infanta sequer note minha existência.
Eu morro de medo de ter de me apaixonar por alguém de quem todo mundo é a fim. É como quando eu tentava a vaga no Instituto Rio Branco, com a diferença de que a seleção do IRBr é comparativamente mais fácil.
Há de se separar mulheres de mulheres neste caso. Existem as deusas estonteantemente lindas, cuja aparência é um cruzado de direita no seu queixo e que chacoalha seu cérebro até o último balançar, no último neurônio da parte do cérebro responsável por avaliar a beleza feminina.
Essas eu dispenso. Ou então fico babando por elas quando uma desilusão amorosa providencial trata de ligar o "foda-se" no meu julgamento. É uma manifestação de catarse, de puro desbunde de um coração partido e cheio de mágoa: "Dane-se! Vou pedir em casamento a primeira loira de 1,90m que aparecer na minha frente!". Mas eu sei que esse tipo de vontade nunca vai pra frente, já que minha vida não é feita totalmente de cabeças quentes e corações amargurados.
Temos um problema quando se trata de uma menina não necessariamente linda, mas um "bonita-próximo-da-realidade". Esse não é exatamente o seu principal atributo, mas sim a sua capacidade de atrair as pessoas com uma palavra amiga, com meiguice, doçura, inteligência e carinho. Chovem homens em cima dessas mulheres, porque, em última análise, é o que todo mundo quer, e me dói ter de desagradar a loira de 1,90m do parágrafo acima dizendo isso.
Eu morro de medo de me ver apaixonado por uma mulher assim pois, como eu disse antes e como antes de mim disse o bardo do Cariri (Xico Sá), homens feios não conquistam mulher por nocaute, e sim por pontos ao final de um aguerrido embate de 12 rounds. Eu posso ser facilmente descartado antes mesmo que a bela infanta sequer note minha existência.
29 de outubro de 2008
Redenção
Woody Allen, o prototípico nerd tímido mas que conseguiu transar, afirmou recentemente em entrevista ao New York Times que é fascinado, e até mesmo obcecado, pela beleza feminina. Allen é conhecido por filmes onde contracena com mulheres normalmente belíssimas. Gagueja, gagueja, fica com vergonha, mas no final das contas termina levando um "ai que fofinho" e vai pra cama com a mulher bonita.
É a redenção. Pra muita gente, Allen é, insisto, o nerd tímido mas que as mulheres ainda têm a pachorra de considerar sexy. Tá, concedo que só certos tipos de mulheres sentem atração por esse tipo de cara. Normalmente elas também fazem o tipo inteligente e sexy. Mas ainda assim, é alguém que foge dos padrões bonitões-cabeções estilo Chico Buarque e tem a coragem de admitir que gosta de mulher bonita.
Se Allen pode, por que eu também não? (e ai de quem vier dizendo que eu não tenho a grana dele)
* * *
O que nos leva a alguém que é séria candidata a rainha das MILF's...
É a redenção. Pra muita gente, Allen é, insisto, o nerd tímido mas que as mulheres ainda têm a pachorra de considerar sexy. Tá, concedo que só certos tipos de mulheres sentem atração por esse tipo de cara. Normalmente elas também fazem o tipo inteligente e sexy. Mas ainda assim, é alguém que foge dos padrões bonitões-cabeções estilo Chico Buarque e tem a coragem de admitir que gosta de mulher bonita.
Se Allen pode, por que eu também não? (e ai de quem vier dizendo que eu não tenho a grana dele)
* * *
O que nos leva a alguém que é séria candidata a rainha das MILF's...
17 de setembro de 2008
Arcoverde, Surpreendente
Eu nem pensava em escrever mais um post hoje, aliás é minha política escrever um post por dia (e, como muitos perceberam aqui, nem isso). Mas acho que uma situação específica me impressionou tanto hoje que merecia uma nova inserção.
Em Arcoverde, um dos bairros mais elitistas e tradicionais é o Sucupira. Onze entre cada dez médicos moram lá, e médico em cidade pequena é algo similar a Jesus Cristo, Maomé e Buda na Terra, parelho com os promotores e juízes. Mas o Sucupira também impressiona por algo que eu descobri depois do meu exílio forçado na terra natal, ocorrido há alguns anos.
