O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, quarta força armada iraniana e tropa de choque ideológica do regime dos aiatolás, sofreu hoje um atentado em uma região próxima à fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. 29 pessoas morreram, entre elas diversos oficiais de alta patente da Guarda Revolucionária. O grupo sunita Jundallah assumiu a autoria do ataque. Depois do ataque, os iranianos foram rápidos em colocar a culpa nos EUA e Reino Unido.
Acho que neste ponto os iranianos estão rápidos demais no gatilho, ao acusar os EUA e Reino Unido assim. Por dois motivos:
- Os americanos e os ingleses não iriam armar seus inimigos nos campos de batalha do Afeganistão e Paquistão. E eu realmente espero que eles tenham aprendido a lição com o Talibã, sobre armar gente potencialmente perigosa só pelo fato de eles estarem momentaneamente um inimigo seu;
- Os iranianos (xiitas) já possuem tretas demais com sunitas e o que não falta é gente com vontade de estourar um ou dois comandantes militares deles: os já referidos talibãs, a Al-Qaida (sim, eles não suportam os xiitas), os grupos sunitas internos, como foi o caso dessa vez...
O que, na minha opinião, só mostra o quanto os neocons são um porre, em qualquer ponto do espectro ideológico.
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18 de outubro de 2009
22 de setembro de 2009
Hard Power
O governo brasileiro deu mostras de que está disposto a usar aquilo que se convencionou chamar de "hard power" em Relações Internacionais, a partir do momento em que abrigou o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya. Depois de dispersar manifestantes anti-golpe nas redondezas da embaixada, o governo de facto da república centroamericana cortou o fornecimento de eletricidade, água e telefone do compound da representação diplomática brasileira na capital, Tegucigalpa.
Minha opinião é a de que o governo está agindo de forma correta para terminar com a crise no país, uma vez que o governo golpista dá mostras de que não pretende ceder de forma incondicional, conforme resoluções aprovadas pelas Nações Unidas e pela Organização dos Estados Americanos. Simplesmente abrigar Zelaya em qualquer país significa indiretamente referendar o golpe, e abre brechas para que o mesmo venha a acontecer em outras nações de nosso continente.
Mais: qualquer tentativa de hostilidade por parte das forças oficiais hondurenhas ao território de qualquer representação diplomática deve ser acompanhada de endurecimento das sanções ao país. Em último caso, e é duro pra mim dizer isso, a OEA deve considerar a realização de uma intervenção militar no país através de uma missão de estabilização nos moldes da MINUSTAH (da ONU), atualmente no Haiti. A situação em Honduras não inspira a confiança de nenhum governo em sã consciência no hemisfério.
Minha opinião é a de que o governo está agindo de forma correta para terminar com a crise no país, uma vez que o governo golpista dá mostras de que não pretende ceder de forma incondicional, conforme resoluções aprovadas pelas Nações Unidas e pela Organização dos Estados Americanos. Simplesmente abrigar Zelaya em qualquer país significa indiretamente referendar o golpe, e abre brechas para que o mesmo venha a acontecer em outras nações de nosso continente.
Mais: qualquer tentativa de hostilidade por parte das forças oficiais hondurenhas ao território de qualquer representação diplomática deve ser acompanhada de endurecimento das sanções ao país. Em último caso, e é duro pra mim dizer isso, a OEA deve considerar a realização de uma intervenção militar no país através de uma missão de estabilização nos moldes da MINUSTAH (da ONU), atualmente no Haiti. A situação em Honduras não inspira a confiança de nenhum governo em sã consciência no hemisfério.
7 de setembro de 2009
7 de Setembro: Milicos Ganham Brinquedos Novos
Como se sabe, Brasil e França assinaram um acordo militar bilionário neste 7 de Setembro, envolvendo a compra de 4 submarinos convencionais da classe Scorpène, assistência técnica para a construção do casco de um submarino nuclear de 6 mil toneladas de deslocamento aqui no Brasil, e a construção de 50 helicópteros pesados na fábrica da Helibrás em Itajubá, MG. Ao mesmo tempo, Lula e Sarko-kô meio que deixam acertada a aquisição de 36 aviões de caça Rafale, nas versões B (biplace) e C (chasseur), bem como o referido processo de transferência tecnológica para empresas brasileiras - inclusive a Embraer, que montará o avião por aqui. Concretizado o acordo, a França também considerará seriamente a compra de 12 aeronaves KC-390 da firma do ABC paulista, destinados ao transporte (19 toneladas) e reabastecimento de aeronaves em vôo.
Algumas coisinhas:
- A aquisição de novos armamentos é um procedimento normal para qualquer país que mantenha um exército regular (e até aqueles que não o tem, como a Suíça). O papel internacional do Brasil também mudou, expandindo-se. Mas a construção do submarino nuclear nada mais é que os nossos almirantes com complexo de pau pequeno, já que as funções que serão desempenhadas por ele poderiam ser feitas, e até com mais eficácia, por submarinos convencionais ou com tecnologia de propulsão independente de ar - tecnologia disponível, inclusive, em uma das versões do submarino Scorpène;
- Contrapartidas comerciais na aquisição de equipamentos desse tipo são relativamente normais, mas o que impressiona é o fato de que os franceses irão adquirir os 12 aviões KC-390, tendo projetos para a fabricação de 2 modelos de aeronaves para as mesmas funções.
Os milicos, claro, estão felizes. Mas ninguém está mais feliz que o establishment bélico francês. A ver os resultados.
Algumas coisinhas:
- A aquisição de novos armamentos é um procedimento normal para qualquer país que mantenha um exército regular (e até aqueles que não o tem, como a Suíça). O papel internacional do Brasil também mudou, expandindo-se. Mas a construção do submarino nuclear nada mais é que os nossos almirantes com complexo de pau pequeno, já que as funções que serão desempenhadas por ele poderiam ser feitas, e até com mais eficácia, por submarinos convencionais ou com tecnologia de propulsão independente de ar - tecnologia disponível, inclusive, em uma das versões do submarino Scorpène;
- Contrapartidas comerciais na aquisição de equipamentos desse tipo são relativamente normais, mas o que impressiona é o fato de que os franceses irão adquirir os 12 aviões KC-390, tendo projetos para a fabricação de 2 modelos de aeronaves para as mesmas funções.
