Dia desses eu estava falando com um colega meu sobre solteirice e me lembrei imediatamente de um filme francês (do qual não me recordo o nome) que falava sobre os movimentos de maio de 1968 naquele país. Obviamente também falava da liberação sexual da juventude na época, e em uma das cenas um personagem italiano, estudante de intercâmbio na Sorbonne, sobe em uma escultura existente no pátio da universidade e começa a gritar "Io voglio una donna! Io voglio una donna!", para diversão dos colegas que estão lá embaixo.
Não demora a chegar um bedel chato que pergunta o que o dito cujo estava gritando lá de cima (o bedel era francês e não entendia italiano), ao que o estudante responde:
- Eu quero uma mulher. Que há de mal nisso?
E o tal bedel começa a dar uma lição de moral mais chata do que o seu próprio caráter, lição essa que é prontamente ignorada pelo tal estudante, que sai andando junto com a sua turma rindo da situação e soltando de vez em quando um outro "io voglio una donna".
Acho que eu conheço umas duas ou três pessoas que estão chegando nessa situação.
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15 de fevereiro de 2008
23 de janeiro de 2008
Por Ela, Tudo Está Permeado
Um post recente do Rafael Galvão faz referência a uma listagem de filmes que ele considera ser os maiores já feitos, e isso aconteceu já por causa de um post do Luiz Biajoni. Na hora, eu também fiquei com vontade de dar minha opinião, a exemplo do que ocorrera de outra feita por conta de um post sobre animes da senhorita Melissa Panarello. Mas eu tive outra idéia, pensando melhor. E sobre o assunto.
A criação dos blogs, por si só, não significou exatamente muita coisa. Na minha opinião, um blog é simplesmente um antigo diário (ou log, no termo em inglês) em mídia nova. Ou seja, mais do mesmo, guardadas as devidas proporções. Dostoyevski continua a ser Dostoyevski mesmo se estiver em .pdf, e os articulistas da Veja continuam sendo ruins mesmo postando em um blog. Provavelmente isso é mais grave do que se decidissem continuar escrevendo apenas no papel.
Mas a blogoseira é algo diferente. Aqui, estamos tratando de um monte de meios de comunicação de caráter pessoal, em um maior ou menor nível, que volta e meia acabam por provocar uma reação em cadeia de postagens em seus pares. Às vezes tal fenômeno é provocado (uma "associação" de blogs combinam de fazer a tal postagem temática), às vezes é completamente espontâneo.
Em Comunicação, quando mídias começam a pautar suas notícias de acordo com as publicações ou difusões de outros semelhantes, isso se chama agenda setting, ou definição de agenda. Significa que, ainda que exista uma certa independência entre os meios, há uma busca por noticiar aquilo que a "concorrência" também está noticiando com o intuito de "não ficar pra trás" na atualização dos fatos correntes. E atualização, no universo considerado, significa lucros consideráveis.
É certo que, como dizia um professor meu da época da faculdade, blog não é jornalismo, eu não tenho compromisso nenhum com a atualidade dos fatos (e muitos de meus pares também não) e muito menos ganho para escrever ou me manter atualizado - o que ajuda a explicar a recente falta de atualizações diárias. Mas não deixa de ser interessante perceber como determinadas teorias aplicáveis à mass media também podem ser aplicados a um meio tão pequeno e íntimo quanto um blog.
Ou não tão pequeno e íntimo assim quanto a blogosfera.
A criação dos blogs, por si só, não significou exatamente muita coisa. Na minha opinião, um blog é simplesmente um antigo diário (ou log, no termo em inglês) em mídia nova. Ou seja, mais do mesmo, guardadas as devidas proporções. Dostoyevski continua a ser Dostoyevski mesmo se estiver em .pdf, e os articulistas da Veja continuam sendo ruins mesmo postando em um blog. Provavelmente isso é mais grave do que se decidissem continuar escrevendo apenas no papel.
Mas a blogoseira é algo diferente. Aqui, estamos tratando de um monte de meios de comunicação de caráter pessoal, em um maior ou menor nível, que volta e meia acabam por provocar uma reação em cadeia de postagens em seus pares. Às vezes tal fenômeno é provocado (uma "associação" de blogs combinam de fazer a tal postagem temática), às vezes é completamente espontâneo.
Em Comunicação, quando mídias começam a pautar suas notícias de acordo com as publicações ou difusões de outros semelhantes, isso se chama agenda setting, ou definição de agenda. Significa que, ainda que exista uma certa independência entre os meios, há uma busca por noticiar aquilo que a "concorrência" também está noticiando com o intuito de "não ficar pra trás" na atualização dos fatos correntes. E atualização, no universo considerado, significa lucros consideráveis.
É certo que, como dizia um professor meu da época da faculdade, blog não é jornalismo, eu não tenho compromisso nenhum com a atualidade dos fatos (e muitos de meus pares também não) e muito menos ganho para escrever ou me manter atualizado - o que ajuda a explicar a recente falta de atualizações diárias. Mas não deixa de ser interessante perceber como determinadas teorias aplicáveis à mass media também podem ser aplicados a um meio tão pequeno e íntimo quanto um blog.
Ou não tão pequeno e íntimo assim quanto a blogosfera.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
comunicação social,
internet
9 de janeiro de 2008
Não Sou Otaku!
Mas estou aguardando ansiosamente a saga do Elísio de Cavaleiros do Zodíaco (prevista para sair no Japão em março - e por tabela os otakus autênticos brasileiros devem traduzir um mês depois da exibição) e ainda baixei algumas músicas da trilha sonora.
Por sinal, as músicas "recuperação milagrosa pós-surra que Seiya levava" são um ótimo impulso moral para me levar de volta aos livros...
* * *
A postagem neste blog permanecerá intermitente durante as próximas semanas, ou pelo menos enquanto este blogueiro não tira sua permissão para dirigir.
Por sinal, as músicas "recuperação milagrosa pós-surra que Seiya levava" são um ótimo impulso moral para me levar de volta aos livros...