O Sucupira tem uma concentração absurda de paranaenses, catarinenses e gaúchos. Eu não sei explicar exatamente porque, já que não há na região um grande histórico de negócios ligados a pessoas daqueles estados. Arcoverde não tem uma única indústria grande, o município é pequeno demais para ter uma produção agrícola expressiva (soja, então, nem pensar), e o comércio é dominado pelos locais. Sei que alguns deles estão ligados ao clero evangélico local, mas isso não justifica um êxodo tão grande para estas plagas.
Interessante é perceber que muitos deles já estão aculturados. Os descendentes, com certeza, ao menos. Cansei de ver aquelas pessoas loiríssimas dos olhos claros chegando na padaria dos meus pais, e, na hora de abrir a boca, ao invés do esperado "bah, guri" ou então "leitE quentE", sai o sotaque local. Chega a ser algo meio deslocado do contexto, como um filme surrealista no qual o ator, que está tocando sanfona em cima de uma bicicleta, produz um som de um burro zurrando.
No meu universo de sonhos, que já foi referenciado outras vezes neste e em blogs passados meus, esse bairro assemelha-se estranhamente àquelas casinhas de madeira em estilo nórdico, como se fossem um lata de biscoitos dinamarqueses. Eu sonhei com isso antes de perceber essa estranha concentração de pessoas de fora. Acho que meus sonhos moldaram a realidade...
P.S.: Este post todo foi motivado por uma menina em especial que eu vi hoje, loirona quase branco, olhos azuis, 1,75m de altura, mais ou menos 50 kg, mais ou menos 18-19 anos, corpo com tudo em cima, bronzeado digno de bronzeador Nivea importado da Alemanha. Falava sotaque local. Algum dos meus leitores arcoverdenses têm alguma idéia de quem seja? Porque eu mesmo nunca a vi mais gorda (ou melhor, mais sarada).
P.P.S.: Como percebe-se através desse último post-scriptum, eu estou a ponto de subir no poste e gritar "Io voglio una donna!". Ou melhor, "Ich will Eine Fraulein!".
Em Arcoverde, um dos bairros mais elitistas e tradicionais é o Sucupira. Onze entre cada dez médicos moram lá, e médico em cidade pequena é algo similar a Jesus Cristo, Maomé e Buda na Terra, parelho com os promotores e juízes. Mas o Sucupira também impressiona por algo que eu descobri depois do meu exílio forçado na terra natal, ocorrido há alguns anos.
O Sucupira tem uma concentração absurda de paranaenses, catarinenses e gaúchos. Eu não sei explicar exatamente porque, já que não há na região um grande histórico de negócios ligados a pessoas daqueles estados. Arcoverde não tem uma única indústria grande, o município é pequeno demais para ter uma produção agrícola expressiva (soja, então, nem pensar), e o comércio é dominado pelos locais. Sei que alguns deles estão ligados ao clero evangélico local, mas isso não justifica um êxodo tão grande para estas plagas.
Interessante é perceber que muitos deles já estão aculturados. Os descendentes, com certeza, ao menos. Cansei de ver aquelas pessoas loiríssimas dos olhos claros chegando na padaria dos meus pais, e, na hora de abrir a boca, ao invés do esperado "bah, guri" ou então "leitE quentE", sai o sotaque local. Chega a ser algo meio deslocado do contexto, como um filme surrealista no qual o ator, que está tocando sanfona em cima de uma bicicleta, produz um som de um burro zurrando.
No meu universo de sonhos, que já foi referenciado outras vezes neste e em blogs passados meus, esse bairro assemelha-se estranhamente àquelas casinhas de madeira em estilo nórdico, como se fossem um lata de biscoitos dinamarqueses. Eu sonhei com isso antes de perceber essa estranha concentração de pessoas de fora. Acho que meus sonhos moldaram a realidade...
P.S.: Este post todo foi motivado por uma menina em especial que eu vi hoje, loirona quase branco, olhos azuis, 1,75m de altura, mais ou menos 50 kg, mais ou menos 18-19 anos, corpo com tudo em cima, bronzeado digno de bronzeador Nivea importado da Alemanha. Falava sotaque local. Algum dos meus leitores arcoverdenses têm alguma idéia de quem seja? Porque eu mesmo nunca a vi mais gorda (ou melhor, mais sarada).
