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4 de janeiro de 2010

Iniciando 2010

A estação das chuvas aqui, na escarpa oeste da Serra da Borborema, começou agora em dezembro. Isso é bom sinal. O mesmo ocorre em todo o sertão pernambucano.

* * *

Há quem fale que a política econômica de Serra é a mesma de Dilma, pelo fato de ambos terem formação marcadamente nacional-desenvolvimentista. Serra, inclusive, tem passagem pela CEPAL, o principal centro desta ideologia econômica do mundo.

O fiel da balança, no entanto, está na política econômica de cada um. Dilma pode gabar-se de ter ao seu lado gente como Guido Mantega, com quem partilha da mesma escola neste sentido. Já Serra, bem, tem todo o aparato tucano ao seu lado e as pressões dos industriais e banqueiros paulistas, neoliberais até dizer chega. O que não deixa de ser paradoxal no caso do setor produtivo, já que trata-se dos que mais recebem benesses do Estado quando um nacional-desenvolvimentista está lá no Planalto. A única explicação que consigo encontrar é que os mesmos devem ficar salivando ao ouvir falar de privatização.

De toda forma, eu não vou pagar pra ver se Serra vai ou não ser um mecenas do Estado forte. O preço da aposta é alto demais.

6 de dezembro de 2009

Explicando O Sumiço

Este blog está em suspensão ao menos até o dia 21 de dezembro. Motivo: dois leões para matar nos próximos finais de semana.

Me desejem sorte.

3 de novembro de 2009

Impressões Ao Assistir: "Confissões De Uma Garota De Programa"






















Confesso que o fator maior que me fez assistir o filme foi o cartaz. É simplesmente lindo, bem como a fotografia dos frames dentro da película em si. A tagline é hilária (See it with someone you ****), mas verdade seja dita, tem pouco a ver com a linha geral dele. Pra variar, cagaram na tradução do título para o português.

A crítica americana meteu o pau no filme, mas pelo que eu pude ver eles subestimaram um bom trabalho. Vejam bem, eu disse um bom trabalho. Não é nada impressionante, nada que vá mudar a sua vida. Eu diria que o que o diretor (Steve Soderbergh) fez foi fazer uma crônica de um determinado momento histórico, sem maiores pretensões. No que se propôs, foi um bom feijão-com-arroz.

O filme teria tudo para transformar-se em um motivo para colocar pornografia na tela: a história, a personagem, e até mesmo a atriz - Sasha Grey é atriz pornô, e muito bem conceituada no ramo. Mas as cenas de sexo são extremamente sutis, para não dizer casuais. A nudez da moça no início do filme é transformada em algo banal, porém não vulgar. Digamos que ela está muito bem à vontade desta forma, de maneira positiva.

(Mais um comentário entre parênteses: se não tivesse visto filmes da atividade principal de Grey, diria que ela era no máximo modelo fotográfica, já que foge do estereótipo de peitões do cinema pornô americano; é uma típica girl next door).

Insisto que o filme é uma crônica de um momento histórico vista pelos olhos de uma cidadã comum porque, no final das contas, as duas narrativas - a profissão de Chelsey, a personagem principal, e o pano de fundo histórico - se misturam, mas ao mesmo tempo correm de forma perfeitamente discernível. Em todos os momentos a crise econômica americana e sua influência na eleição presidencial de lá da Gringolândia, agora em 2008, está presente na tela. Ao mesmo tempo, o trabalho de Chelsey como uma consorte de luxo (que promete aos clientes uma girlfriend experience, daí o título do filme em inglês) também está em cada minuto.

Um dos principais motivos pelos quais o filme levou resenhas meia-boca foi justificado com a falta de envolvimento emocional com os personagens. Pessoalmente, achei dispensável tal necessidade. Acredito eu que a intenção de Soderbergh foi, mais uma vez, realizar uma crônica de seu tempo sob o ponto de vista de uma pessoa comum - e sim, Chelsey é uma pessoa comum, muito embora ela não atue em uma profissão exatamente muito ortodoxa. Para que se entenda o ponto de vista dela, não é necessário que você já tenha saído por aí trocando serviços sexuais (e principalmente sentimentais, no caso dela) por dinheiro.