* * *
A postagem neste blog permanecerá intermitente durante as próximas semanas, ou pelo menos enquanto este blogueiro não tira sua permissão para dirigir.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
confeiteiro,
cultura
21 de dezembro de 2007
29 de novembro de 2007
Top 5 Anime
Aquela italiana parece que está numa creativity spree, dado a produção de posts interessantes nesta semana. Ela fez um post recente sobre os melhores animes de sua época, filmes e séries. E comprovou o que eu pensava: italianos e franceses tinham acesso a mais animes legais durante a década de 80 que nós. Eu vou fazer uma listinha, só que como eu não acompanhei muitos animes durante minha vida, eu vou ficar em uma categoria só, e coloco mais um que eu adoraria ver. Aí vai.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
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(pós?)modernidade,
cultura,
literatura
26 de novembro de 2007
E Quando A Gente Procura...
... acha.
Eu era louco para saber quem era uma cafuçuzinha que aparecia dançando em uma das inúmeras vinhetas da MTV. Era o clássico estereótipo da estudante de arquitetura do CAC, uma personagem que sempre me agradou bastante, e ainda continua exercendo seu fascínio sobre esta pessoa. Imagino que deve haver gente que tem fantasias eróticas com aquelas réguas "T", mas, bom, ainda bem que eu sou um menino do interior.
Enfim, e mudando de assunto propositalmente, o fato é que graças a um certo post de uma certa italiana, eu consegui descobri quem era a dita cuja. Trata-se de Cat Power, ou o nome de palco de Charlyn Marshall, classificada como uma das mulheres mais góztosas da história do rock. E com razão, embora ela certamente esteja fora do estilo de uma Debbie Harry (Blondie), Lita Ford (The Runaways) no esplendor do sucesso, Nina Persson (The Cardigans) e talvez aquela que eu ache a mais recente vedete, Reeta-Leena Korhola (Husky Rescue). Enfim, chacun a son goût.
É difícil classificar o estilo dela, pelo que eu ouvi, mas certamente é experimental. E indie também, embora dentro desse enorme guarda-chuva caiba desde Arcade Fire e Weezer, representantes legítimos do nerd rock, até o blasé, ao menos na minha opinião, de coisas como Placebo. Aliás, poucas coisas pra mim são mais representativos de um indie autêntico que uma atitude blasé. Cat Power é assim.
E talvez seja por isso que ela cative tanto. A voz dela é suave, envolvente, mas ela também olha pra você (e isso é potencializado quando ela está com aquele cabelinho na cara, aquela dancinha tosca, a calça jeans e a camisa preta de botão largadona) com aquela cara de "o quê, você nunca foi a Londres"? Humilha que humilha. Aliás, isso daria mote para um possível encontro amoroso entre a dita cuja e um matuto cool, como é o Xico Sá. Aposto que num instante ele tirava o queijo dela. Em duas horas de conversa, talvez ela estivesse até lambendo os dedos da buchada acompanhada de um vinho syrah de ótima safra. Mais um pouco do vinho, e eles estariam dentro em pouco fazendo uma análise junguiana do inconsciente coletivo nos tempos do Padim Ciço.
Mais tarde, talvez, ainda saindo dos lençóis desarrumados, ririam e muito de imaginar Habermas vestido de gibão e chapéu de vaqueiro.
E por aí vai.
Eu era louco para saber quem era uma cafuçuzinha que aparecia dançando em uma das inúmeras vinhetas da MTV. Era o clássico estereótipo da estudante de arquitetura do CAC, uma personagem que sempre me agradou bastante, e ainda continua exercendo seu fascínio sobre esta pessoa. Imagino que deve haver gente que tem fantasias eróticas com aquelas réguas "T", mas, bom, ainda bem que eu sou um menino do interior.
Enfim, e mudando de assunto propositalmente, o fato é que graças a um certo post de uma certa italiana, eu consegui descobri quem era a dita cuja. Trata-se de Cat Power, ou o nome de palco de Charlyn Marshall, classificada como uma das mulheres mais góztosas da história do rock. E com razão, embora ela certamente esteja fora do estilo de uma Debbie Harry (Blondie), Lita Ford (The Runaways) no esplendor do sucesso, Nina Persson (The Cardigans) e talvez aquela que eu ache a mais recente vedete, Reeta-Leena Korhola (Husky Rescue). Enfim, chacun a son goût.
É difícil classificar o estilo dela, pelo que eu ouvi, mas certamente é experimental. E indie também, embora dentro desse enorme guarda-chuva caiba desde Arcade Fire e Weezer, representantes legítimos do nerd rock, até o blasé, ao menos na minha opinião, de coisas como Placebo. Aliás, poucas coisas pra mim são mais representativos de um indie autêntico que uma atitude blasé. Cat Power é assim.
E talvez seja por isso que ela cative tanto. A voz dela é suave, envolvente, mas ela também olha pra você (e isso é potencializado quando ela está com aquele cabelinho na cara, aquela dancinha tosca, a calça jeans e a camisa preta de botão largadona) com aquela cara de "o quê, você nunca foi a Londres"? Humilha que humilha. Aliás, isso daria mote para um possível encontro amoroso entre a dita cuja e um matuto cool, como é o Xico Sá. Aposto que num instante ele tirava o queijo dela. Em duas horas de conversa, talvez ela estivesse até lambendo os dedos da buchada acompanhada de um vinho syrah de ótima safra. Mais um pouco do vinho, e eles estariam dentro em pouco fazendo uma análise junguiana do inconsciente coletivo nos tempos do Padim Ciço.
Mais tarde, talvez, ainda saindo dos lençóis desarrumados, ririam e muito de imaginar Habermas vestido de gibão e chapéu de vaqueiro.
E por aí vai.
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(pós?)modernidade,
música,
televisão
16 de novembro de 2007
O Mundo E O Nerd
Pra terminar minha série de sites interessantes da semana, publico uma sugestão de um amigo meu - que, como vocês irão perceber, é estudante de algum curso de ciências exatas. Trata-se do xkcd, uma visão do mundo, em tirinhas, de acordo com o típico nerd de trocentas canetas no bolso da camisa, livros de cálculo debaixo do braço e capacidade para dizer uma frase em diversas linguagens - de computador.