P.P.S.: Como percebe-se através desse último post-scriptum, eu estou a ponto de subir no poste e gritar "Io voglio una donna!". Ou melhor, "Ich will Eine Fraulein!".
7 de fevereiro de 2008
Post Tímido
Eu tinha uma idéia para um post rasgado, escancarado, em ode àquelas mulheres com as quais eu certamente me casaria, por uma série de motivos. Em sua grande maioria são minhas amigas, e cada uma tem um determinado aspecto que chama minha atenção e que me fariam passar anos, bodas de todos os materiais, junto a elas.
Mas aí eu fiquei com vergonha e decidi omitir nomes, e resguardar somente as características físicas e psicológicas.
Uma delas não merece sequer grandes citações, apesar de cada um meio que ter partido caminho, cada um pro seu lado. Mas... céus, ela é hors-concours. Hê.
Outra, tenho certeza que é a mulher dos meus sonhos. Não por idealização excessiva, mas por realmente ter aparecido em 3 sonhos meus há alguns anos atrás, e isso sem a conhecê-la. Inspiração no ápice. Hoje em dia, eu posso dizer que tenho de fato um monte de motivos para ficar da forma que eu fiquei no universo onírico. Ainda mais quando me volto para aqueles olhos claros azul-esverdeados (olhos de pietà), aquele rosto sardento e aquele jeito doce de conversar comigo. De arrancar suspiros.
Acho que a terceira é a própria reencarnação de Clarice Lispector. Tem o mesmo queixo fino, as mesmas maçãs do rosto salientes, os olhos rasgados e verdes de gata zangada. A mesma personalidade de mostrar-se e ao mesmo tempo esconder-se, já que nos 2 anos e poucos que nos conhecemos, eu ainda não consegui descobrir o que se passa na cabeça dela totalmente. É ninja em afirmar essa característica de sua personalidade, ou melhor, mestra shaolin. Mas acho que ela me proporcionaria um romance daqueles da referida ucrano-pernambucana.
A quarta, não poderia esquecer nunca dela. Verdadeira beleza de gelo, inescrutável, vigilante na defesa da muralha que criou em volta dos seus sentimentos, íntimos ou não (embora muito dessa muralha tenha caído nos últimos anos). Muito do fascínio que ela exerce está justamente nessa característica de não revelar nada sobre si. De aparência, é um clone de Nastassja Kinski, com grandes olhos clementes e que mudam de cor. O pouco que pude perceber dela confirma minhas expectativas: estou a anos-luz de distância. Nem por isso ela se torna menos atraente e encantadora, mas admiro como quem admira a beleza destruidora de pedaços de geleira se despedaçando no Ártico: de longe.
Mas aí eu fiquei com vergonha e decidi omitir nomes, e resguardar somente as características físicas e psicológicas.
Uma delas não merece sequer grandes citações, apesar de cada um meio que ter partido caminho, cada um pro seu lado. Mas... céus, ela é hors-concours. Hê.
Outra, tenho certeza que é a mulher dos meus sonhos. Não por idealização excessiva, mas por realmente ter aparecido em 3 sonhos meus há alguns anos atrás, e isso sem a conhecê-la. Inspiração no ápice. Hoje em dia, eu posso dizer que tenho de fato um monte de motivos para ficar da forma que eu fiquei no universo onírico. Ainda mais quando me volto para aqueles olhos claros azul-esverdeados (olhos de pietà), aquele rosto sardento e aquele jeito doce de conversar comigo. De arrancar suspiros.
Acho que a terceira é a própria reencarnação de Clarice Lispector. Tem o mesmo queixo fino, as mesmas maçãs do rosto salientes, os olhos rasgados e verdes de gata zangada. A mesma personalidade de mostrar-se e ao mesmo tempo esconder-se, já que nos 2 anos e poucos que nos conhecemos, eu ainda não consegui descobrir o que se passa na cabeça dela totalmente. É ninja em afirmar essa característica de sua personalidade, ou melhor, mestra shaolin. Mas acho que ela me proporcionaria um romance daqueles da referida ucrano-pernambucana.
