17 de fevereiro de 2009

Ranzinza

Estou prestes a superar a barreira dos 24 anos. Me sinto velho, ranzinza, e com poucos motivos para continuar aguentando gente de quem eu não gosto (com uma forçosa exceção de meus futuros chefes e, com muita boa vontade, meus futuros colegas de trabalho). Por isso fiz uma lista daquilo que eu gosto e daquilo que eu não gosto em uma pessoa, com atenção especial para futuras companheiras.

Em ordem de importância:

Valores positivos:
- Ler;
- Trabalhar;
- Gostar de animais;
- Ser amante da natureza;
- Metaaaaaaaaal!
- Indie rock e variações;
- Good ol' Rock'n'Roll;
- Esquerda/progressismo político-econômico-social;
- Geek;
- Vida tranquila;
- Esportes;
- Esforço por vida saudável;
- Wit;
- Música clássica;
- Religiosidade como opção íntima.

Valores negativos:
- Posturas fascistas/conservadoras;
- Cigarro;
- Preguiça;
- Falta de ânimo para melhoria cultural/intelectual;
- Português errado;
- Religiosidade tapa-na-cara;
- Funk proibidão carioca;
- Pagode;
- Sertanejo;
- Party like there's no tomorrow!
- Efusividade;
- Agressividade contra animais e natureza;
- Blasée excessivo;
- Falta de sentimento de compromisso;
- Bebida excessiva;
- Pollyannismo.

5 de fevereiro de 2009

(In)Ativo!

Quando este blogueiro está sobre pressão, quem sofre é o blog.

Estamos com postagens intermitentes (leia-se devezemquandais) por pelo menos 2 meses.

1 de fevereiro de 2009

Grande Demais

As coisas no caso Cesare Battisti estão ficando grandes demais, e por causa do governo italiano. Afinal de contas, eu não consigo ver como tanto escarcéu pode ser feito por causa de um peixe pequeno do antigo PAC que, considerando que o processo italiano está correto, matou 4 pessoas. É como se os EUA fizessem uma guerra para prender um praça de um país qualquer que teve a infelicidade de dar uns tecos na pessoa errada.

Essa minha impressão é corroborada pela notícia de que os italianos estão mexendo os pauzinhos em Bruxelas, em busca de apoio político da União Européia para fazer pressão. Acho que, a princípio, é uma tremenda bola fora das Relações Exteriores do país, pois trata-se de algo que diz respeito única e exclusivamente ao governo italiano. Ninguém na Europa tem nada a ver com isso.

Não demora, não demora, e daqui a pouco teremos um novo "incidente Panther", semelhante ao ocorrido no início do século XX quando um navio de guerra alemão - o Panther - coloca seu destacamento de marinheiros nas ruas da cidade portuária de Itajaí, Santa Catarina, para prender um conscrito que havia desertado do serviço na referida nave. Forças armadas de um país não podem entrar em outro sem a autorização do respectivo governo (em tempos de paz, claro), e a competência para a captura de desertores é do país no qual o referido refugiou-se.

A decisão do Barão do Rio Branco e de Joaquim Nabuco, na época os principais nomes da diplomacia brasileira, foi exemplar, embora tenham cometido o mesmo erro da Itália - qual seja, o de convocar uma terceira força para servir de instrumento de pressão, qual seja, os EUA. A soberania do Brasil havia sido posta à prova, e a comunicação do Rio Branco disse muito sobre até onde o governo no Rio de Janeiro pretendia ir para fazer valer seus direitos: chegaram a levantar a possibilidade de por a Panther a pique, e depois veriam o que havia de se fazer.

29 de janeiro de 2009

Como Assassinar A Lógica

Quando se faz de tudo para defender uma tese que não necessariamente correta, um orador frequentemente lança mão de um recurso lógico não muito honesto conhecido como falácia. Basicamente, uma falácia é a distorção de um fato concreto de modo a adequar-se aos nossos interesses. Era muito utilizada por um grupo de oradores da Grécia antiga conhecidos como sofistas (que mais tarde viriam a tomar um cacete de discurso da parte daquele velho gordinho e de olho azul), e hoje em dia qualquer um que utilize-se desse discurso é chamado de sofista.