Os milicos, claro, estão felizes. Mas ninguém está mais feliz que o establishment bélico francês. A ver os resultados.
Ingredientes:
economia,
política,
relações internacionais
5 de julho de 2009
Ainda O Golpe Em Honduras
Estava preparando algo diferente para ser postado, mas hoje o dia é decisivo. Quaisquer semelhanças com o 6 de junho de 1944 não serão mera coincidência.
Eu sugiro a todos que quiserem acompanhar a chegada de Manuel Zelaya a Honduras, que comecem indo ao blog e ao twitter do Idelber Avelar. Ele está fazendo uma cobertura espetacular do que está acontecendo por lá, e confio na qualidade dele no relato dos eventos das próximas horas.
A melhor cobertura internacional do golpe em Honduras está sendo feita por, pasmem, a Telesur. Eu via a rede com certas ressalvas em relação à sua idoneidade, mas o trabalho deles está muito interessante, ainda mais depois que uma equipe de repórteres foi vítima dos gorilas militares de lá. Aliás, a cobertura internacional está razoavelmente boa, com exceção da mídia brasileira e da Fox News, claro.
Esperemos que nada de grave aconteça e que a verdadeira ordem institucional hondurenha retorne.
* * *
Hoje, a partir das 4 da tarde, teremos a estréia do glorioso tricolor do Arruda. Aos torcedores e admiradores do Santa Cruz Futebol Clube, será possível acompanhar o jogo ao vivo, lance a lance, pelo site oficial do clube.
A Rádio Jornal do Commercio, do Recife, também irá transmitir a partida ao vivo.
Eu sugiro a todos que quiserem acompanhar a chegada de Manuel Zelaya a Honduras, que comecem indo ao blog e ao twitter do Idelber Avelar. Ele está fazendo uma cobertura espetacular do que está acontecendo por lá, e confio na qualidade dele no relato dos eventos das próximas horas.
A melhor cobertura internacional do golpe em Honduras está sendo feita por, pasmem, a Telesur. Eu via a rede com certas ressalvas em relação à sua idoneidade, mas o trabalho deles está muito interessante, ainda mais depois que uma equipe de repórteres foi vítima dos gorilas militares de lá. Aliás, a cobertura internacional está razoavelmente boa, com exceção da mídia brasileira e da Fox News, claro.
Esperemos que nada de grave aconteça e que a verdadeira ordem institucional hondurenha retorne.
* * *
Hoje, a partir das 4 da tarde, teremos a estréia do glorioso tricolor do Arruda. Aos torcedores e admiradores do Santa Cruz Futebol Clube, será possível acompanhar o jogo ao vivo, lance a lance, pelo site oficial do clube.
A Rádio Jornal do Commercio, do Recife, também irá transmitir a partida ao vivo.
4 de julho de 2009
Golpe Não Tem Eufemismos
(Ok, retomando as atividades deste blog...)
Aconteceu muita coisa enquanto estive ausente. Tivemos a queda de 2 aviões da Airbus, onde os sistemas fly by wire foram colocados em cheque. Tivemos a morte de Michael Jackson, e de Farrah Fawcett também. Mas talvez o que mais balançou o mundo nesta época, na minha opinião, tenha sido o golpe de Estado em Honduras, no final de junho.
E digo por que. Há 7 anos a América Latina não tem um golpe de Estado militarista nos moldes clássicos, e há bem mais tempo que isso não temos um bem sucedido. As alegações dos militares, e da elite por trás deles, nunca muda: fizemos isso porque o presidente iria subverter a democracia, iria se perpetuar no poder, iria instaurar uma ditadura esquerdista, iria, iria, iria.
Nada de fatos concretos. Essa conversa está batida pois começou em 1964, aqui em terras brasileiras. No final das contas, a desculpa é a mesma: subverte-se a democracia para evitar que ela seja subvertida. É um paradoxo que acaba sendo reduzido a um argumento à força, ou seja, o militar e as elites fazem isso porque querem e porque são mais fortes que aquele sujeito que está lá no palácio presidencial.
Um golpe é um golpe. Ponto. Não interessa se o sujeito que estava no poder era um ditador em potencial, até porque era só isso, um potencial. Não havia nada que o incriminasse fora das mentes doentias que perpetraram esse absurdo que deveria ser erradicado da face da Terra. E os governos e organizações de todo o mundo fazem muito bem em condená-lo e isolá-lo.
O pior de tudo é ver gente, nas caixas de comentários dos grandes sites noticiosos do país defendendo coisa igual no Brasil. Verdade seja dita, até hoje não se inventou escudo melhor do que um teclado de computador: evita que você diga algo sem que alguém possa identificá-lo e dar uma resposta à altura, ou mesmo uma represália física às promessas de agressão que o referido troll faz. Uma lástima.
Aconteceu muita coisa enquanto estive ausente. Tivemos a queda de 2 aviões da Airbus, onde os sistemas fly by wire foram colocados em cheque. Tivemos a morte de Michael Jackson, e de Farrah Fawcett também. Mas talvez o que mais balançou o mundo nesta época, na minha opinião, tenha sido o golpe de Estado em Honduras, no final de junho.
E digo por que. Há 7 anos a América Latina não tem um golpe de Estado militarista nos moldes clássicos, e há bem mais tempo que isso não temos um bem sucedido. As alegações dos militares, e da elite por trás deles, nunca muda: fizemos isso porque o presidente iria subverter a democracia, iria se perpetuar no poder, iria instaurar uma ditadura esquerdista, iria, iria, iria.
Nada de fatos concretos. Essa conversa está batida pois começou em 1964, aqui em terras brasileiras. No final das contas, a desculpa é a mesma: subverte-se a democracia para evitar que ela seja subvertida. É um paradoxo que acaba sendo reduzido a um argumento à força, ou seja, o militar e as elites fazem isso porque querem e porque são mais fortes que aquele sujeito que está lá no palácio presidencial.