A quarta, não poderia esquecer nunca dela. Verdadeira beleza de gelo, inescrutável, vigilante na defesa da muralha que criou em volta dos seus sentimentos, íntimos ou não (embora muito dessa muralha tenha caído nos últimos anos). Muito do fascínio que ela exerce está justamente nessa característica de não revelar nada sobre si. De aparência, é um clone de Nastassja Kinski, com grandes olhos clementes e que mudam de cor. O pouco que pude perceber dela confirma minhas expectativas: estou a anos-luz de distância. Nem por isso ela se torna menos atraente e encantadora, mas admiro como quem admira a beleza destruidora de pedaços de geleira se despedaçando no Ártico: de longe.
1 de outubro de 2007
Marta e a Bola, Bola e Marta
Há quem diga que é melhor perder como a seleção brasileira de 1982 (de Zico, Júnior, Sócrates, Falcão...) que ganhar como a de 1994 (de gente não menos boa como Branco, Raí, Taffarel...). Eu sou desses que concorda com a frase. E também acho que ela se aplica perfeitamente à seleção feminina que perdeu a final ontem, por 2 x 0, para a Alemanha.
A impressão que eu tive, vendo o jogo, foi a de que os esterótipos normalmente aplicados aos estilos de jogar das respectivas seleções masculinas puderam ser aplicados às femininas. As brasileiras tentaram fazer o jogo bonito que vinham fazendo já desde o início da competição. Chapéus, dribles geniais, futebol arte, lindo como uma pintura de Michellangelo ou de van Dijk. Mas deve ter sido por isso também que a Itália não ficou na vanguarda do desenvolvimento da Europa, e o mesmo motivo pelo qual o capitalismo holandês dos séculos XVI e XVII não se sustentou durante muito tempo...
Em compensação, a Alemanha jogou feito uma máquina. Precisa como uma ferramenta da Bosch, como um canhão Krupp, como um carro da Audi (Vörsprung durch Technik, lembra?). Fundamentos perfeitos, marcação perfeita, ataques perfeitos. Mas, sinceramente, o futebol mais feio que já vi, e olha que isso não é bolinho para alguém que já assistiu o Grêmio x Boca Juniors da final da Libertadores desse ano. Mas serviu.
Deve ser por isso que o peso da derrota não caiu como uma pedra sobre as costas do Brasil (e não, eu não credito essa indiferença ao preconceito do brasileiro com o futebol feminino - até porque metade do Brasil, as brasileiras, viram e gostaram). Fato é que, antes de ganhar, qualquer seleção brasileira tem a obrigação de jogar bonito. Está no nosso inconsciente. Fomos mal(?)-acostumados por Garrincha, Pelé, e uma penca de outros. Que se pode fazer? É por isso que nós ficamos com tanta raiva de o Ronaldinho fazer aqueles malabarismos no Barcelona e murchar a bola na Seleção (e naquele 1 x 0 para a França). É por isso também que nós (menos os gremistas) nos sentimos vingados por Alexandre Pato naquela final de Mundial, apesar de ser cedo para afirmar qualquer coisa sobre ele. É por isso que se valoriza mais o jogador que perde um jogo mas demonstra raça, amor à camisa e encara o jogo como se fosse um espetáculo, do que aquele que faz o feijão com arroz mal-temperado e ganha por 1 x 0. Ou até mesmo 0,5 x 0.
Na visão de Marta, a sorte a abandonou. Eu não seria tão pessimista assim.
A impressão que eu tive, vendo o jogo, foi a de que os esterótipos normalmente aplicados aos estilos de jogar das respectivas seleções masculinas puderam ser aplicados às femininas. As brasileiras tentaram fazer o jogo bonito que vinham fazendo já desde o início da competição. Chapéus, dribles geniais, futebol arte, lindo como uma pintura de Michellangelo ou de van Dijk. Mas deve ter sido por isso também que a Itália não ficou na vanguarda do desenvolvimento da Europa, e o mesmo motivo pelo qual o capitalismo holandês dos séculos XVI e XVII não se sustentou durante muito tempo...
