Fazia tempo que eu não lia o blog da senhorita Panarello, que por sinal não anda atualizando muito o blog. Deve estar ocupada. Enfim, uma das últimas ocorrências dela diz respeito à sua relação com o seu Moleskine, de companheiro de aventuras e de horas de relaxamento.
Um Moleskine é um invento de uma papelaria parisiense de fins do século XIX. Trata-se de um tipo de caderno brochura, com capa de couro (hoje em dia, sintético ou de plástico), onde ao abri-lo, as folhas permanecem sem curvas ou dobras. Elas ficam lá, retinhas, como se você estivesse escrevendo em um bloco de notas. Existem modelos pautados, quadriculados, ou o mais famoso, que não tem pauta nenhuma.
Muita gente famosa usava Moleskine. Lembro-me de pelo menos dois: Picasso e Ernest Hemingway. Muitos viajantes europeus do passado e presente ainda o usam para registrar um diário de viagem, em suas frequentes andanças de carona, indo de albergue da juventude a albergue da juventude. Podem ser notas, desenhos a bico de pena ou até mesmo aquarelas. Mas o uso mais comum é entre os estudantes.
Eu sou louco pra ter um Moleskine. Sentir a liberdade de escrever um pensamento da forma que eu quiser, com uma caneta tinteiro ou de gel, em uma caligrafia (camoniana, no dizer de um colega meu) na qual só eu sei que vou entender. Acadêmico, pessoal. E depois guardá-lo como lembrança, feliz ou não, de um determinado momento de minha vida.
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18 de abril de 2009
15 de janeiro de 2009
Corre, Que O Melaço Vem Aí!
A historiografia está repleta de eventos bizarros e não usuais, como por exemplo o "Grande Fedor de Londres" no século XIX e a Guerra do Futebol em meados do século XX, entre Honduras e El Salvador. Mas acho que dessa vez achei algo que superou o meu conceito de bizarrice.
O Desastre de Melaço de Boston, ocorrido em 1919, matou 21 pessoas e feriu outras 150 quando um enorme tanque daquilo que aqui em Pernambuco nos convencionamos a chamar de "mel de engenho" estourou e alagou pela cintura diversos quarteirões próximos ao porto da cidade.
O mel de engenho estava lá para ser posteriormente destilado com o objetivo de produzir rum e álcool etílico para posterior adição a bebidas alcoólicas. Ao que parece, o tanque foi preenchido em excesso e fermentou, produzindo dióxido de carbono que estourou a estrutura do tanque, que não era das melhores.
Um jornalista da época faz uma descrição horrenda da situação, embora eu não tenha deixado de achar um tanto inusitada: segundo ele, os cavalos das ruas morreram presos à substância pegajosa, e ressaltou que quanto mais se mexiam, mais "ficavam presos como moscas em papel pega-moscas". As pessoas, idem.
Há quem diga que, até hoje, em dias muito quentes, o local fica cheirando ao cheiro doce do melaço...
O Desastre de Melaço de Boston, ocorrido em 1919, matou 21 pessoas e feriu outras 150 quando um enorme tanque daquilo que aqui em Pernambuco nos convencionamos a chamar de "mel de engenho" estourou e alagou pela cintura diversos quarteirões próximos ao porto da cidade.
O mel de engenho estava lá para ser posteriormente destilado com o objetivo de produzir rum e álcool etílico para posterior adição a bebidas alcoólicas. Ao que parece, o tanque foi preenchido em excesso e fermentou, produzindo dióxido de carbono que estourou a estrutura do tanque, que não era das melhores.
Um jornalista da época faz uma descrição horrenda da situação, embora eu não tenha deixado de achar um tanto inusitada: segundo ele, os cavalos das ruas morreram presos à substância pegajosa, e ressaltou que quanto mais se mexiam, mais "ficavam presos como moscas em papel pega-moscas". As pessoas, idem.
Há quem diga que, até hoje, em dias muito quentes, o local fica cheirando ao cheiro doce do melaço...