No entanto, o filme em determinados momentos chega a ser monótono. Nesse ponto, acho que Soderbergh errou, ao esticar muito uma ideia que, acredito eu, ficaria muito melhor em um curta de 15 minutos. Em determinados momentos a narrativa se repete até a exaustão. Alguém poderia ter dito que nós poderíamos muito bem ter entendido o argumento dele logo na primeira ou segunda vez. Como toda crônica, fica muito bem em 1/3 da página do jornal. Mais que isso, vira masturbação intelectual.

7 de setembro de 2009

7 de Setembro: Milicos Ganham Brinquedos Novos

Como se sabe, Brasil e França assinaram um acordo militar bilionário neste 7 de Setembro, envolvendo a compra de 4 submarinos convencionais da classe Scorpène, assistência técnica para a construção do casco de um submarino nuclear de 6 mil toneladas de deslocamento aqui no Brasil, e a construção de 50 helicópteros pesados na fábrica da Helibrás em Itajubá, MG. Ao mesmo tempo, Lula e Sarko-kô meio que deixam acertada a aquisição de 36 aviões de caça Rafale, nas versões B (biplace) e C (chasseur), bem como o referido processo de transferência tecnológica para empresas brasileiras - inclusive a Embraer, que montará o avião por aqui. Concretizado o acordo, a França também considerará seriamente a compra de 12 aeronaves KC-390 da firma do ABC paulista, destinados ao transporte (19 toneladas) e reabastecimento de aeronaves em vôo.

Algumas coisinhas:

- A aquisição de novos armamentos é um procedimento normal para qualquer país que mantenha um exército regular (e até aqueles que não o tem, como a Suíça). O papel internacional do Brasil também mudou, expandindo-se. Mas a construção do submarino nuclear nada mais é que os nossos almirantes com complexo de pau pequeno, já que as funções que serão desempenhadas por ele poderiam ser feitas, e até com mais eficácia, por submarinos convencionais ou com tecnologia de propulsão independente de ar - tecnologia disponível, inclusive, em uma das versões do submarino Scorpène;

- Contrapartidas comerciais na aquisição de equipamentos desse tipo são relativamente normais, mas o que impressiona é o fato de que os franceses irão adquirir os 12 aviões KC-390, tendo projetos para a fabricação de 2 modelos de aeronaves para as mesmas funções.

Os milicos, claro, estão felizes. Mas ninguém está mais feliz que o establishment bélico francês. A ver os resultados.

23 de agosto de 2009

Que Fazer

Meus olhos brilharam quando soube da notícia: A UFPE, em parceria com a SUDENE, começou neste semestre um novo programa de pós-graduação. Serão oferecidas 45 vagas anuais para o mestrado em Gestão Pública Para o Desenvolvimento do Nordeste. Minhas mãos estão coçando tanto para escrever um projeto que eu nem sei por onde começar. Ou melhor, sei: como fixar o habitante de distritos, povoados e vilas da zona rural das cidades nordestinas em seus locais de origem, sem precisar recorrer a um êxodo às sedes do município, ou mesmo sair para outras regiões?

Tá na hora de incorporar o espírito de Celso Furtado, Josué de Castro, Milton Santos, Caio Prado Jr....

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UPDATE 2: Quem é H. W.?

11 de julho de 2009

Week Review

Em primeiro lugar, como, como alguém em sã consciência tira dois alas de um time que está empatado em 0 x 0, hã? O próximo erro não deveria ser perdoado.

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Nós já tivemos nossa dose de nonsense para esta semana. Foi impressionante o quanto conseguiram espetacularizar o enterro de Michael Jackson. De início, já foi um absurdo terem vendido ingressos para um enterro: em qualquer lugar do mundo isso seria uma piada. Mas fizeram, nunca se pode deixar de duvidar da capacidade que os americanos têm de transformar algo em dinheiro. Mas o show para o caixão laminado em metal (era ouro?) foi o cúmulo da cafonice. Um musical satírico da Broadway não seria tão patético.

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A GM saiu da recuperação judicial, embora a maior parte das ações continuem, como uma boa empresa comunista, nas mãos dos governos americano, canadense, e do sindicato dos trabalhadores da indústria automotiva dos EUA. Mas a pergunta que não quer calar é: eles vão continuar contribuindo para que a orla do bairro de Boa Viagem, em Recife, passe a ser no bairro da Várzea? (dica: Googleearth it)

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E falando em meio ambiente, este está sendo um dos invernos mais quentes que já vi.