Em compensação, a Alemanha jogou feito uma máquina. Precisa como uma ferramenta da Bosch, como um canhão Krupp, como um carro da Audi (Vörsprung durch Technik, lembra?). Fundamentos perfeitos, marcação perfeita, ataques perfeitos. Mas, sinceramente, o futebol mais feio que já vi, e olha que isso não é bolinho para alguém que já assistiu o Grêmio x Boca Juniors da final da Libertadores desse ano. Mas serviu.
Deve ser por isso que o peso da derrota não caiu como uma pedra sobre as costas do Brasil (e não, eu não credito essa indiferença ao preconceito do brasileiro com o futebol feminino - até porque metade do Brasil, as brasileiras, viram e gostaram). Fato é que, antes de ganhar, qualquer seleção brasileira tem a obrigação de jogar bonito. Está no nosso inconsciente. Fomos mal(?)-acostumados por Garrincha, Pelé, e uma penca de outros. Que se pode fazer? É por isso que nós ficamos com tanta raiva de o Ronaldinho fazer aqueles malabarismos no Barcelona e murchar a bola na Seleção (e naquele 1 x 0 para a França). É por isso também que nós (menos os gremistas) nos sentimos vingados por Alexandre Pato naquela final de Mundial, apesar de ser cedo para afirmar qualquer coisa sobre ele. É por isso que se valoriza mais o jogador que perde um jogo mas demonstra raça, amor à camisa e encara o jogo como se fosse um espetáculo, do que aquele que faz o feijão com arroz mal-temperado e ganha por 1 x 0. Ou até mesmo 0,5 x 0.
Na visão de Marta, a sorte a abandonou. Eu não seria tão pessimista assim.
27 de setembro de 2007
Joabas e Moaças
- Você poderia ir naquele campo lá nos mangues da Baía, pros lados de Niterói. Ainda está ativo, tem gente que ainda joga bola por lá.
Eu nunca fui ao Rio de Janeiro, por isso se me colocassem em, sei lá, Ouagadougou me dizendo que era lá, eu acreditaria. Por isso acreditei fielmente na palavra dos meus interlocutores, sentados na areia de frente para o mar em um lugar que lembrava e muito o Arpoador. De frente para eles e de costas para o mar, eu via o sol da tarde refletindo nos prédios da avenida logo atrás.
De repente, eu estava em um barco a motor pequeno, desses de pesca, chegando nos tais mangues. Eu começo a divisar, a uma certa distância, um campinho de grama baixa e seca, pouco mais alto que o nível das margens, aberto no meio do mangue. Dois times estavam, de fato, jogando por lá, já que dava para ouvir a movimentação típica de jogo de futebol. Desço, arrasto o barco e vou para a beira do gramado de várzea (literalmente).
Qual foi a minha surpresa quando vi que os dois times em peleja eram femininos. De um lado, estava um vestindo camisas vermelhas, do outro lado camisas rosa vivo. E todas eram mulheres lindas. Tá, mulheres e lindas é maneira de dizer. As faixas etárias circulavam entre os 17 e os 24 anos. E nem sempre as mesmas se encaixavam nos padrões de beleza ocidentais propagados a torto e a direito pela publicidade e indústria cultural. Mas a vivacidade, o sorriso nos rostos iluminados por aquele sol de fim de tarde... E havia, acho, uma representação dos mais diversos biotipos da sociedade brasileira lá. Pra todos os gostos: ruiva descendente de poloneses, mulata de algum bairro "decadence avec élegance" do Rio, índia guarani, loirinha descendente de alemã, descendente de italianos do cabelo castanho-claro e olhos verdes, nikkei da Liberdade...
Havia uma beldade de vermelho fora do campo e perto de onde eu estava, num banquinho tosco de madeira. Parece que havia sido substituída há pouco tempo. Cabelo preto preso em trança, moça da boca carnuda e de aparelhos tímidos nos dentes. Pergunto a ela qual o esquema daquele jogo, e ela me responde que elas jogavam ali sempre, todo sábado à tarde. As de vermelho faziam parte de um time chamado Moaças (?) e as de rosa eram as Joabas (???).