Ou seja, nerd roots. Sem essa coisa "cúl" que chegou com o advento do Weezer, do Arcade Fire, de Matrix e de Kill Bill. Sem essa coisa de nerd inserido na cultura de massa com conjunto esportivo Adidas. Sem essa coisa de nerd saindo pra balada. Sem essa coisa de nerd com namorada (sacrilégio dos sacrilégios: nerd com namorada). Esses, meus caros, abriram espaço para o movimento e para que você e eu pudéssemos sair inflando o peito e "saying it out loud, we're nerds and proud". Devemos a eles muito.
Mas voltando ao site: o autor das tiras explica de uma maneira muito bem humorada a visão de determinados fatos e impressões sobre o mundo de acordo com uma visão nerdística. Lá estão tudo, desde informática e matemática (óbvio) até coisas como música - no site tem um belíssimo elogio a Led Zeppelin e "Stairway to Heaven". Atenção especial para o post sobre a vida amorosa do dito cujo.
Mais recentemente, eles estão publicando uma série de tiras sobre o início do "copyleft" em tudo o que puder ser convertido em bits e bytes, o que inclui também a "blogosfera". O cara é realmente a favor do software livre, de tudo o que tenha distribuição livre afinal de contas, e por isso ganhou de cara a minha simpatia. Aliás, o próprio blog é feito de acordo com Creative Commons, ou seja, pode copiar, desde que se credite.
Ou seja, nerd roots. Sem essa coisa "cúl" que chegou com o advento do Weezer, do Arcade Fire, de Matrix e de Kill Bill. Sem essa coisa de nerd inserido na cultura de massa com conjunto esportivo Adidas. Sem essa coisa de nerd saindo pra balada. Sem essa coisa de nerd com namorada (sacrilégio dos sacrilégios: nerd com namorada). Esses, meus caros, abriram espaço para o movimento e para que você e eu pudéssemos sair inflando o peito e "saying it out loud, we're nerds and proud". Devemos a eles muito.
Mas voltando ao site: o autor das tiras explica de uma maneira muito bem humorada a visão de determinados fatos e impressões sobre o mundo de acordo com uma visão nerdística. Lá estão tudo, desde informática e matemática (óbvio) até coisas como música - no site tem um belíssimo elogio a Led Zeppelin e "Stairway to Heaven". Atenção especial para o post sobre a vida amorosa do dito cujo.
Mais recentemente, eles estão publicando uma série de tiras sobre o início do "copyleft" em tudo o que puder ser convertido em bits e bytes, o que inclui também a "blogosfera". O cara é realmente a favor do software livre, de tudo o que tenha distribuição livre afinal de contas, e por isso ganhou de cara a minha simpatia. Aliás, o próprio blog é feito de acordo com Creative Commons, ou seja, pode copiar, desde que se credite.
14 de novembro de 2007
Voyeurismo, Ma Non Troppo
Eu tinha outros planos para o post de hoje, mas a dawn veio com uma sugestão de site. Então, ela tem prioridade, e dane-se os outros que vão ter de se encaixar.
Brincadeira. O site é realmente interessante.
Trata-se do PostSecret. Começou como uma instalação de um artista plástico nos EUA (onde mais?) que consistia em deixar espalhados pela cidade diversos recadinhos não assinados contendo segredos pessoais. A princípio, quando vi a descrição do site, pensei uma das duas alternativas: ou o sujeito é muito corajoso, ou é completamente pirado. Mas dei uma chance. E me surpreendi com algumas coisas...
O site acabou virando uma espécie de comunidade-movimento. O artista plástico responsável pelo projeto solicitou a quem visse o blog da comunidade que enviasse para o seu endereço um segredo colocado em um cartão-postal feito em casa. Tem gente contando os mais variados segredos. Desde os mais banais e não-tão-segredo assim, até coisas mais pesadas como o cara que descobriu que o pai é bi.
O endereço para os interessados está nos primeiros postais da página. De preferência, mande em inglês, para que não aconteça o mesmo que o sujeito que mandou um segredo em mandarim...
Brincadeira. O site é realmente interessante.
Trata-se do PostSecret. Começou como uma instalação de um artista plástico nos EUA (onde mais?) que consistia em deixar espalhados pela cidade diversos recadinhos não assinados contendo segredos pessoais. A princípio, quando vi a descrição do site, pensei uma das duas alternativas: ou o sujeito é muito corajoso, ou é completamente pirado. Mas dei uma chance. E me surpreendi com algumas coisas...
O site acabou virando uma espécie de comunidade-movimento. O artista plástico responsável pelo projeto solicitou a quem visse o blog da comunidade que enviasse para o seu endereço um segredo colocado em um cartão-postal feito em casa. Tem gente contando os mais variados segredos. Desde os mais banais e não-tão-segredo assim, até coisas mais pesadas como o cara que descobriu que o pai é bi.
O endereço para os interessados está nos primeiros postais da página. De preferência, mande em inglês, para que não aconteça o mesmo que o sujeito que mandou um segredo em mandarim...
13 de novembro de 2007
Dobrados
Continuando com a série de sites interessantes, eu indico este, que achei, pessoalmente, hilário. O Bent Objects é uma vitrine virtual de obras de arte feitas por um americano que certamente tem muita criatividade - e também nada para fazer. Ok, obras de arte expostas na internet não são nenhuma novidade. Então, o que chama a atenção aqui?
O sujeito em questão, que por sinal se chama Terry, pega objetos de uso diário e transforma em gente. Como? Simplesmente dando aos objetos braços e pernas de arame dobrado. Eu lembro que, quando era pequeno, era um costume entre meus primos fazer algo parecido, embora não tão elaborado. Por exemplo, fazer bois e porquinhos de maxixe espetando nos legumes 4 palitos de fósforo.
Terry, o artista plástico desocupado, consegue não só dar uma personalidade aos objetos, como também dar uma personalidade condizente com o "eu interior" de cada um. Em um dos posts mais recentes, ele pega um tubo de remédios daqueles de farmácia de manipulação e o coloca para consertar um cérebro, de chave de boca na mão e tudo. Em outra instalação, ele coloca pimentões, cenouras e tomates chorando no melhor estilo "mãe depois de chacina" em volta de um prato de salada fresca. Salad is murder, é a mensagem.