Um golpe é um golpe. Ponto. Não interessa se o sujeito que estava no poder era um ditador em potencial, até porque era só isso, um potencial. Não havia nada que o incriminasse fora das mentes doentias que perpetraram esse absurdo que deveria ser erradicado da face da Terra. E os governos e organizações de todo o mundo fazem muito bem em condená-lo e isolá-lo.
O pior de tudo é ver gente, nas caixas de comentários dos grandes sites noticiosos do país defendendo coisa igual no Brasil. Verdade seja dita, até hoje não se inventou escudo melhor do que um teclado de computador: evita que você diga algo sem que alguém possa identificá-lo e dar uma resposta à altura, ou mesmo uma represália física às promessas de agressão que o referido troll faz. Uma lástima.
21 de fevereiro de 2009
Objeção De Consciência
Duas coisas acontecem com as forças armadas brasileiras atualmente, no que diz respeito ao serviço militar obrigatório: a primeira é que a grande maioria é dispensada por excesso de contingente, o que leva ao fato de que, na prática, fica quem quer. A segunda é que atualmente o Brasil não se encontra envolvido em nenhum conflito exterior que não seja sob a tutela das Nações Unidas (questione-se o envolvimento brasileiro como representante do imperialismo internacional, mas em outra ocasião), e o passado de regime militar aos poucos vai sendo superado. As ações cívicas dos nossos milicos vão fazendo mais bem que mal.
Isto dito, é engraçado saber que, em certos países, jovens vão para a cadeia por simplesmente discordarem da política de defesa do país e, por tabela, recusarem-se a prestar o serviço militar obrigatório. É o que acontece em Israel com muita gente, alguns ainda no colégio, no equivalente ao nosso ensino médio. Por isso, muitas dessas pessoas são chamadas de Shministim, algo como colegiais ou normalistas, numa tradução livre para o nosso conceito.
Como qualquer grupo passível de repressão, eles organizaram-se política e socialmente em uma associação que opõe-se ao serviço militar obrigatório. Não em geral, mas mais especificamente nos chamados Territórios Árabes Ocupados, que vem a ser a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Eles também não gostam nada da política de ocupação militar continuada sobre um território soberano. E, para colocar sua agenda em prática, pedem apoio de outras pessoas para exercer pressão junto ao governo israelense. 40 mil correspondências já foram enviadas, e quem quiser colaborar pode entrar neste site aqui.
Eu resolvi colaborar. Entrei no site e olhei para a cara de cada um deles, rapazes e moças (sim, em Israel a conscrição vale tanto pra homens quanto para mulheres) entre 18 e 20 anos de idades. Pensei no quanto eu não gostaria caso estivesse na mesma sinuca de bico que eles estão. Independente de qualquer ideologia, trata-se de um governo impor a você algo que é pesado (afinal de contas, é o teu pescoço que está em risco e não se faz isso por um bom motivo) e que não se quer fazer. Quem quiser colaborar, que o faça. Só não atrapalhe, enviando por exemplo mensagens de apoio ao Ministério da Defesa de lá em colocar na cadeia esses "baderneiros".
No site, temos notícias de que dois membros do grupo, Raz Bar-David Varon e Maya Yechieli Wind estão atualmente vendo o sol nascer quadrado em alguma prisão militar. Ao mesmo tempo, dois membros do grupo podem considerar-se vitoriosos e conquistaram a tão sonhada liberação do serviço militar obrigatório. São eles Tamar Katz e Yuval Ophir-Auron.
Isto dito, é engraçado saber que, em certos países, jovens vão para a cadeia por simplesmente discordarem da política de defesa do país e, por tabela, recusarem-se a prestar o serviço militar obrigatório. É o que acontece em Israel com muita gente, alguns ainda no colégio, no equivalente ao nosso ensino médio. Por isso, muitas dessas pessoas são chamadas de Shministim, algo como colegiais ou normalistas, numa tradução livre para o nosso conceito.
Como qualquer grupo passível de repressão, eles organizaram-se política e socialmente em uma associação que opõe-se ao serviço militar obrigatório. Não em geral, mas mais especificamente nos chamados Territórios Árabes Ocupados, que vem a ser a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. Eles também não gostam nada da política de ocupação militar continuada sobre um território soberano. E, para colocar sua agenda em prática, pedem apoio de outras pessoas para exercer pressão junto ao governo israelense. 40 mil correspondências já foram enviadas, e quem quiser colaborar pode entrar neste site aqui.
Eu resolvi colaborar. Entrei no site e olhei para a cara de cada um deles, rapazes e moças (sim, em Israel a conscrição vale tanto pra homens quanto para mulheres) entre 18 e 20 anos de idades. Pensei no quanto eu não gostaria caso estivesse na mesma sinuca de bico que eles estão. Independente de qualquer ideologia, trata-se de um governo impor a você algo que é pesado (afinal de contas, é o teu pescoço que está em risco e não se faz isso por um bom motivo) e que não se quer fazer. Quem quiser colaborar, que o faça. Só não atrapalhe, enviando por exemplo mensagens de apoio ao Ministério da Defesa de lá em colocar na cadeia esses "baderneiros".
No site, temos notícias de que dois membros do grupo, Raz Bar-David Varon e Maya Yechieli Wind estão atualmente vendo o sol nascer quadrado em alguma prisão militar. Ao mesmo tempo, dois membros do grupo podem considerar-se vitoriosos e conquistaram a tão sonhada liberação do serviço militar obrigatório. São eles Tamar Katz e Yuval Ophir-Auron.
Ingredientes:
relações humanas,
relações internacionais
1 de fevereiro de 2009
Grande Demais
As coisas no caso Cesare Battisti estão ficando grandes demais, e por causa do governo italiano. Afinal de contas, eu não consigo ver como tanto escarcéu pode ser feito por causa de um peixe pequeno do antigo PAC que, considerando que o processo italiano está correto, matou 4 pessoas. É como se os EUA fizessem uma guerra para prender um praça de um país qualquer que teve a infelicidade de dar uns tecos na pessoa errada.