3 de janeiro de 2009
Ensaios De História Alternativa
- Se os republicanos tivessem ganho a Guerra Civil Espanhola, seria muito provavelmente porque eles teriam contado com um apoio ao menos diplomático da Inglaterra, da França e dos EUA, além do soviético. A força que os liberais teriam no governo tornaria o país menos de esquerda do que normalmente se supõe, o que os levaria a uma social-democracia neutra estilo Suécia. Ah, e desta forma, talvez permanecessem neutros na Segunda Guerra Mundial. A derrota dos fascistas diminuiria o peso político de Alemanha e Itália, que para levar a cabo suas demandas territoriais recorreriam à força de uma forma muito mais enfática. E perderiam a guerra do mesmo jeito;
- Se durante a confusão na qual o Estado de Israel foi criado, em 1948, os vizinhos árabes tivessem devolvido os territórios da faixa de Gaza e a Cisjordânia para os palestinos, hoje teríamos um estado que seria menos joguete de Israel do que é hoje. E se Israel tivesse tomado uma lição mais decisiva em 1967 ou 73, talvez tivesse menos ganas de resolver tudo pela força hoje em dia (ou então simplesmente teríamos uma capital árabe destruída por uma bomba atômica, não sei...);
- Se Vargas não tivesse dado o golpe do Estado Novo em 1937, muito provavelmente o vitorioso nas eleições de 1942 ou 1946 seria fruto de uma coligação entre PTB, PSD e, talvez, o PCB. Mas o Brasil entraria na guerra de toda forma, e até com mais ganas de participar do que se estivesse com o gaúcho no poder. Seríamos uma democracia mais ou menos no estilo ocidental, com mais motivos para não gostar dos fascistas. Plínio Salgado tentaria um putsch com resultados piores que os que foram obtidos naquele que ele tentou contra Vargas. Olga Benário e Prestes provavelmente organizariam um regimento brasileiro pra lutar na Espanha.
Mas são só ensaios. Que outros exemplos os leitores poderiam dar de soluções alternativas para eventos da História?
- Se durante a confusão na qual o Estado de Israel foi criado, em 1948, os vizinhos árabes tivessem devolvido os territórios da faixa de Gaza e a Cisjordânia para os palestinos, hoje teríamos um estado que seria menos joguete de Israel do que é hoje. E se Israel tivesse tomado uma lição mais decisiva em 1967 ou 73, talvez tivesse menos ganas de resolver tudo pela força hoje em dia (ou então simplesmente teríamos uma capital árabe destruída por uma bomba atômica, não sei...);
- Se Vargas não tivesse dado o golpe do Estado Novo em 1937, muito provavelmente o vitorioso nas eleições de 1942 ou 1946 seria fruto de uma coligação entre PTB, PSD e, talvez, o PCB. Mas o Brasil entraria na guerra de toda forma, e até com mais ganas de participar do que se estivesse com o gaúcho no poder. Seríamos uma democracia mais ou menos no estilo ocidental, com mais motivos para não gostar dos fascistas. Plínio Salgado tentaria um putsch com resultados piores que os que foram obtidos naquele que ele tentou contra Vargas. Olga Benário e Prestes provavelmente organizariam um regimento brasileiro pra lutar na Espanha.
Mas são só ensaios. Que outros exemplos os leitores poderiam dar de soluções alternativas para eventos da História?
22 de outubro de 2008
A Peleja Do Rato Com A Dona Do Céu
Há quem diga que Fittipaldi foi um bom piloto de F-1, nos tempos áureos em que ainda existia uma equipe chamada Brabham usando o valente motor Cosworth DFV V8. Eu não vi essa fase da F-1 por motivos óbvios, já que seu último título na categoria foi em 1974. Numa época em que também existiam Jackie Stewart, Gilles Villeneuve e Phil Hill é meio difícil acreditar nisso, mas seus dois títulos mundiais são suficientes para calar minha boca arrogante.
Eu conheço um tanto melhor Clarice Lispector. Ok, conhecer é uma figura de linguagem. Mas como escritora ela era, de fato, hors concours. Qualquer livro que se leia dela é motivo para ficar pelo menos uns minutos procurando o chão. Quando eu li "A Paixão Segundo G.H.", fiquei alguns dias meio bobo, como se tivesse acabado de chegar na Terra.
O que haveria de sair de um encontro entre os dois?
Agora você sabe. E, por sinal, a primeira pergunta que ela fez ao Rato foi absurdamente intimidadora:
- Sobre o que você quer falar?
Talvez o piloto não soubesse exatamente o que viria pela frente, talvez ele nunca tivesse lido nada daquela senhora de olhos rasgados, língua presa e uma mão seca. Mas se eu estivesse frente a frente com ela e ela me perguntasse isso, eu juro que sairia correndo assustado gritando "Manhê, ela vai desvendar os mais profundos recônditos de minha alma!!!".