Ele costuma atualizar cerca de uma vez por semana, pelo que eu percebi. Então, tenham paciência e deixem o sujeito trabalhar (ou melhor, não exatamente trabalhar...).
O sujeito em questão, que por sinal se chama Terry, pega objetos de uso diário e transforma em gente. Como? Simplesmente dando aos objetos braços e pernas de arame dobrado. Eu lembro que, quando era pequeno, era um costume entre meus primos fazer algo parecido, embora não tão elaborado. Por exemplo, fazer bois e porquinhos de maxixe espetando nos legumes 4 palitos de fósforo.
Terry, o artista plástico desocupado, consegue não só dar uma personalidade aos objetos, como também dar uma personalidade condizente com o "eu interior" de cada um. Em um dos posts mais recentes, ele pega um tubo de remédios daqueles de farmácia de manipulação e o coloca para consertar um cérebro, de chave de boca na mão e tudo. Em outra instalação, ele coloca pimentões, cenouras e tomates chorando no melhor estilo "mãe depois de chacina" em volta de um prato de salada fresca. Salad is murder, é a mensagem.
Ele costuma atualizar cerca de uma vez por semana, pelo que eu percebi. Então, tenham paciência e deixem o sujeito trabalhar (ou melhor, não exatamente trabalhar...).
12 de novembro de 2007
Isso Dá Filme
Nesse fim de semana foi impressionante a quantidade de sites interessantes que chegaram até meu conhecimento. Acho que vou terminar dedicando toda esta semana a falar sobre eles.
Bom, vamos começar pelo meu preferido, em grande parte pela história envolvida. Eu achei simplesmente hilário, pois poderia acontecer em qualquer roteiro clichê de comédia romântica (e o autor do site, obviamente, percebeu isso na hora).
Era uma vez um americano médio de 21 anos, que levava uma vidinha média com um empreguinho médio de ilustrador e andava medianamente pela nada média cidade de Nova York - só pra quebrar a sequência. Um belo dia, quando este sujeito tomava o metrô quase que onipresente da "maçã grande", ele percebe uma determinada menina com a qual ele começa a conversar.
Bonita, ela, certamente o nosso rapaz pensou. E também tem uma conversa interessante. Simpatizou logo de cara. Ao final da conversa, ele já estava apaixonado pela criatura, com os quatro pneus Goodyear Eagle NCT5 arriados pela mocinha. Só que - ó, tragédia - o demônio do embasbacamento inventou de infernizar a vida de nosso herói: ficou tão bobo que esqueceu-se de perguntar o nome da sua princesa-no-alto-da-torre.
Ele deve ter voltado pra casa totalmente desconsolado, por ter perdido uma chance em um milhão. Só que, ao invés de ficar se lamentando, o ilustrador em questão resolveu colocar seus dotes em favor de seu coração (provavelmente de outras coisas também, mas vamos nos ater apenas a esse detalhe, sim?): ligou o PC, iniciou o Corel Painter, riscou e rabiscou na sua mesa digitalizadora, consultou os livros de HTML e Dreamweaver, desenrolou um domínio .com e pimba!, saiu aquele que seria o meio pelo qual reencontraria sua amada. Ou pelo menos era o que ele acreditava.
Muito provavelmente esse sujeito deve ter uma lista de contatos imensa, pois ele realmente tinha fé em encontrar sua amada via internet, ainda mais com um site a princípio sem links e que representava um beco sem saída em si. Mas foi através do boca a boca, e da teoria de que cada pessoa está a no máximo 5 contatos de distância de outra, que ele, sim, meus caros leitores, chegou até à garota em questão! Uma amiga da anônima do metrô viu o blog por recomendação de outras pessoas e, bom, o resto é resto...
É interessante perceber que o dito cujo encontrou a moça em 4 de novembro, e nós, bem, estamos em 12 de novembro. Ou seja, foram certamente menos de 8 dias até chegar ao conhecimento da dita cuja. O que nos leva à conclusão de que ele é realmente um rapaz favorecido pelo destino ou que a quantidade de geeks de internet nos EUA é assustadoramente alta.
O desfecho da história? Abelhudo! Isso é algo que só diz respeito aos dois!*
*Mas, bom, num mundo tão carente de mágica em primeiros encontros, se eles se dessem bem não seria nada mal...
Bom, vamos começar pelo meu preferido, em grande parte pela história envolvida. Eu achei simplesmente hilário, pois poderia acontecer em qualquer roteiro clichê de comédia romântica (e o autor do site, obviamente, percebeu isso na hora).
Era uma vez um americano médio de 21 anos, que levava uma vidinha média com um empreguinho médio de ilustrador e andava medianamente pela nada média cidade de Nova York - só pra quebrar a sequência. Um belo dia, quando este sujeito tomava o metrô quase que onipresente da "maçã grande", ele percebe uma determinada menina com a qual ele começa a conversar.
Bonita, ela, certamente o nosso rapaz pensou. E também tem uma conversa interessante. Simpatizou logo de cara. Ao final da conversa, ele já estava apaixonado pela criatura, com os quatro pneus Goodyear Eagle NCT5 arriados pela mocinha. Só que - ó, tragédia - o demônio do embasbacamento inventou de infernizar a vida de nosso herói: ficou tão bobo que esqueceu-se de perguntar o nome da sua princesa-no-alto-da-torre.
Ele deve ter voltado pra casa totalmente desconsolado, por ter perdido uma chance em um milhão. Só que, ao invés de ficar se lamentando, o ilustrador em questão resolveu colocar seus dotes em favor de seu coração (provavelmente de outras coisas também, mas vamos nos ater apenas a esse detalhe, sim?): ligou o PC, iniciou o Corel Painter, riscou e rabiscou na sua mesa digitalizadora, consultou os livros de HTML e Dreamweaver, desenrolou um domínio .com e pimba!, saiu aquele que seria o meio pelo qual reencontraria sua amada. Ou pelo menos era o que ele acreditava.