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Teve a história do traseiro da menina que chamou a atenção de Obama e Sarkô. Acho que o negão tirou uma casquinha mesmo. Mas o mandatário francês e narigudo não tem desculpa: quem tem Carla Bruni em casa não deveria sentir vontade de olhar pra mais nada.

7 de abril de 2009

A F-1 Que Não Volta Mais

Quem quer que tenha um pouco de graxa nas juntas e energia nas baterias (eu sou ecologicamente correto), deve ter se ligado no sucesso que a Brawn GP anda fazendo na Fórmula 1. Basicamente, eles estão passando por uma ressurreição depois do furacão da crise econômica e do fim da participação da Honda na categoria. Hoje em dia, com um carro avançado desenvolvido de forma praticamente independente e um motor de vergonha na cara (Mercedes), eles estão superando todas as expectativas, conquistando duas vitórias em 2 GP's.

A Brawn nos faz lembrar de uma época na qual se fazia o "monoposto de autor". Antes da década de 90, raramente se ouvia falar em equipe de fábrica de automóveis, mas sim em fornecedores de motores. Das notáveis exceções que me recordo, estão a Alfa Romeo, Renault, Ferrari e a própria Honda, que correu na década de 60 com bonitinhos carros nas cores de competição do Japão. A mágica mesmo era feita pelos construtores, como Frank Williams, Jack Brabham e Ken Tyrrell. Hoje em dia, vale (ou valia) o dinheiro das megacorporações.

Outra coisa que deixa saudade e que duvido muito que volte são os clássicos circuitos da F-1 de antanho. Eu já me queixei diversas vezes disso e alguns colegas meus já torceram o nariz. Mas eu gostaria de ver algo mais familiar e com mais história do que as abominações que são os GP's do Bahrain e de Abu Dhabi. É inaceitável ver que corridas tradicionais como as da França e do Canadá voaram no pau, na busca desenfreada de grana encabeçada por Max Mosley e Bernie Ecclestone.

Dos antigos circuitos, eu concedo que pelo menos uns 3 não teriam condições de voltar: Anderstorp, na Suécia, está atrasadíssimo; Brands' Hatch, na Inglaterra, é razoavelmente moderno, mas o traçado não comporta mais carros de F-1; finalmente, Jacarépaguá ainda teria um enorme potencial, não fosse a terrível má vontade da CBA e dos governos do Rio (embora Interlagos seja hoje a meca do automobilismo nacional, indiscutivelmente). Mas ver Estoril, Paul Ricard, Montréal, Zandvoort e Bueños Aires de fora é de doer.

Eu concedo que, dada a força econômica de hoje em dia, cada BRIC deveria ter um circuito. Parece que estão fazendo uns bons na Rússia e na Índia. Talvez na China eles devessem tirar a competição de Xangai e colocar no circuito de rua de Macau. Fica a idéia.

13 de janeiro de 2009

Drops Da Mudança, USA E Mundo

Não deixa de ser irônico: a pianista que vai tocar na posse de Obama é uma venezuelana. Antes que digam que ela é uma refugiada da ditadura chavista, aviso logo: ela mora lá na Gringolândia desde 1980.

* * *

Não fosse suficiente a Chevrolet, caindo pelas taperas, lançar uma última cartada de um veículo tipo combustão/elétrico (ou seja, onde se pode rodar algumas dezenas de quilômetros só na bateria e o resto da viagem com um gerador flex) pra tentar se salvar, a Cadillac usa a plataforma da empresa mãe e lança um veículo de luxo ecologicamente "correto".

Parece que não vai adiantar muito: a GM já anunciou que vai se desfazer da SAAB por qualquer mil-réis. A Ford também quer se livrar da também sueca Volvo. Tivesse grana eu compraria as duas, embora ficasse um tanto bizarro juntar duas marcas rivais. Mas faria isso só pelo prazer de colocar a SAAB de volta nos ralis e a Volvo de volta nos GT's.

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Parece que o único canto em que a mudança vai chegar vai ser Israel, e isso por conta do presidente da mudança. Não é fácil brigar com um lobby pró-sionista, mesmo com boa vontade. Pior para os israelenses.