Lógico que eu me perguntei o que aquele monte de mulher estava fazendo naquele buraco e a razão para aqueles nomes de times esquisitos. Mas deu pra entender que se tratava de coisa antiga, acordo de amizade que se faz na terceira série. E eu também estava muito ocupado olhando a graciosidade do jogo delas. Não era uma seleção feminina da CBF, mas elas colocavam amor naquilo que faziam. E pombas, era uma questão de aproveitar a vida. O jogo ali era um mero pretexto para se encontrarem, rirem um pouco, e terem mais um assunto para conversar depois, quando saíssem. Elas se abraçavam para comemorar um gol chorado, riam que riam. E aqueles rostos se iluminavam.
Droga. Eu estou solteiro. E, pelo sonho, quem realmente poderia resolver meu problema mora longe, longe...
Eu nunca fui ao Rio de Janeiro, por isso se me colocassem em, sei lá, Ouagadougou me dizendo que era lá, eu acreditaria. Por isso acreditei fielmente na palavra dos meus interlocutores, sentados na areia de frente para o mar em um lugar que lembrava e muito o Arpoador. De frente para eles e de costas para o mar, eu via o sol da tarde refletindo nos prédios da avenida logo atrás.
De repente, eu estava em um barco a motor pequeno, desses de pesca, chegando nos tais mangues. Eu começo a divisar, a uma certa distância, um campinho de grama baixa e seca, pouco mais alto que o nível das margens, aberto no meio do mangue. Dois times estavam, de fato, jogando por lá, já que dava para ouvir a movimentação típica de jogo de futebol. Desço, arrasto o barco e vou para a beira do gramado de várzea (literalmente).
Qual foi a minha surpresa quando vi que os dois times em peleja eram femininos. De um lado, estava um vestindo camisas vermelhas, do outro lado camisas rosa vivo. E todas eram mulheres lindas. Tá, mulheres e lindas é maneira de dizer. As faixas etárias circulavam entre os 17 e os 24 anos. E nem sempre as mesmas se encaixavam nos padrões de beleza ocidentais propagados a torto e a direito pela publicidade e indústria cultural. Mas a vivacidade, o sorriso nos rostos iluminados por aquele sol de fim de tarde... E havia, acho, uma representação dos mais diversos biotipos da sociedade brasileira lá. Pra todos os gostos: ruiva descendente de poloneses, mulata de algum bairro "decadence avec élegance" do Rio, índia guarani, loirinha descendente de alemã, descendente de italianos do cabelo castanho-claro e olhos verdes, nikkei da Liberdade...
Havia uma beldade de vermelho fora do campo e perto de onde eu estava, num banquinho tosco de madeira. Parece que havia sido substituída há pouco tempo. Cabelo preto preso em trança, moça da boca carnuda e de aparelhos tímidos nos dentes. Pergunto a ela qual o esquema daquele jogo, e ela me responde que elas jogavam ali sempre, todo sábado à tarde. As de vermelho faziam parte de um time chamado Moaças (?) e as de rosa eram as Joabas (???).
Lógico que eu me perguntei o que aquele monte de mulher estava fazendo naquele buraco e a razão para aqueles nomes de times esquisitos. Mas deu pra entender que se tratava de coisa antiga, acordo de amizade que se faz na terceira série. E eu também estava muito ocupado olhando a graciosidade do jogo delas. Não era uma seleção feminina da CBF, mas elas colocavam amor naquilo que faziam. E pombas, era uma questão de aproveitar a vida. O jogo ali era um mero pretexto para se encontrarem, rirem um pouco, e terem mais um assunto para conversar depois, quando saíssem. Elas se abraçavam para comemorar um gol chorado, riam que riam. E aqueles rostos se iluminavam.
Droga. Eu estou solteiro. E, pelo sonho, quem realmente poderia resolver meu problema mora longe, longe...
19 de setembro de 2007
Moms I'd Like...