Muito provavelmente esse sujeito deve ter uma lista de contatos imensa, pois ele realmente tinha fé em encontrar sua amada via internet, ainda mais com um site a princípio sem links e que representava um beco sem saída em si. Mas foi através do boca a boca, e da teoria de que cada pessoa está a no máximo 5 contatos de distância de outra, que ele, sim, meus caros leitores, chegou até à garota em questão! Uma amiga da anônima do metrô viu o blog por recomendação de outras pessoas e, bom, o resto é resto...
É interessante perceber que o dito cujo encontrou a moça em 4 de novembro, e nós, bem, estamos em 12 de novembro. Ou seja, foram certamente menos de 8 dias até chegar ao conhecimento da dita cuja. O que nos leva à conclusão de que ele é realmente um rapaz favorecido pelo destino ou que a quantidade de geeks de internet nos EUA é assustadoramente alta.
O desfecho da história? Abelhudo! Isso é algo que só diz respeito aos dois!*
*Mas, bom, num mundo tão carente de mágica em primeiros encontros, se eles se dessem bem não seria nada mal...
Ingredientes:
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cultura,
internet
25 de outubro de 2007
C'est Vrai Cette Mansonge?
Tudo indica que sim, de fato é verdade essa mentira. Eu estava, agora à noite, correndo o risco de ser condenado pelo meu aparelho comunista assistindo à Globo (:P), quando vi uma cena da novela das oito no mínimo chocante, ainda mais se tratando do grande satã da família Marinho: um sujeito arrotando prenconceitos a torto e a direito contra um morador de favela que estava presente a um jantar de gala (sem perceber que a empregada que o servia também era negra), a filha do mesmo que trouxe o favelado pra bancar a descolada, o preconceito "não pergunte, não conte" do resto das pessoas, um certo nível de oportunismo político do deputado presente (soi-disant judeu) ao comprar a causa do favelado para si...
Não é de hoje que a Globo me surpreende, e me assusta com isso. Tá, a cobertura das eleições de 2006 dão a entender que a velha global continua firme em forte em sua posição liberal-conservadora, e principalmente hegemônica, em nosso país. Mas eu não posso pensar de todo mal de uma emissora que tem gente que produz séries como "Hoje É Dia de Maria" e "A Pedra do Reino" (apesar dos baixos índices de audiência desta última devido ao seu alto grau de experimentalismo). Nem como mantém Caco Barcellos, o mesmo que adoraria ver a violência na favela se transformando em revolução social estilo bolchevique em uma Caros Amigos, ou um Luís Carlos Azenha, que tem um dos blogs mais ácidos da blogosfera brasileira, e ao mesmo tempo um dos mais centrados.
Marcelo Tas, que aparentemente passou para o outro lado da força (ou então nunca saiu dele), fez uma entrevista por debaixo dos panos com um repórter da Globo, durante o comício das Diretas Já na Praça da Sé, em São Paulo, lá pelos idos de 84. Eu não lembro do nome do dito cujo, mas é relativamente conhecido. O fato é que Tas perguntou a ele se não era um paradoxo cobrir um evento ao qual a Globo se opunha fortemente quando ele, o repórter, era pró-Diretas. Ele soltou que ele e muitos colegas apoiavam as Diretas e sempre que possível faziam pressão para colocar o viés próprio em matérias feitas para a Globo, muito embora sofressem pressão e o quase-onipresente corte da navalha da edição. Parece que as coisas não são exatamente tão azuis lá dentro, o que eu já desconfiava. Mas sempre é bom ter a certeza de que se está certo.
Foro de São Paulo comanda. :P
Não é de hoje que a Globo me surpreende, e me assusta com isso. Tá, a cobertura das eleições de 2006 dão a entender que a velha global continua firme em forte em sua posição liberal-conservadora, e principalmente hegemônica, em nosso país. Mas eu não posso pensar de todo mal de uma emissora que tem gente que produz séries como "Hoje É Dia de Maria" e "A Pedra do Reino" (apesar dos baixos índices de audiência desta última devido ao seu alto grau de experimentalismo). Nem como mantém Caco Barcellos, o mesmo que adoraria ver a violência na favela se transformando em revolução social estilo bolchevique em uma Caros Amigos, ou um Luís Carlos Azenha, que tem um dos blogs mais ácidos da blogosfera brasileira, e ao mesmo tempo um dos mais centrados.
Marcelo Tas, que aparentemente passou para o outro lado da força (ou então nunca saiu dele), fez uma entrevista por debaixo dos panos com um repórter da Globo, durante o comício das Diretas Já na Praça da Sé, em São Paulo, lá pelos idos de 84. Eu não lembro do nome do dito cujo, mas é relativamente conhecido. O fato é que Tas perguntou a ele se não era um paradoxo cobrir um evento ao qual a Globo se opunha fortemente quando ele, o repórter, era pró-Diretas. Ele soltou que ele e muitos colegas apoiavam as Diretas e sempre que possível faziam pressão para colocar o viés próprio em matérias feitas para a Globo, muito embora sofressem pressão e o quase-onipresente corte da navalha da edição. Parece que as coisas não são exatamente tão azuis lá dentro, o que eu já desconfiava. Mas sempre é bom ter a certeza de que se está certo.
Foro de São Paulo comanda. :P
11 de setembro de 2007
Rostos do Futuro
Em post de ontem, no qual se vê às voltas com alguém que questiona o fato de comparar Sandy com aquela moça hispano-americana que fez o High School Musical e posou pelada, o Hermenauta dá a dica de um site interessante: trata-se do projeto de um fotógrafo turco, Mike Mike (!), que produziu imagens compostas baseando-se em rostos fotografados aleatoriamente em pontos movimentados de grandes cidades do mundo. O resultado pode ser conferido em sua página, aqui.
Ele relata no site que, em determinado momento, enquanto andava no metrô londrino, olhou para as pessoas das mais diversas origens em sua volta, a grande maioria filhos bastardos do outrora enorme império britânico que agora vinham tentar a sorte na metrópole colonial. Eram jamaicanos, paquistaneses (pakis, para os neonazistas locais), indianos, malaios, nigerianos, chineses de Hong Kong, até mesmo irlandeses e australianos. E ele se perguntou: "afinal de contas, qual é a cara de Londres?".