Essa minha impressão é corroborada pela notícia de que os italianos estão mexendo os pauzinhos em Bruxelas, em busca de apoio político da União Européia para fazer pressão. Acho que, a princípio, é uma tremenda bola fora das Relações Exteriores do país, pois trata-se de algo que diz respeito única e exclusivamente ao governo italiano. Ninguém na Europa tem nada a ver com isso.
Não demora, não demora, e daqui a pouco teremos um novo "incidente Panther", semelhante ao ocorrido no início do século XX quando um navio de guerra alemão - o Panther - coloca seu destacamento de marinheiros nas ruas da cidade portuária de Itajaí, Santa Catarina, para prender um conscrito que havia desertado do serviço na referida nave. Forças armadas de um país não podem entrar em outro sem a autorização do respectivo governo (em tempos de paz, claro), e a competência para a captura de desertores é do país no qual o referido refugiou-se.
A decisão do Barão do Rio Branco e de Joaquim Nabuco, na época os principais nomes da diplomacia brasileira, foi exemplar, embora tenham cometido o mesmo erro da Itália - qual seja, o de convocar uma terceira força para servir de instrumento de pressão, qual seja, os EUA. A soberania do Brasil havia sido posta à prova, e a comunicação do Rio Branco disse muito sobre até onde o governo no Rio de Janeiro pretendia ir para fazer valer seus direitos: chegaram a levantar a possibilidade de por a Panther a pique, e depois veriam o que havia de se fazer.
Essa minha impressão é corroborada pela notícia de que os italianos estão mexendo os pauzinhos em Bruxelas, em busca de apoio político da União Européia para fazer pressão. Acho que, a princípio, é uma tremenda bola fora das Relações Exteriores do país, pois trata-se de algo que diz respeito única e exclusivamente ao governo italiano. Ninguém na Europa tem nada a ver com isso.
Não demora, não demora, e daqui a pouco teremos um novo "incidente Panther", semelhante ao ocorrido no início do século XX quando um navio de guerra alemão - o Panther - coloca seu destacamento de marinheiros nas ruas da cidade portuária de Itajaí, Santa Catarina, para prender um conscrito que havia desertado do serviço na referida nave. Forças armadas de um país não podem entrar em outro sem a autorização do respectivo governo (em tempos de paz, claro), e a competência para a captura de desertores é do país no qual o referido refugiou-se.
A decisão do Barão do Rio Branco e de Joaquim Nabuco, na época os principais nomes da diplomacia brasileira, foi exemplar, embora tenham cometido o mesmo erro da Itália - qual seja, o de convocar uma terceira força para servir de instrumento de pressão, qual seja, os EUA. A soberania do Brasil havia sido posta à prova, e a comunicação do Rio Branco disse muito sobre até onde o governo no Rio de Janeiro pretendia ir para fazer valer seus direitos: chegaram a levantar a possibilidade de por a Panther a pique, e depois veriam o que havia de se fazer.
19 de janeiro de 2009
Aí É Foda
Poutz, você deve estar se perguntando, mas esse cara não fala de outra coisa que não seja o conflito árabe-israelense? Mas se a questão está ali, na cara da gente, pedindo para ser comentada, meu caro leitor solitário, como é que eu vou ignorar?
Pelo menos eu tento colocar os fatos recolhidos de diversas fontes. Boa parte da blogoseira respeitável deste país também, basta dar uma olhada no blog do Idelber, que tá dando show. Ao contrário de gente que não confia no próprio taco e utiliza-se de metodologia "Kibeloco" para virar a mídia a seu favor. Da Folha Online:
Como diria o matuto, "aí é foda".
Pelo menos eu tento colocar os fatos recolhidos de diversas fontes. Boa parte da blogoseira respeitável deste país também, basta dar uma olhada no blog do Idelber, que tá dando show. Ao contrário de gente que não confia no próprio taco e utiliza-se de metodologia "Kibeloco" para virar a mídia a seu favor. Da Folha Online:
Software israelense manobra opiniões na internet
Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.Como diria o matuto, "aí é foda".
Ingredientes:
comunicação social,
política,
relações internacionais
15 de janeiro de 2009
Boa Demais Para Esperar
Ouvindo Dead Kennedys hoje à noite. Não teve como não achar isso aqui a cara de Ehud Olmert e Tzipora Livni.
"Kill The Poor"
Dead Kennedys
Efficiency and progress is ours once more
Now that we have the Neutron bomb
It's nice and quick and clean and gets things done
Away with excess enemy
But no less value to property
No sense in war but perfect sense at home:
The sun beams down on a brand new day
No more welfare tax to pay
Unsightly slums gone up in flashing light
Jobless millions whisked away
At last we have more room to play
All systems go to kill the poor tonight
Gonna
3x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!
Behold the sparkle of champagne
The crime rate's gone
Feel free again
O' life's a dream with you, Miss Lily White
Jane Fonda on the screen today
Convinced the liberals it's okay
So let's get dressed and dance away the night
While they:
6x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!
"Kill The Poor"
Dead Kennedys
Efficiency and progress is ours once more
Now that we have the Neutron bomb
It's nice and quick and clean and gets things done
Away with excess enemy
But no less value to property
No sense in war but perfect sense at home:
The sun beams down on a brand new day
No more welfare tax to pay
Unsightly slums gone up in flashing light
Jobless millions whisked away
At last we have more room to play
All systems go to kill the poor tonight
Gonna
3x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!
Behold the sparkle of champagne
The crime rate's gone
Feel free again
O' life's a dream with you, Miss Lily White
Jane Fonda on the screen today
Convinced the liberals it's okay
So let's get dressed and dance away the night
While they:
6x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!
Ingredientes:
música,
política,
relações internacionais
13 de janeiro de 2009
Drops Da Mudança, USA E Mundo
Não deixa de ser irônico: a pianista que vai tocar na posse de Obama é uma venezuelana. Antes que digam que ela é uma refugiada da ditadura chavista, aviso logo: ela mora lá na Gringolândia desde 1980.
* * *
Não fosse suficiente a Chevrolet, caindo pelas taperas, lançar uma última cartada de um veículo tipo combustão/elétrico (ou seja, onde se pode rodar algumas dezenas de quilômetros só na bateria e o resto da viagem com um gerador flex) pra tentar se salvar, a Cadillac usa a plataforma da empresa mãe e lança um veículo de luxo ecologicamente "correto".