O título de sofista da semana aparentemente vai para Alexandre Garcia, repórter da Globo que cometeu uma pérola do assassinato à lógica ao propor duas situações absurdas quanto ao caso do italiano Cesare Battisti, a quem foi concedido asilo político em oposição à decisão da justiça italiana de condená-lo à prisão perpétua por assassinatos ocorridos nos "anos de chumbo", durante a década de 70. A situação ocorreu ontem, durante o Jornal Nacional.

Garcia começa enunciando a primeira hipotética situação, onde considera que os brasileiros não gostariam nada caso Fernandinho Beira-Mar recebesse asilo político na Itália. Depois, outra situação hipotética na qual Osama bin Laden receberia asilo político no Brasil por considerar-se seus crimes como tendo caráter político.

Na primeira situação, o repórter global comete uma falácia de associação, na qual uma associação apressada entre duas situações é feita com o intuito de provar-se um ponto de vista. Neste caso, os crimes de Beira-Mar não possuem nenhuma associação com os de Battisti: o primeiro responde principalmente por tráfico de entorpecentes, armas e homicídios ocorridos em associação com práticas criminosas largamente reconhecidas como tal. Já Battisti cometeu 4 homicídios dentro de um contexto de luta política, onde a tipificação do crime pode sofrer um viés político, ainda mais se considerarmos as leis de exceção vigentes na época.

Na segunda, Garcia comete uma falácia conhecida como tese irrelevante. Nesta falácia, apesar de a consideração levada em conta por Garcia ser válida (abrigar Osama bin Laden por crimes políticos é, de fato, uma atitude questionável), é no entanto irrelevante para a situação em questão: a situação de Battisti é totalmente distinta da situação de bin Laden, principalmente se levarmos em conta a motivação dos crimes.

Em tempo: eu ainda fui à final em Lógica durante a faculdade.

22 de janeiro de 2009

Espalhando A Boa Nova

Àqueles que, como eu, não falam italiano melhor que um ator da Globo em novela tosca, mas ainda assim se agradam do negócio: Bonny-Ed está de volta depois da pausa de final de ano!

19 de janeiro de 2009

Aí É Foda

Poutz, você deve estar se perguntando, mas esse cara não fala de outra coisa que não seja o conflito árabe-israelense? Mas se a questão está ali, na cara da gente, pedindo para ser comentada, meu caro leitor solitário, como é que eu vou ignorar?

Pelo menos eu tento colocar os fatos recolhidos de diversas fontes. Boa parte da blogoseira respeitável deste país também, basta dar uma olhada no blog do Idelber, que tá dando show. Ao contrário de gente que não confia no próprio taco e utiliza-se de metodologia "Kibeloco" para virar a mídia a seu favor. Da Folha Online:

Software israelense manobra opiniões na internet

Nem só de caças F-16 e mísseis teleguiados são feitos os ataques israelenses em Gaza. Uma arma em específico se destacou pela eficiência apresentada desde a escalada do conflito --e continuará sendo usada, mesmo após o cessar-fogo. Ela age nos bastidores da internet, modificando resultados de enquetes on-line, entupindo caixas de e-mails de autoridades e ajudando a protestar contra notícias desfavoráveis à comunidade israelense.

Como diria o matuto, "aí é foda".

15 de janeiro de 2009

Boa Demais Para Esperar

Ouvindo Dead Kennedys hoje à noite. Não teve como não achar isso aqui a cara de Ehud Olmert e Tzipora Livni.

"Kill The Poor"
Dead Kennedys

Efficiency and progress is ours once more
Now that we have the Neutron bomb
It's nice and quick and clean and gets things done
Away with excess enemy
But no less value to property
No sense in war but perfect sense at home:

The sun beams down on a brand new day
No more welfare tax to pay
Unsightly slums gone up in flashing light
Jobless millions whisked away
At last we have more room to play
All systems go to kill the poor tonight

Gonna
3x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!