Muito provavelmente sucitando questionamentos que motivaram o também jamaicano Stuart Hall a iniciar seus estudos culturais na Universidade de Birmingham (questionamentos sobre a validade do pensamento de Hall ficam pra outra oportunidade), double Mike colocou-se a imaginar como seria o futuro destas pessoas caso o intercâmbio não só cultural mas também genético se concretizasse de maneira ótima nos próximos anos nas tais grandes cidades. E foi assim que as imagens compostas saíram. No caso de Rio de Janeiro e São Paulo não chega a ser uma grande novidade, já que os rostos resultantes podem ser encontrados em cada esquina. Mas em sociedades ainda majoritariamente brancas, como a inglesa ou a alemã (vide as opções de cidade no site), ou até mesmo a argentina, deve ter sido um choque perceber que aos poucos a loirice tende a desaparecer. Ao menos para os mais conservadores.
Ele relata no site que, em determinado momento, enquanto andava no metrô londrino, olhou para as pessoas das mais diversas origens em sua volta, a grande maioria filhos bastardos do outrora enorme império britânico que agora vinham tentar a sorte na metrópole colonial. Eram jamaicanos, paquistaneses (pakis, para os neonazistas locais), indianos, malaios, nigerianos, chineses de Hong Kong, até mesmo irlandeses e australianos. E ele se perguntou: "afinal de contas, qual é a cara de Londres?".
Muito provavelmente sucitando questionamentos que motivaram o também jamaicano Stuart Hall a iniciar seus estudos culturais na Universidade de Birmingham (questionamentos sobre a validade do pensamento de Hall ficam pra outra oportunidade), double Mike colocou-se a imaginar como seria o futuro destas pessoas caso o intercâmbio não só cultural mas também genético se concretizasse de maneira ótima nos próximos anos nas tais grandes cidades. E foi assim que as imagens compostas saíram. No caso de Rio de Janeiro e São Paulo não chega a ser uma grande novidade, já que os rostos resultantes podem ser encontrados em cada esquina. Mas em sociedades ainda majoritariamente brancas, como a inglesa ou a alemã (vide as opções de cidade no site), ou até mesmo a argentina, deve ter sido um choque perceber que aos poucos a loirice tende a desaparecer. Ao menos para os mais conservadores.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
cultura,
relações internacionais
6 de setembro de 2007
Nêmesis, Cada Um Com A Sua
Cada um tem a sua, pelo menos os blogueiros homens com quem tive mais contato. O Hermenauta, por Scarlett Johansson; Nelson Moraes (ou seu alter-ego, o almirante Nelson), por Millicent; Rafael Galvão é um caso à parte, já que eu suspeito que ele divida sua atenção entre aquele blogueiro que chupa pé e aquela blogueira que o perseguiu no RJ (ambos me fogem os nomes); José Marcelo é todo olhos, ouvidos, barba, criatividade e prato de macarrão para Bruna, a sua senhora; Tiago Maciel é de "todas as mulheres do mundo", embora eu também suspeite que ele faça restrição às feias, exceto em casos de baixo teor alcoólico em sua corrente sanguínea; pra terminar, Luís Biajoni agora só quer saber de Virgínia Berlin, por motivos óbvios.
E eu? Difícil dizer. Nos meus blogs anteriores eu cansei de me derreter em elogios às meninas pelas quais eu me apaixonei (e de 2002 pra cá não foram poucas). Acho que é uma questão de paixão da vez. Como eu por enquanto estou sem nenhuma, ou pelo menos preservar minha figura para evitar dar explicações chatas no futuro, então minha nêmesis fica omissa. Mas não poderia usar esse pretexto para me furtar a oportunidade de falar sobre a nêmesis de 11 em cada 10 stalkers de sites de relacionamento (a-hem): as fotologgers.
Eu já tomei uma bronca da namorada de um colega meu por falar mal da maioria das cocotas, que compõem uma porcentagem significativa das fotologgers. Verdade seja dita, eu estava de péssimo humor naquela época, e o texto foi muito mais um desabafo ranzinza que uma verdadeira exposição dos meus reais sentimentos para com as moças de biquinho. Portanto, minha quase-cunhada (já que esse meu colega em questão é quase um irmão pra mim), fique tranquila que dessa vez eu vou maneirar.
Já supracitei a principal característica da fotologger clássica: o biquinho. Mas, pombas, por que o biquinho? Provavelmente com relação à moda de modelos bicudas atualmente (atualmente?) em voga no mundo fashion. Tal característica é motivo de piadas a torto e a direito, como aquela história de colocar uma bombinha na boca da fotologger, acender e sair correndo...
Além disso, tem o sinal de "V". Cópia novamente da atitude das modelos, principalmente de Giselle Bündchen - que recentemente, foi flagrada fazendo o sinal e dizendo, com enorme ar de enfado: "Oh, my God...". Pudera. Se eu estivesse na Daslú também ia dizer a mesma coisa. Mas no caso delas é muito mais um pastiche que qualquer outra coisa.
Terceiro, decotão. Geralmente com aquelas blusas de grávida, em alguns casos para parecer chique (?), em outros, para esconder uma barriguinha nada discreta. A principal causa de reclamação das fotologgers contra stalkers poderia ser facilmente solucionada se, bem, colocassem fotos mais discretas. Exposição pessoal atrai esse tipo de gente, mesmo. Ou o quê, acha que aquele "gatinho" do terceiro ano vai perder tempo olhando pro teu fotolog, enquanto está malhando, fazendo hidratação naquele cabelo estilo Gianechinni, ou se preparando para a próxima micareta?
E eu? Difícil dizer. Nos meus blogs anteriores eu cansei de me derreter em elogios às meninas pelas quais eu me apaixonei (e de 2002 pra cá não foram poucas). Acho que é uma questão de paixão da vez. Como eu por enquanto estou sem nenhuma, ou pelo menos preservar minha figura para evitar dar explicações chatas no futuro, então minha nêmesis fica omissa. Mas não poderia usar esse pretexto para me furtar a oportunidade de falar sobre a nêmesis de 11 em cada 10 stalkers de sites de relacionamento (a-hem): as fotologgers.