Parece que não vai adiantar muito: a GM já anunciou que vai se desfazer da SAAB por qualquer mil-réis. A Ford também quer se livrar da também sueca Volvo. Tivesse grana eu compraria as duas, embora ficasse um tanto bizarro juntar duas marcas rivais. Mas faria isso só pelo prazer de colocar a SAAB de volta nos ralis e a Volvo de volta nos GT's.
* * *
Parece que o único canto em que a mudança vai chegar vai ser Israel, e isso por conta do presidente da mudança. Não é fácil brigar com um lobby pró-sionista, mesmo com boa vontade. Pior para os israelenses.
* * *
Não fosse suficiente a Chevrolet, caindo pelas taperas, lançar uma última cartada de um veículo tipo combustão/elétrico (ou seja, onde se pode rodar algumas dezenas de quilômetros só na bateria e o resto da viagem com um gerador flex) pra tentar se salvar, a Cadillac usa a plataforma da empresa mãe e lança um veículo de luxo ecologicamente "correto".
Parece que não vai adiantar muito: a GM já anunciou que vai se desfazer da SAAB por qualquer mil-réis. A Ford também quer se livrar da também sueca Volvo. Tivesse grana eu compraria as duas, embora ficasse um tanto bizarro juntar duas marcas rivais. Mas faria isso só pelo prazer de colocar a SAAB de volta nos ralis e a Volvo de volta nos GT's.
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Parece que o único canto em que a mudança vai chegar vai ser Israel, e isso por conta do presidente da mudança. Não é fácil brigar com um lobby pró-sionista, mesmo com boa vontade. Pior para os israelenses.
Ingredientes:
economia,
política,
relações internacionais
6 de janeiro de 2009
Não Dá
Eu até queria fugir do tema "Conflito no Oriente Médio" hoje. Mas não dá. Não depois das notícias de hoje.
É mais fácil ser um pacifista completo, do tipo que abraça árvore, quando a gente imagina uma guerra onde, por mais assimétrica que seja, somente marmanjos com cara de mau lutam. Não importa se um dos caras tem kevlar cobrindo cada centímetro de pele e o outro tem mal e mal um fuzil com as balas contadas no carregador.
Os israelenses deram hoje uma mostra do quão baixo desceram da Segunda Guerra até agora, do quanto se "esforçaram" para perder a razão que tinham ao sobreviverem ao Holocausto. Eu já havia percebido isso com a frieza de analista político em outros confrontos, ou seja, distante, hermeticamente preso a uma definição de livros.
Não mais.
Durante a ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, hoje, tanques de guerra e aeronaves israelenses destruíram duas escolas das Nações Unidas, com dísticos bem visíveis, e onde civis se abrigavam. Imagino a cena desesperadora dos tanques, enormes e impessoais, virando suas torretas na direção dos prédios e apontando seus telêmetros laser para o interior da estrutura. Os projéteis de 120 mm atingindo as paredes. Finalizando, um míssil mergulhando do céu numa trilha de fumaça, reduzindo tudo a escombros.
Que se dane se o Hamas está usando civis como escudos humanos. Que se dane se eles dispararam foguetes, que se dane quem atirou a primeira pedra. Tudo isso está acontecendo por que Israel não conhece mais limites às suas ações. Faz o que faz porque sabe que ninguém vai repreender, como uma criança mimada. Fazendo uma analogia com o taoísmo, há um claro desequilíbrio de Yin e Yang aqui nesta situação.
Eu tenho o direito de ficar indignado quando a polícia brasileira atira primeiro e pergunta depois, para descobrir que matou uma pessoa inocente. Sobra um pedido de desculpa esfarrapado para as vítimas. Porque eu não posso ficar indignado quando um exército inteiro mata centenas de inocentes com a desculpa de manter a lei e a ordem num território que nem é o deles.
Israel não está ameaçado, em última análise, pelos árabes em si. Está ameaçado pela sua própria destruição moral, pelos recorrentes recursos à força, pela fascistização de sua sociedade que não conhece argumento melhor que uma Uzi de carregador cheio.
É mais fácil ser um pacifista completo, do tipo que abraça árvore, quando a gente imagina uma guerra onde, por mais assimétrica que seja, somente marmanjos com cara de mau lutam. Não importa se um dos caras tem kevlar cobrindo cada centímetro de pele e o outro tem mal e mal um fuzil com as balas contadas no carregador.
Os israelenses deram hoje uma mostra do quão baixo desceram da Segunda Guerra até agora, do quanto se "esforçaram" para perder a razão que tinham ao sobreviverem ao Holocausto. Eu já havia percebido isso com a frieza de analista político em outros confrontos, ou seja, distante, hermeticamente preso a uma definição de livros.
Não mais.
Durante a ofensiva terrestre na Faixa de Gaza, hoje, tanques de guerra e aeronaves israelenses destruíram duas escolas das Nações Unidas, com dísticos bem visíveis, e onde civis se abrigavam. Imagino a cena desesperadora dos tanques, enormes e impessoais, virando suas torretas na direção dos prédios e apontando seus telêmetros laser para o interior da estrutura. Os projéteis de 120 mm atingindo as paredes. Finalizando, um míssil mergulhando do céu numa trilha de fumaça, reduzindo tudo a escombros.
Que se dane se o Hamas está usando civis como escudos humanos. Que se dane se eles dispararam foguetes, que se dane quem atirou a primeira pedra. Tudo isso está acontecendo por que Israel não conhece mais limites às suas ações. Faz o que faz porque sabe que ninguém vai repreender, como uma criança mimada. Fazendo uma analogia com o taoísmo, há um claro desequilíbrio de Yin e Yang aqui nesta situação.
Eu tenho o direito de ficar indignado quando a polícia brasileira atira primeiro e pergunta depois, para descobrir que matou uma pessoa inocente. Sobra um pedido de desculpa esfarrapado para as vítimas. Porque eu não posso ficar indignado quando um exército inteiro mata centenas de inocentes com a desculpa de manter a lei e a ordem num território que nem é o deles.
