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23 de agosto de 2009

Que Fazer

Meus olhos brilharam quando soube da notícia: A UFPE, em parceria com a SUDENE, começou neste semestre um novo programa de pós-graduação. Serão oferecidas 45 vagas anuais para o mestrado em Gestão Pública Para o Desenvolvimento do Nordeste. Minhas mãos estão coçando tanto para escrever um projeto que eu nem sei por onde começar. Ou melhor, sei: como fixar o habitante de distritos, povoados e vilas da zona rural das cidades nordestinas em seus locais de origem, sem precisar recorrer a um êxodo às sedes do município, ou mesmo sair para outras regiões?

Tá na hora de incorporar o espírito de Celso Furtado, Josué de Castro, Milton Santos, Caio Prado Jr....

* * *

UPDATE 2: Quem é H. W.?

18 de abril de 2009

Moleskine Para Nome De Um Fetiche

Fazia tempo que eu não lia o blog da senhorita Panarello, que por sinal não anda atualizando muito o blog. Deve estar ocupada. Enfim, uma das últimas ocorrências dela diz respeito à sua relação com o seu Moleskine, de companheiro de aventuras e de horas de relaxamento.

Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.

Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.

Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.

5 de novembro de 2007

Luz No Fim do Túnel

Matéria recente da FSP, via BBC Brasil, dá conta que uma universidade sueca, o Instituto Karolinska, está muito próximo de desenvolver uma vacina contra a Aids bem sucedida. Testes feitos até agora com 40 voluntários mostraram uma taxa de imunização de 97%, o que qualifica a vacina a partir para a próxima fase, com 60 voluntários na Tanzânia. O processo consiste na aplicação de duas vacinas, sendo que a primeira foi desenvolvida em conjunto com uma agência governamental sueca e a segunda foi cedida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.

Algumas coisas a serem percebidas.

Primeiro, o Instituto Karolinska é uma das melhores faculdades de medicina da Suécia, e sonho de consumo de uma amiga minha aspirante a médica (neste momento perdida em algum lugar da Lapônia sueca). Foi fundado em 1810 como um centro de pesquisas médicas para o exército sueco, e logo caiu nas graças de algum rei, que acabou herdando seu nome (Karolinska Institutet = algo como "Instituto Carlino", ou de Carlos).

E é pública, como todas as universidades suecas.

Cá entre nós, sempre que se reclama da universidade pública ou da morosidade da pesquisa médica, alguém surge logo com a solução mágica de privatizar as universidades ou colocar toda a pesquisa científica, inclusive de questões estratégicas, nas mãos da iniciativa privada. Uma solução mais interessante e já proposta pelo Hermenauta (com um pano de fundo já existente) consiste na implantação de um prêmio para motivar quem desenvolva determinado avanço científico, bem sucedido no caso da aviação e nos vôos espaciais civis. Mas retornando à velha pergunta: um desenvolvimento científico privado vai realmente ser aproveitado por toda a humanidade?

Voltando às ciências médicas, é sabido que as indústrias farmacêuticas hoje formam uma verdadeira máfia, uma verdadeira tríade chinesa no monopólio de remédios considerados importantíssimos para a manutenção da saúde mundial. No entanto, remédios avançados para doenças como o câncer e a Aids são vendidos com preços pela hora da morte. O caso da Aids pode ser considerado ainda mais dramático, uma vez que existem países africanos no qual mais de 50% da população ativa estão com o vírus, e a quebra da patente (chefiada pelo então ministro da saúde tucano, José Serra) dos remédios do coquetel anti-Aids foi providencial.

Pode-se argumentar que a participação do referido instituto americano foi motivada por este contar com os avanços das indústrias médicas de lá. O problema é que esse instituto é público, e, como muitas instituições públicas americanas (a exemplo da PBS e da NOAA) muitas vezes vai de encontro com governos neocons, a exemplo do atual. Sozinhos, os NHI (e o responsável pela segunda vacina, o de alergia e doenças infecciosas) são responsáveis por quase um terço do montante gasto em pesquisa médica nos EUA, sendo o restante composto pelas empresas.

Num mundo em que se alardeia aos quatro ventos a necessidade de reduzir a participação do Estado na vida dos cidadãos e entregar as prioridades de produção ao mercado, iniciativas como esta mostram a força que possui um governo preocupado com o bem-estar de seus cidadãos e a possibilidade real de eficiência (e mais que isso, vanguarda) de uma instituição pública, que para chegar a tal objetivo não necessita mais que boa administração dos recursos envolvidos. Nem sempre isso é alcançado no caso das empresas privadas, visto o caso de empresas como a Cisco, Enron, Encol, Aracruz Celulose...