Eu já tomei uma bronca da namorada de um colega meu por falar mal da maioria das cocotas, que compõem uma porcentagem significativa das fotologgers. Verdade seja dita, eu estava de péssimo humor naquela época, e o texto foi muito mais um desabafo ranzinza que uma verdadeira exposição dos meus reais sentimentos para com as moças de biquinho. Portanto, minha quase-cunhada (já que esse meu colega em questão é quase um irmão pra mim), fique tranquila que dessa vez eu vou maneirar.
Já supracitei a principal característica da fotologger clássica: o biquinho. Mas, pombas, por que o biquinho? Provavelmente com relação à moda de modelos bicudas atualmente (atualmente?) em voga no mundo fashion. Tal característica é motivo de piadas a torto e a direito, como aquela história de colocar uma bombinha na boca da fotologger, acender e sair correndo...
Além disso, tem o sinal de "V". Cópia novamente da atitude das modelos, principalmente de Giselle Bündchen - que recentemente, foi flagrada fazendo o sinal e dizendo, com enorme ar de enfado: "Oh, my God...". Pudera. Se eu estivesse na Daslú também ia dizer a mesma coisa. Mas no caso delas é muito mais um pastiche que qualquer outra coisa.
Terceiro, decotão. Geralmente com aquelas blusas de grávida, em alguns casos para parecer chique (?), em outros, para esconder uma barriguinha nada discreta. A principal causa de reclamação das fotologgers contra stalkers poderia ser facilmente solucionada se, bem, colocassem fotos mais discretas. Exposição pessoal atrai esse tipo de gente, mesmo. Ou o quê, acha que aquele "gatinho" do terceiro ano vai perder tempo olhando pro teu fotolog, enquanto está malhando, fazendo hidratação naquele cabelo estilo Gianechinni, ou se preparando para a próxima micareta?
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
cultura,
internet
14 de agosto de 2007
Maria, Maria, é um Dom, uma Certa Magia...
Em entrevista recente concedida ao tablóide britânico (aquela classe de empresas que vive da manutenção da monarquia no Reino Unido) "News of The World", a "roqueira" Avril Lavigne fala sobre sua vida pós-casamento. Ela cometeu o que eu chamaria de disparate (mais ainda considerando alguns amigos meus apaixonados por ela) de ir para o altar aos 20 anos de idade. Se bem que, com a grana que ela levou do mercado fonográfico americano... sim, mas voltando ao assunto, Avril falou de detalhes de sua vida depois de juntar os trapos, ainda que mantenha velhos hábitos como, hã, ficar pelada quando toma porres. Conveniente, não?
Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de Avril se dizer uma dona de casa exemplar. Rainha do lar mesmo, com toda aquela atitude de "roqueira" nü-metal. Segundo afirmação da própria, "Sou uma deusa doméstica, conserto coisas quebradas como lâmpadas, coloco quadros e cozinho".
Avril ter afirmado publicamente que é a esposa que todo marmanjo vagabundo pediu a Deus me lembrou uma conversa que eu estava tendo com minha mãe hoje. Ela chegou indignada da padaria com o fato de uma das ajudantes recém-contratadas não saber partir uma galinha para assar. E mostrando os primeiros sinais de que a idade está chegando, que é quando alguém diz, a sério: "No meu tempo era diferente...". E, de fato, minha mãe e minha avó são os últimos gritos de uma época na qual a sociedade nordestina era, sob certos aspectos, patriarcal e matriarcal ao mesmo tempo. Onde mulheres tinham de saber secar feijão e milho, matar as ditas galinhas, e em alguns casos até mesmo empunhar uma arma com maestria.
Mas, vejam como o destino é irônico. Vivendo nas árduas condições do interior do Nordeste (pelo menos eram assim, antes da invenção do açougueiro da bandejinha de isopor), alguém não sabe preparar um corte de carne para fazer recheio para um empadão. E, num Canadá e Estados Unidos onde basta erguer o braço para cair um double cheeseburguer com fritas e uma Coca grande nas suas mãos, eis que surge Avril, cada dia mais comportada e mais pop, dizendo ser acostumada a fazer serviços domésticos e pilotar fogão.
Oh, admirável mundo novo...
Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de Avril se dizer uma dona de casa exemplar. Rainha do lar mesmo, com toda aquela atitude de "roqueira" nü-metal. Segundo afirmação da própria, "Sou uma deusa doméstica, conserto coisas quebradas como lâmpadas, coloco quadros e cozinho".
Avril ter afirmado publicamente que é a esposa que todo marmanjo vagabundo pediu a Deus me lembrou uma conversa que eu estava tendo com minha mãe hoje. Ela chegou indignada da padaria com o fato de uma das ajudantes recém-contratadas não saber partir uma galinha para assar. E mostrando os primeiros sinais de que a idade está chegando, que é quando alguém diz, a sério: "No meu tempo era diferente...". E, de fato, minha mãe e minha avó são os últimos gritos de uma época na qual a sociedade nordestina era, sob certos aspectos, patriarcal e matriarcal ao mesmo tempo. Onde mulheres tinham de saber secar feijão e milho, matar as ditas galinhas, e em alguns casos até mesmo empunhar uma arma com maestria.
Mas, vejam como o destino é irônico. Vivendo nas árduas condições do interior do Nordeste (pelo menos eram assim, antes da invenção do açougueiro da bandejinha de isopor), alguém não sabe preparar um corte de carne para fazer recheio para um empadão. E, num Canadá e Estados Unidos onde basta erguer o braço para cair um double cheeseburguer com fritas e uma Coca grande nas suas mãos, eis que surge Avril, cada dia mais comportada e mais pop, dizendo ser acostumada a fazer serviços domésticos e pilotar fogão.
Oh, admirável mundo novo...