Eu conheço um tanto melhor Clarice Lispector. Ok, conhecer é uma figura de linguagem. Mas como escritora ela era, de fato, hors concours. Qualquer livro que se leia dela é motivo para ficar pelo menos uns minutos procurando o chão. Quando eu li "A Paixão Segundo G.H.", fiquei alguns dias meio bobo, como se tivesse acabado de chegar na Terra.
O que haveria de sair de um encontro entre os dois?
Agora você sabe. E, por sinal, a primeira pergunta que ela fez ao Rato foi absurdamente intimidadora:
- Sobre o que você quer falar?
Talvez o piloto não soubesse exatamente o que viria pela frente, talvez ele nunca tivesse lido nada daquela senhora de olhos rasgados, língua presa e uma mão seca. Mas se eu estivesse frente a frente com ela e ela me perguntasse isso, eu juro que sairia correndo assustado gritando "Manhê, ela vai desvendar os mais profundos recônditos de minha alma!!!".
1 de outubro de 2008
Historinha Críptica
(Eu ando mais misterioso do que o normal ultimamente, mas por favor dêem um desconto. É a minha forma de expressão em situações difíceis)
Um belo dia, eu acordei e não sabia o que havia feito. Estava com a sensação de "que merda é essa que eu fiz?". E, como é comum nestes casos, o remorso bateu com tanta força em mim que me deixou jogado pra baixo e com cara de bunda durante muito tempo.
Eu ainda tentei relativizar, em minha própria arrogância dizendo que a merda que eu havia feito não era tão grande e fedorenta assim. Dessa forma, eu estava negando a minha capacidade de cometer erros. Até que funcionou durante algum tempo.
Mas aí uma iluminação fantasmagórica do passado apareceu para cobrar o seu quinhão. E os meus sentimentos de remorso só aumentaram exponencialmente a partir desse ponto. Não pude tomar outra decisão senão concordar com aquele feixe de luz que incidia sobre mim.
Finalmente tomei uma decisão que iria causar dor em mim e em outras pessoas que infelizmente foram envolvidas nos meus erros. Eu espero viver feliz para sempre ao fim desse conturbado processo.
Um belo dia, eu acordei e não sabia o que havia feito. Estava com a sensação de "que merda é essa que eu fiz?". E, como é comum nestes casos, o remorso bateu com tanta força em mim que me deixou jogado pra baixo e com cara de bunda durante muito tempo.
Eu ainda tentei relativizar, em minha própria arrogância dizendo que a merda que eu havia feito não era tão grande e fedorenta assim. Dessa forma, eu estava negando a minha capacidade de cometer erros. Até que funcionou durante algum tempo.
Mas aí uma iluminação fantasmagórica do passado apareceu para cobrar o seu quinhão. E os meus sentimentos de remorso só aumentaram exponencialmente a partir desse ponto. Não pude tomar outra decisão senão concordar com aquele feixe de luz que incidia sobre mim.
Finalmente tomei uma decisão que iria causar dor em mim e em outras pessoas que infelizmente foram envolvidas nos meus erros. Eu espero viver feliz para sempre ao fim desse conturbado processo.
8 de setembro de 2008
Aberto Para Balanço
Quando eu me desiludo, normalmente eu fico numa ânsia tão grande de superar isso e dar a volta por cima que não raro eu perco o controle da situação e meto os pés pelas mãos. Mas também pode acontecer algo menos grave, como esquecer de tirar a moral da história. Pois então vamos lá:
- Há esperança para o mundo, sim. Ainda existe gente que balança a gente de uma forma legal, numa combinação de características que, acho, são semelhantes às melhores receitas. No meu caso, trata-se de independência, visão crítica de mundo misturada com idealismo e vontade de fazer algo útil, bom gosto cultural e fofura feminina, mas com uma pitada de blasé. A aparência? Sei lá, gira o gerador de probabilidades infinitas aí. Mas olhos claros e expressivos têm a preferência;
- Também é verdade que tem gente que é mais esperta que você em reconhecer o que existe de bom nas pessoas que coincidentemente você percebe que são o máximo, sensacionais, etc. Eles pegam as coisas rápido no ar e chegam primeiro. Ponto pra eles, mas custava aparecer uma situação assim pra mim?
- O mais triste de toda essa história: gente legal mora realmente longe. Sei lá, você pode morar em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque, Moscou. Mas por algum motivo bizonho a pessoa mais legal que você conhece em determinado momento mora em Tóquio, Sydney, Berlim, Johannesburgo, Buenos Aires.
