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4 de agosto de 2009
10 de junho de 2009
Meu Nome Não É Ulisses
E isso aqui não é a "Odisséia". Acho que tá mais pra uma versão dadaísta do livro de James Joyce.
1 de junho de 2009
Incorporando
Quando simplesmente olho
Para a ladeira da rua daqui
De casa,
Minha mente já começa a viajar.
Pois sei que depois dela está
Uma avenida, e a continuação da rua,
E depois mais ruas, e mais um bairro,
Até chegar nas serras que limitam
Arcoverde com Buíque.
E é chão, e mais chão
Até chegar à margem norte do Velho
Chico,
Onde do outro lado está o chão seco
E sofrido do Sertão alagoano.
A partir daqui, é possível obter um
Breve vislumbre de Sergipe, mas
Sem sair de território baiano.
Terra abençoada, dizem, mas
É uma terra de contrastes,
Essa Bahia. Aqui no norte do
Estado,
Temos sol, seca, e o sangue que
ainda escorre de um velho arraial
Arrasado. Mas basta passar por Feira
De Santana para perceber que algo
Está diferente. Creio que acabamos
de entrar no mundo de Jorge. Amado.
Minas, Minas e mares de morro
Que sobem, e descem, apinhados
De História,
De ferro, e trem. Trem. De Ferro.
Maria-Fumaça que resiste ao tempo e
À modernização de asfalto, nem sempre
Tão moderno. Leite, que se toma com
Café. Que se toma com dinheiro. Que
Rola em grande quantidade aqui,
Em São Paulo. Interior rico de
Alphavilles, pobre de emoção, pobre
De humanidade,
Para aqueles que produzem riqueza,
Mais-valia. Moedor de gente nos prédios,
metrôs, viadutos, plantações de cana,
Laranja, uva. Soja e gado por procuração.
Supera-se, supera-se, tudo se supera,
Ainda mais quando minha mente equilibra-se,
Na Serra do Mar. E chega próximo aonde
Ela quer estar. Desce a serra de mansinho,
Devagarinho,
Pois quero ter a lembrança de cada momento,
De cada batida forte do coração, quando
Chego perto. Coração que me avisa do que
Está por vir (espero!): Redenção de minha
Alma, farol dos meus sonhos, calor em pleno
Frio.
Para a ladeira da rua daqui
De casa,
Minha mente já começa a viajar.
Pois sei que depois dela está
Uma avenida, e a continuação da rua,
E depois mais ruas, e mais um bairro,
Até chegar nas serras que limitam
Arcoverde com Buíque.
E é chão, e mais chão
Até chegar à margem norte do Velho
Chico,
Onde do outro lado está o chão seco
E sofrido do Sertão alagoano.
A partir daqui, é possível obter um
Breve vislumbre de Sergipe, mas
Sem sair de território baiano.
Terra abençoada, dizem, mas
É uma terra de contrastes,
Essa Bahia. Aqui no norte do
Estado,
Temos sol, seca, e o sangue que
ainda escorre de um velho arraial
Arrasado. Mas basta passar por Feira
De Santana para perceber que algo
Está diferente. Creio que acabamos
de entrar no mundo de Jorge. Amado.
Minas, Minas e mares de morro
Que sobem, e descem, apinhados
De História,
De ferro, e trem. Trem. De Ferro.
Maria-Fumaça que resiste ao tempo e
À modernização de asfalto, nem sempre
Tão moderno. Leite, que se toma com
Café. Que se toma com dinheiro. Que
Rola em grande quantidade aqui,
Em São Paulo. Interior rico de
Alphavilles, pobre de emoção, pobre
De humanidade,
Para aqueles que produzem riqueza,
Mais-valia. Moedor de gente nos prédios,
metrôs, viadutos, plantações de cana,
Laranja, uva. Soja e gado por procuração.
Supera-se, supera-se, tudo se supera,
Ainda mais quando minha mente equilibra-se,
Na Serra do Mar. E chega próximo aonde
Ela quer estar. Desce a serra de mansinho,
Devagarinho,
Pois quero ter a lembrança de cada momento,
De cada batida forte do coração, quando
Chego perto. Coração que me avisa do que
Está por vir (espero!): Redenção de minha
Alma, farol dos meus sonhos, calor em pleno
Frio.
18 de abril de 2009
Moleskine Para Nome De Um Fetiche
Fazia tempo que eu não lia o blog da senhorita Panarello, que por sinal não anda atualizando muito o blog. Deve estar ocupada. Enfim, uma das últimas ocorrências dela diz respeito à sua relação com o seu Moleskine, de companheiro de aventuras e de horas de relaxamento.
Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.
Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.
Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.
Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.
Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.
Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.
28 de outubro de 2008
Cegueira Do Mercado
O único usuário da última flor do Lácio a deter um prêmio Nobel de Literatura, José Saramago, não perde a chance de alfinetar o mercado, os liberais e a direita, como bom marxista que é. Em entrevista coletiva para o lançamento da versão cinematográfica do livro "Ensaio Sobre a Cegueira", Saramago criticou o uso do dinheiro para salvar instituições financeiras, e não para resolver graves problema sociais ao redor do mundo.
Cá pra nós, eu sempre soube que a esquerda portuguesa tivesse uma quedinha por Stalin. Saramago, no entanto, adota posturas que geralmente vão de encontro ao modelo de socialismo real e declarou que havia rompido com Cuba. Posso estar errado, mas parece que o velho tuga é uma voz destoante em seu próprio país. Pro nosso bem, diria.
Cá pra nós, eu sempre soube que a esquerda portuguesa tivesse uma quedinha por Stalin. Saramago, no entanto, adota posturas que geralmente vão de encontro ao modelo de socialismo real e declarou que havia rompido com Cuba. Posso estar errado, mas parece que o velho tuga é uma voz destoante em seu próprio país. Pro nosso bem, diria.
22 de outubro de 2008
A Peleja Do Rato Com A Dona Do Céu
Há quem diga que Fittipaldi foi um bom piloto de F-1, nos tempos áureos em que ainda existia uma equipe chamada Brabham usando o valente motor Cosworth DFV V8. Eu não vi essa fase da F-1 por motivos óbvios, já que seu último título na categoria foi em 1974. Numa época em que também existiam Jackie Stewart, Gilles Villeneuve e Phil Hill é meio difícil acreditar nisso, mas seus dois títulos mundiais são suficientes para calar minha boca arrogante.
Eu conheço um tanto melhor Clarice Lispector. Ok, conhecer é uma figura de linguagem. Mas como escritora ela era, de fato, hors concours. Qualquer livro que se leia dela é motivo para ficar pelo menos uns minutos procurando o chão. Quando eu li "A Paixão Segundo G.H.", fiquei alguns dias meio bobo, como se tivesse acabado de chegar na Terra.
O que haveria de sair de um encontro entre os dois?
Agora você sabe. E, por sinal, a primeira pergunta que ela fez ao Rato foi absurdamente intimidadora:
- Sobre o que você quer falar?
Talvez o piloto não soubesse exatamente o que viria pela frente, talvez ele nunca tivesse lido nada daquela senhora de olhos rasgados, língua presa e uma mão seca. Mas se eu estivesse frente a frente com ela e ela me perguntasse isso, eu juro que sairia correndo assustado gritando "Manhê, ela vai desvendar os mais profundos recônditos de minha alma!!!".
Eu conheço um tanto melhor Clarice Lispector. Ok, conhecer é uma figura de linguagem. Mas como escritora ela era, de fato, hors concours. Qualquer livro que se leia dela é motivo para ficar pelo menos uns minutos procurando o chão. Quando eu li "A Paixão Segundo G.H.", fiquei alguns dias meio bobo, como se tivesse acabado de chegar na Terra.
O que haveria de sair de um encontro entre os dois?
Agora você sabe. E, por sinal, a primeira pergunta que ela fez ao Rato foi absurdamente intimidadora:
- Sobre o que você quer falar?
Talvez o piloto não soubesse exatamente o que viria pela frente, talvez ele nunca tivesse lido nada daquela senhora de olhos rasgados, língua presa e uma mão seca. Mas se eu estivesse frente a frente com ela e ela me perguntasse isso, eu juro que sairia correndo assustado gritando "Manhê, ela vai desvendar os mais profundos recônditos de minha alma!!!".
29 de novembro de 2007
Top 5 Anime
Aquela italiana parece que está numa creativity spree, dado a produção de posts interessantes nesta semana. Ela fez um post recente sobre os melhores animes de sua época, filmes e séries. E comprovou o que eu pensava: italianos e franceses tinham acesso a mais animes legais durante a década de 80 que nós. Eu vou fazer uma listinha, só que como eu não acompanhei muitos animes durante minha vida, eu vou ficar em uma categoria só, e coloco mais um que eu adoraria ver. Aí vai.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
cultura,
literatura
30 de julho de 2007
A Crônica e Eu
Ok, me perdoem os grossos volumes de Dostoiévski e Tolstói, a longa viagem perpetrada por Joyce e García Márquez, as peças de teatro de Ariano Suassuna e William Shakespeare, mas meu estilo literário preferido ainda é a crônica. Sou suspeito pra falar, como jornalista, mas, como quem entra aqui neste blog/confeitaria o faz porque quer, então ouve e come também o que eu produzo. Vamos lá.