19 de julho de 2007
Caderneta do Matuto Pós-Moderno
(Adaptado de série produzida por Jessier Quirino, poeta popular paraibano)
- Ver quem é aquela trepeça amiga de Biu de Olindina que fuçou no meu orkut;
- Comprar dois CD-R's para gravar os 20 volumes de Forró Calcinha Preta para Tonho Boyzinho colocar no MP3 novo do Chevette dele;
- Passar os mesmos CD's para o iPod paraguaio de Corrinha;
- Desenrolar com o cambista dois ingressos de meia entrada para o show dos Aviões do Forró;
- Pegar no alfaiate as duas calças que comprei em Toritama e mandei ajeitar;
- Ir no sítio ver a situação do cavalo "Gigabyte" para a vaquejada de Recife; aproveitar e falar com o veterinário pra ver se não vai dar merda o cruzamento do reprodutor "boér" novo com as cabras moxotós que já tinham por lá;
- Mandar um e-mail pra Luís de Júlia Branca pedindo pra passar a máquina no açude que secou;
- Pedir pra Zequinha de Eulália acompanhar o reboque com o carro de papai até a concessionária, em Caruaru (em tempo, dizer a pai que eu bem que avisei que esses Omegas australianos não podem rodar no areal da Vargem Velha);
- Na volta, comprar o CD pirata de Harry Potter novo pra Kellynha;
- Dar um toque com o chip da Oi, que tá com mais créditos, para Luana, avisando que só vou ficar na festa até uma da manhã e que depois deixo ela em casa;
- Mandar uma mensagem de texto, com o chip da TIM, avisando a Conceição que duas da manhã tou livre da jararaca.
- Ver quem é aquela trepeça amiga de Biu de Olindina que fuçou no meu orkut;
- Comprar dois CD-R's para gravar os 20 volumes de Forró Calcinha Preta para Tonho Boyzinho colocar no MP3 novo do Chevette dele;
- Passar os mesmos CD's para o iPod paraguaio de Corrinha;
- Desenrolar com o cambista dois ingressos de meia entrada para o show dos Aviões do Forró;
- Pegar no alfaiate as duas calças que comprei em Toritama e mandei ajeitar;
- Ir no sítio ver a situação do cavalo "Gigabyte" para a vaquejada de Recife; aproveitar e falar com o veterinário pra ver se não vai dar merda o cruzamento do reprodutor "boér" novo com as cabras moxotós que já tinham por lá;
- Mandar um e-mail pra Luís de Júlia Branca pedindo pra passar a máquina no açude que secou;
- Pedir pra Zequinha de Eulália acompanhar o reboque com o carro de papai até a concessionária, em Caruaru (em tempo, dizer a pai que eu bem que avisei que esses Omegas australianos não podem rodar no areal da Vargem Velha);
- Na volta, comprar o CD pirata de Harry Potter novo pra Kellynha;
- Dar um toque com o chip da Oi, que tá com mais créditos, para Luana, avisando que só vou ficar na festa até uma da manhã e que depois deixo ela em casa;
- Mandar uma mensagem de texto, com o chip da TIM, avisando a Conceição que duas da manhã tou livre da jararaca.
29 de junho de 2007
Сталкер
O Orkut proporcionou um dos mais impressionantes fenômenos da "vida eletrônica" mundial: os stalkers de profiles. Stalkers não são exatamente algo novo, já que os otakus japoneses são mestres nisso acho que desde o início da década de 80 - ou antes. E stalkering eletrônico também não é novo, já que os fotologs - e, principalmente, as fotologgers - proporcionaram muitas horas de diversão para muita gente, enquanto aguardavam o download do mais recente Final Fantasy ou matavam aqueles n00bs no Runescape. Mas stalker sempre teve a negativa conotação de gente que olha à extenuação o profile de outras pessoas na dita comunidade (a-hem).
A origem do nome na cultura de massa, no entanto, tem sua origem um pouco mais nobre e até mesmo fora da indústria cultural, no sentido frankfurtiano. Está no filme "Stalker", de 1979, dirigido por Andrei Tarkovski. Por sinal, o melhor diretor soviético na minha opinião, batendo nomes mais "batidos" como Eisenstein e Vertov. Basicamente, a história é a seguinte (pelo que vi na sinopse e no livro do Tarkovski, "Esculpir o Tempo", já que o filme mesmo eu não vi :P): numa wasteland pós-apocalíptica, dois sujeitos encontram um terceiro em uma espécie de bar, e o trio ouve falar de uma sala mágica onde os desejos são realizados. Sabendo disso, saem em busca da dita sala, mesmo sabendo que mitos desse tipo surgem o tempo todo em uma situação desesperançada. Quem lidera a jornada é justamente o terceiro sujeito, que não coincidentemente, se chama Stalker.
Até aí, nada de mais. Agora, onde pombas foram arranjar inspiração pra relacionar uma coisa com a outra? Por que é uma inspiração pobre demais simplesmente adaptar um termo inglês utilizado para caçar. Me recuso a acreditar nisso. Sério.
A origem do nome na cultura de massa, no entanto, tem sua origem um pouco mais nobre e até mesmo fora da indústria cultural, no sentido frankfurtiano. Está no filme "Stalker", de 1979, dirigido por Andrei Tarkovski. Por sinal, o melhor diretor soviético na minha opinião, batendo nomes mais "batidos" como Eisenstein e Vertov. Basicamente, a história é a seguinte (pelo que vi na sinopse e no livro do Tarkovski, "Esculpir o Tempo", já que o filme mesmo eu não vi :P): numa wasteland pós-apocalíptica, dois sujeitos encontram um terceiro em uma espécie de bar, e o trio ouve falar de uma sala mágica onde os desejos são realizados. Sabendo disso, saem em busca da dita sala, mesmo sabendo que mitos desse tipo surgem o tempo todo em uma situação desesperançada. Quem lidera a jornada é justamente o terceiro sujeito, que não coincidentemente, se chama Stalker.
Até aí, nada de mais. Agora, onde pombas foram arranjar inspiração pra relacionar uma coisa com a outra? Por que é uma inspiração pobre demais simplesmente adaptar um termo inglês utilizado para caçar. Me recuso a acreditar nisso. Sério.
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