8 de janeiro de 2009

Um Pouco De Felicidade

Este blogueiro foi aprovado em 1º lugar em um concurso público federal e, muito provavelmente, ainda neste 1º semestre deverá mudar-se para uma capital do sul do país.

28 de outubro de 2008

Cegueira Do Mercado

O único usuário da última flor do Lácio a deter um prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, não perde a chance de alfinetar o mercado, os liberais e a direita, como bom marxista que é. Em entrevista coletiva para o lançamento da versão cinematográfica do livro "Ensaio Sobre a Cegueira", Saramago criticou o uso do dinheiro para salvar instituições financeiras, e não para resolver graves problema sociais ao redor do mundo.

Cá pra nós, eu sempre soube que a esquerda portuguesa tivesse uma quedinha por Stalin. Saramago, no entanto, adota posturas que geralmente vão de encontro ao modelo de socialismo real e declarou que havia rompido com Cuba. Posso estar errado, mas parece que o velho tuga é uma voz destoante em seu próprio país. Pro nosso bem, diria.

13 de outubro de 2008

Coroando Uma Era

Paul Krugman recebeu o Prêmio Nobel de Economia deste ano. Parece que os liberais estão em franco declínio.

10 de outubro de 2008

Merece Um Post

Eu nem pretendia postar hoje, mas a situação era tão absurda que merecia comer um pouco de html de minha parte. Aparentemente, um engraçadinho colocou a Islândia à venda no E-Bay por menos de R$ 4. Fez questão ainda de frisar que Björk e a Groenlândia não estão incluídas no pacote.
O negócio já está com lances de 39 milhões de reais.

A piada não é totalmente sem noção: com a crise mundial, a Islândia, que via muito de sua prosperidade baseada em bancos, viu-se obrigada a ter de estatizar seus 3 maiores bancos e retirar-se do mercado inglês, o que não deixou o primeiro-ministro Gordon Brown muito satisfeito. Um documento das autoridades financeiras locais autorizou o governo a tomar esse tipo de medida para evitar que o país quebrasse, coisa não muito difícil num pedaço de gelo e rocha vulcânica encravado no meio do Atlântico Norte e que tem a mesma população de Caruaru.

19 de setembro de 2008

O Inédito Retorno

Raras vezes eu vi uma marca de automóveis que, por algum motivo, separou-se de sua matriz, retornar ao antigo controle acionário. Também raras vezes eu vi um negócio de tanto vulto ser feito em uma situação de crise, muito embora os preços dos papéis da empresa em questão provavelmente estivessem lá embaixo. E tão poucas vezes eu vi isso acontecer de uma maneira tão simbólica.

Mas isso tudo aconteceu, hoje.

A Porsche, fundada pelo doutor engenheiro Ferdinand Porsche, comprou a Volkswagen, também fundada pelo doutor engenheiro Ferdinand Porsche. Para quem não sabe, qualquer semelhança entre os superesportivos e o Fusca não é mera coincidência. Eles, os de Stuttgart, estão prontos para oferecer também uma oferta sobre a marca Audi, controlada por aqueles, os de Wolfsburg. Não custa nada sonhar com os frutos que esta parceria pode render.

17 de setembro de 2008

Liberalismo E Liberalismo Americano

Como se sabe, a crise do subprime fez novas vítimas nos EUA e jogou diversas bolsas de valores (incluindo a de São Paulo) lá embaixo. Há quem diga que as coisas estão no mesmo nível do crack de 1929.

Eu vou deixar os comentários técnicos para quem entende do assunto. Por sinal, ele está dando show de bola e pode explicar melhor do que eu. Mas eu não posso deixar de dar meus dois tostões sobre o assunto, e vou fazê-lo de maneira bem sintética: liberalismo no rabo dos outros é refresco.

15 de julho de 2008

Ainda Daniel Dantas

Os brasileiros sentiram nesta terça-feira o cheiro mais forte da pizza no forno: a equipe de delegados encarregada do caso, chefiada por Protógenes Queiroz, acaba de ser convenientemente afastada do caso Dantas-Nahas-Pitta para realizar um "curso de capacitação" obrigatório. Acho que está mais do que na cara que eles estavam incomodando muita gente.