- Há esperança para o mundo, sim. Ainda existe gente que balança a gente de uma forma legal, numa combinação de características que, acho, são semelhantes às melhores receitas. No meu caso, trata-se de independência, visão crítica de mundo misturada com idealismo e vontade de fazer algo útil, bom gosto cultural e fofura feminina, mas com uma pitada de blasé. A aparência? Sei lá, gira o gerador de probabilidades infinitas aí. Mas olhos claros e expressivos têm a preferência;
- Também é verdade que tem gente que é mais esperta que você em reconhecer o que existe de bom nas pessoas que coincidentemente você percebe que são o máximo, sensacionais, etc. Eles pegam as coisas rápido no ar e chegam primeiro. Ponto pra eles, mas custava aparecer uma situação assim pra mim?
- O mais triste de toda essa história: gente legal mora realmente longe. Sei lá, você pode morar em São Paulo, Rio de Janeiro, Paris, Nova Iorque, Moscou. Mas por algum motivo bizonho a pessoa mais legal que você conhece em determinado momento mora em Tóquio, Sydney, Berlim, Johannesburgo, Buenos Aires.
Ingredientes:
confeiteiro,
história,
relações humanas
19 de março de 2008
Derrotando Um Império
No ano em que se completa 40 anos da Ofensiva do Tet, quando os americanos realmente sentiram o peso dos vietnamitas, vale a pena dar uma boa olhada nesta entrevista concedida por um de seus principais artífices, o general Vo Nguyen Giap. A entrevista é de 1996, mas sempre é interessante principalmente em face dos últimos acontecimentos no Iraque. O melhor trecho, na minha opinião, é:
An 18-year-old girl once said that she followed routes every day and studied the patterns of American flights and when they would attack. I told her that she is a philosopher to understand that, because only philosophers talk about principles. Later she used small gun to shoot down an aircraft from a mountainside.
Ingredientes:
história,
política,
relações internacionais
15 de março de 2008
Chuck Norris Dos Anos 40
Um aspecto meio mórbido de minha personalidade diz respeito ao fato de gostar de saber sobre armas e táticas/estratégias de combate, embora eu não me sinta bem manejando as mesmas e ter plena consciência de que um campo de batalha não é exatamente um dos lugares mais salutares pra se estar. Mas o mesmo não se aplica tanto sobre armas brancas, e hoje eu estava lendo sobre um tipo de arma muito usada na Escócia do período medieval: a claymore, uma enorme e pesada espada cruciforme, tendo em média 1,40 m de comprimento e pesando 2,5 kg. Suas versões modernas (armas de infantaria usadas em combate corpo-a-corpo nos séculos XVIII e XIX), no entanto, tinham guarda e empunhadura semelhantes a um sabre esportivo moderno, além de serem menores e mais leves.
O último uso moderno conhecido destas claymores modernas foi por um certo Jack Churchill, oficial do exército inglês que serviu no teatro de operações da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A ficha corrida do sujeito é de impressionar: nascido na então colônia da Coroa de Hong Kong, serviu em um regimento real na Birmânia antes de completar 18 anos. Depois, viveu de bicos em filmes, fazendo papéis de suporte como gaiteiro de foles e arqueiro. Ao estourar a Guerra na Europa, alistou-se novamente, e chegou a participar da desastrosa retirada de Dunquerque. Foi então que ele resolveu se alistar em uma modalidade nova de treinamento de infantaria: só porque o treinamento parecia perigoso, resolveu ser voluntário nas primeiras turmas de commandos do exército inglês.
Churchill era conhecido por sua valentia em combate e por sua estranha preferência por arcos e flechas e a bendita claymore moderna, ao invés de fuzis e submetralhadoras. Foi condecorado diversas vezes por valentia, participando de batalhas na França, Noruega, Itália (em Salerno, capturou uma sentinela com a ajuda de um cabo armado apenas com um fuzil e forçou 3 pelotões e uma seção de morteiro a se render). Na Iugoslávia, ao auxiliar uma companhia de partisans comunistas a capturar uma guarnição nazista, avançou contra os inimigos apenas tocando uma gaita de foles. Foi capturado, é certo, mas isso não o impediu de continuar aprontando.