Behold the sparkle of champagne
The crime rate's gone
Feel free again
O' life's a dream with you, Miss Lily White
Jane Fonda on the screen today
Convinced the liberals it's okay
So let's get dressed and dance away the night

While they:
6x Kill kill kill kill Kill the poor tonight!

Corre, Que O Melaço Vem Aí!

A historiografia está repleta de eventos bizarros e não usuais, como por exemplo o "Grande Fedor de Londres" no século XIX e a Guerra do Futebol em meados do século XX, entre Honduras e El Salvador. Mas acho que dessa vez achei algo que superou o meu conceito de bizarrice.

O Desastre de Melaço de Boston, ocorrido em 1919, matou 21 pessoas e feriu outras 150 quando um enorme tanque daquilo que aqui em Pernambuco nos convencionamos a chamar de "mel de engenho" estourou e alagou pela cintura diversos quarteirões próximos ao porto da cidade.

O mel de engenho estava lá para ser posteriormente destilado com o objetivo de produzir rum e álcool etílico para posterior adição a bebidas alcoólicas. Ao que parece, o tanque foi preenchido em excesso e fermentou, produzindo dióxido de carbono que estourou a estrutura do tanque, que não era das melhores.

Um jornalista da época faz uma descrição horrenda da situação, embora eu não tenha deixado de achar um tanto inusitada: segundo ele, os cavalos das ruas morreram presos à substância pegajosa, e ressaltou que quanto mais se mexiam, mais "ficavam presos como moscas em papel pega-moscas". As pessoas, idem.

Há quem diga que, até hoje, em dias muito quentes, o local fica cheirando ao cheiro doce do melaço...

13 de janeiro de 2009

Drops Da Mudança, USA E Mundo

Não deixa de ser irônico: a pianista que vai tocar na posse de Obama é uma venezuelana. Antes que digam que ela é uma refugiada da ditadura chavista, aviso logo: ela mora lá na Gringolândia desde 1980.

* * *

Não fosse suficiente a Chevrolet, caindo pelas taperas, lançar uma última cartada de um veículo tipo combustão/elétrico (ou seja, onde se pode rodar algumas dezenas de quilômetros só na bateria e o resto da viagem com um gerador flex) pra tentar se salvar, a Cadillac usa a plataforma da empresa mãe e lança um veículo de luxo ecologicamente "correto".

Parece que não vai adiantar muito: a GM já anunciou que vai se desfazer da SAAB por qualquer mil-réis. A Ford também quer se livrar da também sueca Volvo. Tivesse grana eu compraria as duas, embora ficasse um tanto bizarro juntar duas marcas rivais. Mas faria isso só pelo prazer de colocar a SAAB de volta nos ralis e a Volvo de volta nos GT's.

* * *

Parece que o único canto em que a mudança vai chegar vai ser Israel, e isso por conta do presidente da mudança. Não é fácil brigar com um lobby pró-sionista, mesmo com boa vontade. Pior para os israelenses.

10 de janeiro de 2009

Há Quem Explique?

Amanhã o Santa Cruz estréia no campeonato pernambucano contra o Sete de Setembro, na cidade de Garanhuns. Estamos vindo de uma humilhante derrota por 1 x 0 contra a seleção municipal de Ipojuca. Segundo o técnico Márcio Bittencourt, o vexaminoso placar deve ser atribuído à má forma física dos jogadores, que iniciaram o treinamento depois das férias no sábado passado.

Ainda assim, eu continuo confiante pra estréia do Santinha.

Alguém consegue entender o porquê? Poxa, o tricolor é hoje um time que só vive do passado, e de um passado distante. Nosso último título pernambucano é de 2005. Nossa melhor colocação num Brasileirão foi um quarto lugar na década de 70. Cantamos vitórias dessa época e do tri-supercampeonato de 1983! Ainda assim, o Santa Cruz tem uma das maiores torcidas do estado, senão a maior.

Avante, então. Tem coisas que só a paixão explica.