É importante que tenhamos em mente duas coisas: a primeira é a de que a população não pode ficar simplesmente de mãos abanando em relação a tantos desmandos que põem em risco a integridade das instituições no Brasil, se é que as mesmas não merecem um abalo ou a completa destruição para que algo novo e melhor surja no lugar. A segunda é a de que, mesmo que tenham descaradamente favorecido o processo em prol do grupo de Dantas, a sua meteórica prisão é um indício de que os tempos neste país estão mudando. Fosse alguns anos atrás, Dantas estaria fazendo uma aparição sorridente na capa da revista Exame como um dos "notáveis" no mundo dos negócios do Brasil. Isto é, se isso já não ocorreu de fato.

11 de julho de 2008

Update

O empresário Eike Batista, aquele mesmo que levou um par de chifres de Luma de Oliveira com um bombeiro que ganha provavelmente um milésimo do que ele ganha em um mês, está sendo investigado pela Polícia Federal por irregularidades na operação de uma estrada de ferro e de uma jazida de ouro no Amapá.

Run to the hills.

17 de junho de 2008

Retirando a Poeira

Tá, eu sei que sou um puto em deixar meus blogs dias a fio sem uma única atualização. Os outros 3 blogs antigos que o digam. Mas eu sempre volto. Ou não.

* * *

E quem diria, a Matemática e seus diversos ramos ainda iriam me dar uma chance de salvar minha pele da vagabundagem, e em grande estilo. Os deuses devem estar loucos, ou pelo menos rindo da minha cara.

O Ministério da Fazenda encaminhou um pedido aos seus compadres do Planejamento para realização de um concurso para auditores fiscais. A previsão é de mil vagas, mas até 2012 é possível que mais mil sejam chamados.

Eu comecei a estudar agora em junho para o bendito concurso. Até aí beleza, mas a matéria era algo de fazer qualquer jornalista cair pra trás: muita Matemática Financeira, Estatística Básica, e Contabilidade Geral. Somatórios, juros, descontos, cálculo de financiamento, logaritmos neperianos, funções estatísticas, símbolos bizarros, números, números, números.

Desesperador. Mas aí eu vejo o salário com todos os adicionais (15 mil), a possibilidade de trabalhar no serviço público em um escalão mais alto (e com todo o poder decisório que isso implica) e a enorme ajuda que meu pai está dando para entender o assunto.

Aí eu tenho forças para respirar fundo, encarar e em alguns casos até gostar de algumas partes do assunto. Aí o lápis e a borracha trabalham em cima dos cadernos.

17 de maio de 2008

Cuca Fresca

Minha definição de Plano B:

- O primeiro passo é arranjar uma fonte de renda estável para me sustentar, já que até meus pais reconhecem que já chegou a hora de arranjar uma grana para ao menos sair de casa. Uma resposta para este problema diz respeito aos 7 concursos para jornalista que devem rolar nos próximos 6 a 12 meses. Além disso, ainda existe a possibilidade de convocação para o concurso do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Considerando todas as possibilidades, e o quanto eu estou estudando, ainda tenho boas chances de sair com a carteira assinada nos próximos meses;

- Com este plano em mente, o Inst. Rio Branco passa a segundo plano, até porque depois de tanta surra nos últimos 4 anos, muito do conhecimento já foi interiorizado. A rotina de estudos pode diminuir por se tratar de uma grande revisão, passando para 3 horas diárias, com uma ênfase especial em aspectos de redação, o que me tirou no concurso deste ano;

- Em caso de não-aprovação em 2009, até porque existe uma possibilidade de as vagas reduzirem mais uma vez, entra em ação o plano C, e um possível plano C1: considerando uma possibilidade de aprovação em concurso público, para qualquer cidade que eu vá vou ter acesso a um razoável programa de pós-graduação. Me engajo, de início, em pesquisa livre e voluntária com algum professor e faço alguma seleção de mestrado em Ciência Política ou Comunicação Social. Considerando aprovação, pesquisa bem sucedida e manutenção do cargo público (e quem sabe até juntando um dinheirinho), nisso vão se passar uns 3 anos. Com a experiência de trabalho comprovada, uma boa nota no IELTS ou no DELF e agindo rápido antes dos 29 anos, fico elegível para imigração qualificada para a Austrália ou o Canadá (no caso do último, mais especificamente Québec).

Se me esforçar, dá pra conseguir um ou outro objetivo acima.