Depois de ser brutalmente torturado em Berlim, o nosso valente soldado é enviado ao campo de concentração de Sachsenhausen, mas as grades não seriam suficientes para segurá-lo: termina fugindo junto com um oficial da Força Aérea Real e só seriam recapturados a poucas milhas do Báltico, nas proximidades de Rostock, e da provável liberdade na Suécia. É mandado para Niederdorf, Áustria, de onde viria a fugir novamente no final da guerra e seria reintegrado ao front na Itália.
Terminado o conflito, Churchill torna-se instrutor militar na Austrália, onde conheceria algo que o ocuparia durante muito tempo no restante de sua vida militar, e além: o surfe. Sim, mesmo com seus 50 ou 60 anos, o dito cujo ainda arranjou tempo pra aprender a surfar, aprender a dar o shape de pranchas de surfe, e ser o primeiro a surfar na "pororoca" do rio Severn, na Inglaterra. Morreu em 96, aos 84 anos de idade, vividos com certeza intensamente.
Esse, com certeza, não ficou "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar".
P.S.: Duvida? Então saca só esse outro link aqui.
O último uso moderno conhecido destas claymores modernas foi por um certo Jack Churchill, oficial do exército inglês que serviu no teatro de operações da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A ficha corrida do sujeito é de impressionar: nascido na então colônia da Coroa de Hong Kong, serviu em um regimento real na Birmânia antes de completar 18 anos. Depois, viveu de bicos em filmes, fazendo papéis de suporte como gaiteiro de foles e arqueiro. Ao estourar a Guerra na Europa, alistou-se novamente, e chegou a participar da desastrosa retirada de Dunquerque. Foi então que ele resolveu se alistar em uma modalidade nova de treinamento de infantaria: só porque o treinamento parecia perigoso, resolveu ser voluntário nas primeiras turmas de commandos do exército inglês.
Churchill era conhecido por sua valentia em combate e por sua estranha preferência por arcos e flechas e a bendita claymore moderna, ao invés de fuzis e submetralhadoras. Foi condecorado diversas vezes por valentia, participando de batalhas na França, Noruega, Itália (em Salerno, capturou uma sentinela com a ajuda de um cabo armado apenas com um fuzil e forçou 3 pelotões e uma seção de morteiro a se render). Na Iugoslávia, ao auxiliar uma companhia de partisans comunistas a capturar uma guarnição nazista, avançou contra os inimigos apenas tocando uma gaita de foles. Foi capturado, é certo, mas isso não o impediu de continuar aprontando.
Depois de ser brutalmente torturado em Berlim, o nosso valente soldado é enviado ao campo de concentração de Sachsenhausen, mas as grades não seriam suficientes para segurá-lo: termina fugindo junto com um oficial da Força Aérea Real e só seriam recapturados a poucas milhas do Báltico, nas proximidades de Rostock, e da provável liberdade na Suécia. É mandado para Niederdorf, Áustria, de onde viria a fugir novamente no final da guerra e seria reintegrado ao front na Itália.
Terminado o conflito, Churchill torna-se instrutor militar na Austrália, onde conheceria algo que o ocuparia durante muito tempo no restante de sua vida militar, e além: o surfe. Sim, mesmo com seus 50 ou 60 anos, o dito cujo ainda arranjou tempo pra aprender a surfar, aprender a dar o shape de pranchas de surfe, e ser o primeiro a surfar na "pororoca" do rio Severn, na Inglaterra. Morreu em 96, aos 84 anos de idade, vividos com certeza intensamente.
Esse, com certeza, não ficou "com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar".
P.S.: Duvida? Então saca só esse outro link aqui.
30 de novembro de 2007
Tão Longe, Tão Perto
Nesta semana, um motim nas Filipinas liderado por soldados que enfrentavam julgamento por outro motim anteriormente ocorrido no início da década foi debelado por tropas do governo, que invadiram o hotel onde os amotinados estavam de uma maneira extremamente sutil: jogaram um blindado dentro do hall. Eles foram presos, juntamente com alguns jornalistas que cobriam o evento, e vão enfrentar outro processo militar.
Alguém aqui conhece a história das Filipinas desde a sua independência "formal" em 1898 e a "de facto" em 1946?
Como se sabe, as Filipinas, junto com Cuba e Porto Rico, foram alguns dos últimos bastiões do imperialismo espanhol fora do Marrocos, Saara Ocidental e da Guiné Equatorial. Foi aí que se tornaram o primeiro bastião do imperialismo americano, servindo como domínios de fato ainda que os ianques não gostassem muito de admitir que estavam fazendo o mesmo jogo dos europeus que fingiam ter ojeriza.