Israel não está ameaçado, em última análise, pelos árabes em si. Está ameaçado pela sua própria destruição moral, pelos recorrentes recursos à força, pela fascistização de sua sociedade que não conhece argumento melhor que uma Uzi de carregador cheio.
Ingredientes:
política,
relações humanas,
relações internacionais
1 de janeiro de 2009
Tocando O Terror, Nova Temporada
(em primeiro lugar, feliz 2009 a todos)
Como se sabe, desde o final de dezembro o governo israelense vem realizando ataques contra a população e o governo palestinos na Faixa de Gaza, com a razão de retaliar ataques efetuados pelo partido Hamas, que virtualmente controla toda a população naquela tripa de terra espremida entre dois países politicamente poderosos (o outro é o Egito) e o Mediterrâneo.
Até aí, tudo bem. Todo país tem direito à defesa de sua integridade territorial e à integridade de seus cidadãos. Mas uma análise minunciosa dos fatos e dos números muito provavelmente retira de Israel o privilégio de ser o Estado defensor dessa história:
1) Os primeiros ataques por parte do Hamas foram feitos com a alegação de que a parte israelense desrespeitou um acordo de cessar-fogo que encerrou-se no último dia 19. O acordo rezava que as partes se abstinham de realizar ataques de caráter militar e liberar o acesso à Faixa de Gaza, por terra, mar e ar, de alimentos, material de construção e remédios. A julgar pela situação humanitária na Gaza pré-ataque, parece que o Hamas estava certo nessa;
2) O Hamas iniciou os ataques contra Israel usando sua arma tradicional: os foguetes Qassam. Tratam-se de projéteis de artilharia rudimentares e sem nenhuma capacidade de se guiarem até os alvos, a não ser pelo cálculo matemático da trajetória na ocasião do lançamento. Seu alcance máximo é de 10 km. No entanto, Israel tem à sua disposição uma força aérea com cerca de 350 aviões de combate modernos, uma marinha com 6 corvetas armadas com mísseis e canhões, além de dezenas de barcos patrulha, fora os avançados sistemas de artilharia, por obuses e foguetes. Aparentemente eles estão usando tudo nesta ação militar;
3) A disparidade entre as forças em combate se traduz no saldo de mortos: 410 no lado palestino, 4 do lado israelense. Sem contar os feridos. Além disso, na região de Gaza estão faltando, mais do que antes, medicamentos, alimentos, e, pasmem, câmaras frigoríficas para acondicionar os mortos antes dos funerais.
Há quem diga, depois de toda essa argumentação, que não existe nada de errado na ação israelense.
Como se sabe, desde o final de dezembro o governo israelense vem realizando ataques contra a população e o governo palestinos na Faixa de Gaza, com a razão de retaliar ataques efetuados pelo partido Hamas, que virtualmente controla toda a população naquela tripa de terra espremida entre dois países politicamente poderosos (o outro é o Egito) e o Mediterrâneo.
Até aí, tudo bem. Todo país tem direito à defesa de sua integridade territorial e à integridade de seus cidadãos. Mas uma análise minunciosa dos fatos e dos números muito provavelmente retira de Israel o privilégio de ser o Estado defensor dessa história:
1) Os primeiros ataques por parte do Hamas foram feitos com a alegação de que a parte israelense desrespeitou um acordo de cessar-fogo que encerrou-se no último dia 19. O acordo rezava que as partes se abstinham de realizar ataques de caráter militar e liberar o acesso à Faixa de Gaza, por terra, mar e ar, de alimentos, material de construção e remédios. A julgar pela situação humanitária na Gaza pré-ataque, parece que o Hamas estava certo nessa;
2) O Hamas iniciou os ataques contra Israel usando sua arma tradicional: os foguetes Qassam. Tratam-se de projéteis de artilharia rudimentares e sem nenhuma capacidade de se guiarem até os alvos, a não ser pelo cálculo matemático da trajetória na ocasião do lançamento. Seu alcance máximo é de 10 km. No entanto, Israel tem à sua disposição uma força aérea com cerca de 350 aviões de combate modernos, uma marinha com 6 corvetas armadas com mísseis e canhões, além de dezenas de barcos patrulha, fora os avançados sistemas de artilharia, por obuses e foguetes. Aparentemente eles estão usando tudo nesta ação militar;
3) A disparidade entre as forças em combate se traduz no saldo de mortos: 410 no lado palestino, 4 do lado israelense. Sem contar os feridos. Além disso, na região de Gaza estão faltando, mais do que antes, medicamentos, alimentos, e, pasmem, câmaras frigoríficas para acondicionar os mortos antes dos funerais.
Há quem diga, depois de toda essa argumentação, que não existe nada de errado na ação israelense.
10 de outubro de 2008
Merece Um Post
Eu nem pretendia postar hoje, mas a situação era tão absurda que merecia comer um pouco de html de minha parte. Aparentemente, um engraçadinho colocou a Islândia à venda no E-Bay por menos de R$ 4. Fez questão ainda de frisar que Björk e a Groenlândia não estão incluídas no pacote.
O negócio já está com lances de 39 milhões de reais.
A piada não é totalmente sem noção: com a crise mundial, a Islândia, que via muito de sua prosperidade baseada em bancos, viu-se obrigada a ter de estatizar seus 3 maiores bancos e retirar-se do mercado inglês, o que não deixou o primeiro-ministro Gordon Brown muito satisfeito. Um documento das autoridades financeiras locais autorizou o governo a tomar esse tipo de medida para evitar que o país quebrasse, coisa não muito difícil num pedaço de gelo e rocha vulcânica encravado no meio do Atlântico Norte e que tem a mesma população de Caruaru.
O negócio já está com lances de 39 milhões de reais.
A piada não é totalmente sem noção: com a crise mundial, a Islândia, que via muito de sua prosperidade baseada em bancos, viu-se obrigada a ter de estatizar seus 3 maiores bancos e retirar-se do mercado inglês, o que não deixou o primeiro-ministro Gordon Brown muito satisfeito. Um documento das autoridades financeiras locais autorizou o governo a tomar esse tipo de medida para evitar que o país quebrasse, coisa não muito difícil num pedaço de gelo e rocha vulcânica encravado no meio do Atlântico Norte e que tem a mesma população de Caruaru.