19 de janeiro de 2008

...Mas Não Perde A Pose

O passatempo preferido de velhos ricos - ou novos pobres - é falar com profunda nostalgia dos tempos de fausto. Por mais que consigam manter alguns bons tostões na conta bancária, nunca, para a sua infelicidade, os tais aristocratas vão se igualar em nível de verdinhas aos novos ricos. No entanto, estes não possuem a mesma finesse dos referidos detentores de títulos de nobreza, e por isso são motivo de piada. Mas o que acontece quando um nobre falido inventa de querer manter os mesmos costumes de um novo rico?

Matéria do Le Monde Diplomatique fala sobre as novas iniciativas de Sarkozy, o Collor francês, com o intuito de projetar o poder de la République da mesma forma como a dita cuja fazia antes da Primeira Guerra Mundial. A França em si nunca deixou de ter um certo nível de projeção de suas forças militares: não se pode chamar de fraco um país com um porta-aviões nuclear (um segundo em construção), pelo menos quatro submarinos com mísseis balísticos, e uma série de bases em algumas de suas antigas colônias, como o Djibuti e a República Centro-Africana. Mostrou seu hard power na hora de esmagar uma ação de rebeldes na Costa do Marfim e de certa maneira ajudou a proteger o Mali durante uma tentativa de invasão pela Líbia nos anos 80.

Mas agora parece que Sarkozy está tendo devaneios à la americana, o que na verdade não chega a ser nenhuma surpresa. Basta lembrar que ele foi eleito com uma plataforma de governo que incluía um choque de gestão no mesmo estilo do levado a cabo por Thatcher e principalmente Reagan. Sarkozy representou também uma quebra na política externa francesa para os EUA que vinha sendo adotada pela UMP desde os tempos do general De Gaulle, diria até colaboracionista o suficiente para fazer com que o narigudo que achava que não éramos sérios se retorça na sua cova.

Estou falando da iniciativa do presidente francês de instalar uma base militar permanente nos Emirados Árabes Unidos, já há algum tempo um dos principais clientes de material bélico francês na região. A tal base teria capacidade para abrigar não só tropas, mas também fornecer apoio permanente para uma força-tarefa naval francesa no Golfo Pérsico.

Os motivos são óbvios. A tal base ficaria no emirado de Abu Dhabi, pertinho do estreito de Ormuz, o único acesso do Golfo para o mar da Arábia e o Oceano Índico. De lá, ele teria uma casa de veraneio com vista para a costa iraniana. Com este movimento, Sarkozy dá um aviso militar claro para qualquer tentativa iraniana de colocar as mangas de fora - muito embora questione-se a eficácia militar desta iniciativa, vide a estratégia militar americana - e ao mesmo tempo angaria o apoio dos pequenos Estados da região, temerosos de uma aventura militar iraniana na região. Estratégia plausível, muito embora dentro de uma visão de mundo paranóica e militarista.

Mas fica a pergunta no ar: quem vai bancar a aventura? Se você responder o contribuinte francês, que possivelmente veria dinheiro que antes financiava a previdência sendo destinado à compra de fuzis, tanques, navios e caças mais bonitinhos, pode abrir o champanhe e fatiar o camembert para comemorar a sua perspicácia.

14 de janeiro de 2008

Virtude, Ou Não

Eu não peguei o gabarito deste último concurso que fiz, muito mais por uma questão de não ligar muito para o resultado. O que realmente vai decidir a minha vida vai rolar em março, e a inscrição já foi feita. Mas de qualquer jeito não pude deixar de ficar assustado com uma coisa.

Havia uma questão simples, de Economia, o que me deixou surpreso de encontrar em uma prova específica de Comunicação Social. Era realmente simples, tratava dos efeitos de um aumento de demanda sobre um produto agrícola de oferta inelástica em um determinado mercado. Era uma barbada - eu já mencionei que era ridícula - na qual obviamente o preço do produto iria subir horrores.

Mas aí me bateu uma coisa na cabeça. Ora, com uma curva de oferta tão inclinada negativamente como é o caso das inelásticas, então derivando a curva da demanda para a direita, a tendência é que o ponto de equilíbrio de mercado se desloque para baixo nos preços, não é verdade? Então eu marquei todo alegrinho e com ar professoral essa alternativa.

Huh, só que eu troquei as bolas e esqueci que a curva que é inclinada negativamente é a da demanda, não a da oferta.

"Gênio".