Quem me chamou a atenção, de início, foi Mary-Louise Parker. Ela é mais conhecida como a provedora de barato-mor de "Weeds", mais uma daquelas séries tapa-na-cara da conservadora sociedade americana. Mas o que me chamou a atenção foi a foto de chamada que puseram para uma notícia relativa a ela (a adoção de uma criança africana) na Folha Online. Ela, de uma maneira quase que kinskiana, estava nua em pêlo - maneira de dizer, estava nua em pele branquíssima mesmo -, enrolada numa cobra e exibindo curvas de dar inveja a muita menina de 18 anos. Infelizmente, parece que retiraram a mesma da página principal.
Parker tem 43 anos.
Em outros tempos, mulheres nesta idade, tirando fetiche de um ou outro escritor maluco (Milan Kundera no meio, basta ler risíveis amores), eram coisa que não saía do domínio de mentes doentias, e nos fazem, em muitos casos, pensar em pelancas, bundas e peitos flácidos. Mas a modernidade, ah, a modernidade... com suas drenagens linfáticas, suas malhações, pilates, yoga, ayurveda, sexo tântrico. Lógico que eu deixei as plásticas de fora: certos níveis de perfeição, de ânsia de segurar e sentir aquelas curvas nas mãos só podem ser conseguidos por métodos "naturais".
Qual foi minha surpresa no dia que eu descobri que Nívea Stellmann, que não é mais o que era antigamente mas ainda dá um belo de um brodo, nem um caldo, superou a barreira dos 30 há uns bons anos. Do outro lado do Atlântico, Catherine Zeta-Jones parece conservada no formol. A mulher do Otto, Alessandra Negrini, tem 37 anos, tudo em cima e em generosas proporções. Nicole Kidman também beira os 40 e ainda é de cair o queixo. A tendência é que as coisas continuem progredindo nas mais diversas etnias do mundo, para o deleite daqueles que incluem casamento nos planos. Eu no meio.
Para finalizar este post, deixo a campanha publicitária que Alicia Silverstone, recém-vegetariana e recém-trintona, fez contra os maus tratos contra animais para a Peta nos EUA. Continua com as mesmas cintura e quadris de "As Patricinhas de Beverly Hills". É o tipo de coisa que só nos dá motivos para manter a nossa esperança no futuro.
Parker tem 43 anos.
Em outros tempos, mulheres nesta idade, tirando fetiche de um ou outro escritor maluco (Milan Kundera no meio, basta ler risíveis amores), eram coisa que não saía do domínio de mentes doentias, e nos fazem, em muitos casos, pensar em pelancas, bundas e peitos flácidos. Mas a modernidade, ah, a modernidade... com suas drenagens linfáticas, suas malhações, pilates, yoga, ayurveda, sexo tântrico. Lógico que eu deixei as plásticas de fora: certos níveis de perfeição, de ânsia de segurar e sentir aquelas curvas nas mãos só podem ser conseguidos por métodos "naturais".
Qual foi minha surpresa no dia que eu descobri que Nívea Stellmann, que não é mais o que era antigamente mas ainda dá um belo de um brodo, nem um caldo, superou a barreira dos 30 há uns bons anos. Do outro lado do Atlântico, Catherine Zeta-Jones parece conservada no formol. A mulher do Otto, Alessandra Negrini, tem 37 anos, tudo em cima e em generosas proporções. Nicole Kidman também beira os 40 e ainda é de cair o queixo. A tendência é que as coisas continuem progredindo nas mais diversas etnias do mundo, para o deleite daqueles que incluem casamento nos planos. Eu no meio.
Para finalizar este post, deixo a campanha publicitária que Alicia Silverstone, recém-vegetariana e recém-trintona, fez contra os maus tratos contra animais para a Peta nos EUA. Continua com as mesmas cintura e quadris de "As Patricinhas de Beverly Hills". É o tipo de coisa que só nos dá motivos para manter a nossa esperança no futuro.
8 de setembro de 2007
Listinha
"While ago somewhere, I don't know when
I was watching a movie with a friend.
I felt in love with the actress,
She was playing a part that I could understand."
Neil Young, A Man Needs a Maid.
Já se sentiram assim em algum momento? É difícil não se apaixonar por certas personagens do cinema. Seja pela graça, seja pela beleza, mas a gente sempre acaba se sentindo cativado. Abaixo segue minha listinha de top 5 de atrizes e papéis mais graciosos no cinema mundial.