A crônica começou como um simples método de narrar fatos em ordem cronológica, falando, em alguns casos, da história de um povo da mesma maneira que um jornal moderno faria (com algum atraso, mas enfim). Existem crônicas desde o primeiro milênio antes da era cristã, na China, bem como também na Grécia e Roma antigas. Uma crônica, o Kojiki, chegou a tornar-se base para uma das religiões mais antigas do mundo, o xintoísmo.
Ela também entrou como parte da narrativa cotidiana dos jornais, só que escrita de uma forma elaborada e com requintes artísticos normalmente não encontrados no texto jornalístico. Jornalismo não é literatura, já dizia o gaúcho Vizeu nas minhas aulas lá na UFPE. Mas crônica, na minha opinião, não deixa de ser uma forma de jornalismo.
Isso não impediu que livros e livros de crônicas escritas diariamente fossem compilados e vendidos, alguns sendo até sucessos de vendas. Grandes escritores tornaram-se mestres da palavra na língua portuguesa utilizando este estilo, como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Eduardo Novaes e Stanislaw Ponte Preta. Outros transitaram entre outros estilos mas não deixaram de dar sua canja nas páginas dos periódicos, como Drummond, Clarice Lispector, Millôr, Moacyr Scliar, e tantos outros.
O que mais me atrai neste estilo é justamente a sua atualidade, bem como uma maneira interessante (e na maioria das vezes, charmosa e elegante) de mostrar os fatos do cotidiano. O uso da ironia e do sarcasmo, por influências destes escritores, tornou-se coisa corriqueira entre cronistas de qualquer lugar do país, mas nem sempre com a mesma sagacidade. Como se tivessem, inadvertidamente, aberto a caixa de Pandora das mazelas da produção literária em jornais. Mas não se enganem: é preciso jeito para fazer uma boa crônica.
P.S.: obviamente, não estou querendo dizer aqui que eu tenha. Pra falar a verdade, acho que não tenho nenhum, o que me impediu de escrever algo mais interessante e menos factual por aqui.
P.P.S.: quer indicativo maior de inveja dos cronistas que o post scriptum acima?
A crônica começou como um simples método de narrar fatos em ordem cronológica, falando, em alguns casos, da história de um povo da mesma maneira que um jornal moderno faria (com algum atraso, mas enfim). Existem crônicas desde o primeiro milênio antes da era cristã, na China, bem como também na Grécia e Roma antigas. Uma crônica, o Kojiki, chegou a tornar-se base para uma das religiões mais antigas do mundo, o xintoísmo.
Ela também entrou como parte da narrativa cotidiana dos jornais, só que escrita de uma forma elaborada e com requintes artísticos normalmente não encontrados no texto jornalístico. Jornalismo não é literatura, já dizia o gaúcho Vizeu nas minhas aulas lá na UFPE. Mas crônica, na minha opinião, não deixa de ser uma forma de jornalismo.
Isso não impediu que livros e livros de crônicas escritas diariamente fossem compilados e vendidos, alguns sendo até sucessos de vendas. Grandes escritores tornaram-se mestres da palavra na língua portuguesa utilizando este estilo, como Luís Fernando Veríssimo, Carlos Eduardo Novaes e Stanislaw Ponte Preta. Outros transitaram entre outros estilos mas não deixaram de dar sua canja nas páginas dos periódicos, como Drummond, Clarice Lispector, Millôr, Moacyr Scliar, e tantos outros.
O que mais me atrai neste estilo é justamente a sua atualidade, bem como uma maneira interessante (e na maioria das vezes, charmosa e elegante) de mostrar os fatos do cotidiano. O uso da ironia e do sarcasmo, por influências destes escritores, tornou-se coisa corriqueira entre cronistas de qualquer lugar do país, mas nem sempre com a mesma sagacidade. Como se tivessem, inadvertidamente, aberto a caixa de Pandora das mazelas da produção literária em jornais. Mas não se enganem: é preciso jeito para fazer uma boa crônica.
P.S.: obviamente, não estou querendo dizer aqui que eu tenha. Pra falar a verdade, acho que não tenho nenhum, o que me impediu de escrever algo mais interessante e menos factual por aqui.
P.P.S.: quer indicativo maior de inveja dos cronistas que o post scriptum acima?
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