Ingredientes:
economia,
política,
relações internacionais
13 de setembro de 2008
Doidos De Pedra
Esse está prometido pro Alasca
A governadora do Alasca e candidata do Partido Republicano à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, declarou em sua primeira entrevista após ser escolhida para a chapa de John McCain, que declararia guerra à Rússia caso esta realizasse novo ataque contra a Geórgia e caso a Geórgia entrasse na OTAN.
Obviamente, a sra. Palin nunca ouviu falar de uma coisinha que evitou esse tipo de confronto durante toda a Guerra Fria.
6 de setembro de 2008
O Outro Vetor No Binário
(Ok, retornando à vida normal depois do choque da dura realidade...)
Notícias de um diário venezuelano, clipadas pelos malucos do Defesa@Net, dão conta de que em novembro próximo o governo de Chávez receberá em seus portos uma força-tarefa anfíbia da marinha russa. Coincidentemente, a recém-criada IV Frota norte-americana passará por Colômbia e Panamá ao mesmo tempo. Parece ser mais um capítulo da novela (escrita mais pelo presidente venezuelano que por Dmitriy Medvedev) de amizade entre os dois países, com final incerto ainda.
Há quem diga que os neocons estejam pressionando a Rússia com o objetivo de, em algum momento, conseguir uma vitória militar sobre os mesmos, independente das conseqüências que isso poderá trazer para o resto do mundo. Já Chávez também parece estar disposto a ver o circo pegar fogo, muito embora eu ainda acredite (espero!) que ele esteja fazendo mise-en-scene para seus admiradores no seu país e na América Latina.
Notícias de um diário venezuelano, clipadas pelos malucos do Defesa@Net, dão conta de que em novembro próximo o governo de Chávez receberá em seus portos uma força-tarefa anfíbia da marinha russa. Coincidentemente, a recém-criada IV Frota norte-americana passará por Colômbia e Panamá ao mesmo tempo. Parece ser mais um capítulo da novela (escrita mais pelo presidente venezuelano que por Dmitriy Medvedev) de amizade entre os dois países, com final incerto ainda.
Há quem diga que os neocons estejam pressionando a Rússia com o objetivo de, em algum momento, conseguir uma vitória militar sobre os mesmos, independente das conseqüências que isso poderá trazer para o resto do mundo. Já Chávez também parece estar disposto a ver o circo pegar fogo, muito embora eu ainda acredite (espero!) que ele esteja fazendo mise-en-scene para seus admiradores no seu país e na América Latina.
26 de agosto de 2008
Refresco
A Rússia reconheceu, hoje, a independência das regiões separatistas georgianas da Abkházia e Ossétia do Sul. Como era de se esperar, choveram protestos do mundo ocidental e de seus aliados, vendo a situação como um claro desrespeito ao direito internacional e à integridade territorial da Geórgia. Pessimistas (não por acaso realistas em termos de R.I.) dizem que este é só o começo da próxima temporada de tensões e ameaças partindo dos dois lados do Atlântico, restaurando de vez a Guerra Fria.
Ficando apenas no evento das regiões pró-Rússia da Geórgia e da região pró-ocidente da Sérvia (leia-se Kossovo) não deixa de ser interessante o quanto dois pesos e duas medidas vêm sendo aplicados, tornando o futuro do direito internacional sombrio pra dizer o mínimo. Separatismo no traseiro dos outros é refresco.
Ficando apenas no evento das regiões pró-Rússia da Geórgia e da região pró-ocidente da Sérvia (leia-se Kossovo) não deixa de ser interessante o quanto dois pesos e duas medidas vêm sendo aplicados, tornando o futuro do direito internacional sombrio pra dizer o mínimo. Separatismo no traseiro dos outros é refresco.
12 de agosto de 2008
Uh-Oh!
Está atrasado.
Frase do momento:
"If it looks like shit, smells like shit, and even feels like shit, why on hell I'd call it Chanel Numéro 5?".
* * *
Tem dois motivos para fazer um post com esse título e esse feeling, mas vamos nos ater ao segundo.
* * *
O fato é que, num belo dia, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, acordou de ovo virado e decidiu acabar com a putaria que eram as forças de paz que a Rússia mantinha na Ossétia do Sul, com o objetivo de impedir que o exército da Geórgia reintegrasse a província na marra. O problema é que ninguém provoca o terceiro maior exército do mundo e sai da situação com um "elas-por-elas". Bastou uma campanha de 6 dias para que as forças armadas georgianas ficassem reduzidas a metal retorcido, e que o governo ficasse sem a Ossétia do Sul, a Abkházia, e com uma ameaça de reintegração forçada ao território russo.
Saakashvili foi vítima, aparentemente, de uma boca maior que o juízo, já que eu prefiro acreditar na hipótese de que ele imaginava que os EUA e a OTAN viessem a cavalo ajudá-lo no seu intento. Não deu certo e a Rússia está tocando o terror lá dentro. O problema é que, com a continuação e ampliação do conflito, parece que a coisa agora pode realmente envolver o "mundo livre ocidental". Aí o nosso querido Misha vai entrar pra história, de fato - como o cara que iniciou um conflito que devastou meio mundo. Ou ele inteiro.
27 de junho de 2008
O Jogo Perigoso de Robert Mugabe
Como um bocado de gente aqui sabe, muito provavelmente buzinado pela grande mídia internacional, o concorrente ao segundo turno das eleições presidenciais no Zimbábue, Morgan Tsvangirai, deixou o pleito em meio a uma onda de violência provocada pelas forças governamentais, a poucos dias das eleições. O atual presidente e candidato à reeleição, Robert Mugabe, manterá a votação deste final de semana, mesmo sabendo que é o único candidato.