1) Nastassja Kinski como Tess, no filme homônimo dirigido por Roman Polanski. Uma heroína romântica por excelência. Mas La Kinski, com aqueles olhões claros e expressivos, o cabelo castanho escuro e a boca carnuda, ajudou bastante no encanto que eu sentia pela personagem;
2) Natalya Bondarchuk como Hari na primeira versão de "Solaris", direção de Andrei Tarkovski. Uma pena que ela fosse uma tripla criação mental, de Kris Kelvin, do escritor Stanislaw Lem e do diretor. Dá pra entender como Kris quase foi a loucura, pois era impossível não se apaixonar por ela;
3) Liv Tyler como Arwen em "O Senhor dos Anéis", de Peter Jackson. Eu poderia morrer realizado se Tyler me dissesse aquelas palavras em qenya, a língua-alta dos elfos da Terra Média, que disse quando salvou o babão do Frodo Bolseiro. E, se alguém que consegue um feito muito do fuderoso não merece um elogio, mas um xingamento, então Aragorn é um grandesíssimo filho da puta;
4) Bibi Andersson como Mia, em "O Sétimo Selo", clássico de Ingmar Bergman. Andersson está muito próximo daquilo que eu acho que é um anjo. E a atuação dela como atriz de commedia dell'arte foi de cair o queixo;
5) Julie Delpy como Celine em "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr-do-Sol", de Richard Linklater. Ela é uma intelectual cabeça formada na Sorbonne, ela gosta de jazz sem fazer disso o topo do cult, ela é bonita, é de esquerda, tem uma conversa legal... Quer mais o quê, porra?
* * *
Quer poesia?
Quer impressão do mundo desenvolvido sob a ótica de uma pernambucana?
Um Mundo de Reticências.
Cortesia de pensamento proporcionado pela senhorita Natália Urquiza.
I was watching a movie with a friend.
I felt in love with the actress,
She was playing a part that I could understand."
Neil Young, A Man Needs a Maid.
Já se sentiram assim em algum momento? É difícil não se apaixonar por certas personagens do cinema. Seja pela graça, seja pela beleza, mas a gente sempre acaba se sentindo cativado. Abaixo segue minha listinha de top 5 de atrizes e papéis mais graciosos no cinema mundial.
1) Nastassja Kinski como Tess, no filme homônimo dirigido por Roman Polanski. Uma heroína romântica por excelência. Mas La Kinski, com aqueles olhões claros e expressivos, o cabelo castanho escuro e a boca carnuda, ajudou bastante no encanto que eu sentia pela personagem;
2) Natalya Bondarchuk como Hari na primeira versão de "Solaris", direção de Andrei Tarkovski. Uma pena que ela fosse uma tripla criação mental, de Kris Kelvin, do escritor Stanislaw Lem e do diretor. Dá pra entender como Kris quase foi a loucura, pois era impossível não se apaixonar por ela;
3) Liv Tyler como Arwen em "O Senhor dos Anéis", de Peter Jackson. Eu poderia morrer realizado se Tyler me dissesse aquelas palavras em qenya, a língua-alta dos elfos da Terra Média, que disse quando salvou o babão do Frodo Bolseiro. E, se alguém que consegue um feito muito do fuderoso não merece um elogio, mas um xingamento, então Aragorn é um grandesíssimo filho da puta;
4) Bibi Andersson como Mia, em "O Sétimo Selo", clássico de Ingmar Bergman. Andersson está muito próximo daquilo que eu acho que é um anjo. E a atuação dela como atriz de commedia dell'arte foi de cair o queixo;
5) Julie Delpy como Celine em "Antes do Amanhecer" e "Antes do Pôr-do-Sol", de Richard Linklater. Ela é uma intelectual cabeça formada na Sorbonne, ela gosta de jazz sem fazer disso o topo do cult, ela é bonita, é de esquerda, tem uma conversa legal... Quer mais o quê, porra?
* * *
Quer poesia?
Quer impressão do mundo desenvolvido sob a ótica de uma pernambucana?
Um Mundo de Reticências.
Cortesia de pensamento proporcionado pela senhorita Natália Urquiza.
Assinar:
Postagens (Atom)