Mugabe está no poder desde a efetiva libertação do país, em 1982. Anteriormente conhecido como Rodésia, o Zimbábue foi governado de 1965 a 1979 por um governo de supremacia branca semelhante ao apartheid sul-africano, condenado pela Inglaterra (que ainda via a Rodésia como sua colônia) e pela maioria negra do país, que se juntou em diversos movimentos de resistência armada, sendo o mais importante o Zanu-PF, liderado pelo anteriormente citado.
Após um período de transição e a efetiva tomada do poder, Mugabe instaurou um governo controverso que ganhou a rejeição da URSS (ainda que se dizendo "de esquerda"), mas conseguiu o apoio da China e da Coréia do Norte. De lá pra cá, Mugabe vem se reelegendo em pleitos "democráticos" e sufocado toda e qualquer iniciativa de oposição. O caso mais recente foi agora, e tudo indica que alguma manobra política conseguirá garantir a validade da eleição, mesmo que a maioria dos votantes anule a sua cédula.
Eis um dos casos que mais torcem a minha cabeça em Relações Internacionais. É evidente que Mugabe é um canalha, mas daí a justificar uma intervenção externa vai um longo caminho. Acho que ninguém aqui é inocente de acreditar que uma campanha militar liderada por quem quer que seja vai melhorar a situação dos zimbabuenses, até porque o principal candidato a tal medida, o Ocidente, é responsável em grande medida pela desgraça humanitária que hoje é o continente africano.
Mas fica a pergunta no ar: é justo que algum país realize um movimento bélico com o intuito de retirar Mugabe do poder? Ou se estourar uma revolução no país para removê-lo do palácio presidencial, é justo que alguma nação envie armas caso seja contatado?
Mugabe está no poder desde a efetiva libertação do país, em 1982. Anteriormente conhecido como Rodésia, o Zimbábue foi governado de 1965 a 1979 por um governo de supremacia branca semelhante ao apartheid sul-africano, condenado pela Inglaterra (que ainda via a Rodésia como sua colônia) e pela maioria negra do país, que se juntou em diversos movimentos de resistência armada, sendo o mais importante o Zanu-PF, liderado pelo anteriormente citado.
Após um período de transição e a efetiva tomada do poder, Mugabe instaurou um governo controverso que ganhou a rejeição da URSS (ainda que se dizendo "de esquerda"), mas conseguiu o apoio da China e da Coréia do Norte. De lá pra cá, Mugabe vem se reelegendo em pleitos "democráticos" e sufocado toda e qualquer iniciativa de oposição. O caso mais recente foi agora, e tudo indica que alguma manobra política conseguirá garantir a validade da eleição, mesmo que a maioria dos votantes anule a sua cédula.
Eis um dos casos que mais torcem a minha cabeça em Relações Internacionais. É evidente que Mugabe é um canalha, mas daí a justificar uma intervenção externa vai um longo caminho. Acho que ninguém aqui é inocente de acreditar que uma campanha militar liderada por quem quer que seja vai melhorar a situação dos zimbabuenses, até porque o principal candidato a tal medida, o Ocidente, é responsável em grande medida pela desgraça humanitária que hoje é o continente africano.
Mas fica a pergunta no ar: é justo que algum país realize um movimento bélico com o intuito de retirar Mugabe do poder? Ou se estourar uma revolução no país para removê-lo do palácio presidencial, é justo que alguma nação envie armas caso seja contatado?
28 de abril de 2008
Je Vous Émmene Mes Souvenirs, Cumpanhêro
Enquanto o Hermenauta publica, e com razão, os feitos do atual presidente em termos de popularidade em tempos de cartão corporativo e dossiê na Casa Civil, um certo presidente europeu anda às voltas com sua popularidade chez lui. Do Libération:
"Pesquisa: Sarkozy bate récorde de opiniões negativas
Segundo uma sondagem do BVA (instituto de pesquisas local) realizada antes de sua aparição televisiva, o presidente obteve em abril 64% de avaliações negativas (acréscimo de 9% em relação à pesquisa anterior). É a rejeição "mais elevada já registrada" pelo instituto desde a criação de seu índice de aprovação para o Executivo em 1981"
Acordo armamentista? Parceria entre União Européia e Mercosul? Busca de áreas de influência para uma possível expansão do imperialismo francês?
Nada disso. Sarkô anda mais interessado em aprender o segredo da popularidade de M. Lulá.
"Pesquisa: Sarkozy bate récorde de opiniões negativas
Segundo uma sondagem do BVA (instituto de pesquisas local) realizada antes de sua aparição televisiva, o presidente obteve em abril 64% de avaliações negativas (acréscimo de 9% em relação à pesquisa anterior). É a rejeição "mais elevada já registrada" pelo instituto desde a criação de seu índice de aprovação para o Executivo em 1981"
Acordo armamentista? Parceria entre União Européia e Mercosul? Busca de áreas de influência para uma possível expansão do imperialismo francês?
Nada disso. Sarkô anda mais interessado em aprender o segredo da popularidade de M. Lulá.
Ingredientes:
jornalismo,
política,
relações internacionais
24 de março de 2008
Marcas Atingidas
No Le Monde, hoje:
"4000 soldados americanos foram mortos no Iraque desde 20 de março de 2003
Depois da morte de 4 soldados após um ataque em Bagdá, o número de militares americanos mortos desde o início da guerra no Iraque atingiu, no domingo, 23 de março, a marca simbólica de 4 mil mortos, 5 anos após o início da intervenção dos Estados Unidos no país."
O governante em exercício de lá de cima continua com apoio da população mesmo depois de 4 mil mortos. Nos tempos do Vietnã, a essa altura do campeonato, já tinha gente lotando Washington.
Eu desisto de entender o país e resto meu caso.
"4000 soldados americanos foram mortos no Iraque desde 20 de março de 2003
Depois da morte de 4 soldados após um ataque em Bagdá, o número de militares americanos mortos desde o início da guerra no Iraque atingiu, no domingo, 23 de março, a marca simbólica de 4 mil mortos, 5 anos após o início da intervenção dos Estados Unidos no país."
O governante em exercício de lá de cima continua com apoio da população mesmo depois de 4 mil mortos. Nos tempos do Vietnã, a essa altura do campeonato, já tinha gente lotando Washington.
Eu desisto de entender o país e resto meu caso.
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