A questão é que os filipinos, desde alguns anos antes da guerra Hispano-Americana, já travavam uma luta de independência sangrenta, liderada pelo general Emilio Aguinaldo, uma espécie de Simon Bolívar do Sudeste Asiático. Só que a revolta, que se prolongou pelos primeiros anos de domínio americano, foi sufocada. As coisas ficaram relativamente na mesma até a Segunda Guerra e a invasão japonesa, que fez a parca administração norte-americana acabar de vez tendo em vista o esforço de guerra em outras partes do Pacífico. Sob muitos aspectos, os filipinos lutaram sozinhos e isso reacendeu o nacionalismo deles, que finalmente ganharam a independência em 1946.
Ganhar a independência, na verdade, é apenas uma maneira simpática de falar sobre os fatos. Os EUA deram apoio para sufocar rebeliões comunistas e islâmicas, mantendo no poder um calhorda como Ferdinand Marcos (sem esquecer de sua "adorável" Imelda, a dos trocentos pares de sapato). Em troca, Marcos deixou os EUA usarem o país como base de contenção do comunismo na região do Extremo Oriente. Isso não matou a guerrilha, que continuou a combater no meio das florestas e montanhas, nem a oposição, que ganhou novo alento com a liderança do líder exilado Benigno Aquino.
Num momento em que as pressões populares por redemocratização aumentaram, Marcos permitiu que Aquino voltasse ao país, embora ele fosse morto por um atirador praticamente na escada do avião. A esposa de Aquino, Corazón, retomou a luta pelo fim da ditadura e eventualmente conseguiu, vencendo as primeiras eleições e depois passando a faixa presidencial para Fidel Ramos, seguido depois pela atual presidente Gloria Arroyo.
Depois de ler essa história, eu fiquei impressionado em como eles poderiam perfeitamente ser uma república das bananas típica da América Central. Certo que falam o filipino, que pouco tem a ver com o espanhol, mas a sucessão de golpes, contra-golpes, guerrilhas rurais e intervenção americana, até mesmo um proto-caudilho na história...
Alguém aqui conhece a história das Filipinas desde a sua independência "formal" em 1898 e a "de facto" em 1946?
Como se sabe, as Filipinas, junto com Cuba e Porto Rico, foram alguns dos últimos bastiões do imperialismo espanhol fora do Marrocos, Saara Ocidental e da Guiné Equatorial. Foi aí que se tornaram o primeiro bastião do imperialismo americano, servindo como domínios de fato ainda que os ianques não gostassem muito de admitir que estavam fazendo o mesmo jogo dos europeus que fingiam ter ojeriza.
A questão é que os filipinos, desde alguns anos antes da guerra Hispano-Americana, já travavam uma luta de independência sangrenta, liderada pelo general Emilio Aguinaldo, uma espécie de Simon Bolívar do Sudeste Asiático. Só que a revolta, que se prolongou pelos primeiros anos de domínio americano, foi sufocada. As coisas ficaram relativamente na mesma até a Segunda Guerra e a invasão japonesa, que fez a parca administração norte-americana acabar de vez tendo em vista o esforço de guerra em outras partes do Pacífico. Sob muitos aspectos, os filipinos lutaram sozinhos e isso reacendeu o nacionalismo deles, que finalmente ganharam a independência em 1946.
Ganhar a independência, na verdade, é apenas uma maneira simpática de falar sobre os fatos. Os EUA deram apoio para sufocar rebeliões comunistas e islâmicas, mantendo no poder um calhorda como Ferdinand Marcos (sem esquecer de sua "adorável" Imelda, a dos trocentos pares de sapato). Em troca, Marcos deixou os EUA usarem o país como base de contenção do comunismo na região do Extremo Oriente. Isso não matou a guerrilha, que continuou a combater no meio das florestas e montanhas, nem a oposição, que ganhou novo alento com a liderança do líder exilado Benigno Aquino.
Num momento em que as pressões populares por redemocratização aumentaram, Marcos permitiu que Aquino voltasse ao país, embora ele fosse morto por um atirador praticamente na escada do avião. A esposa de Aquino, Corazón, retomou a luta pelo fim da ditadura e eventualmente conseguiu, vencendo as primeiras eleições e depois passando a faixa presidencial para Fidel Ramos, seguido depois pela atual presidente Gloria Arroyo.
Depois de ler essa história, eu fiquei impressionado em como eles poderiam perfeitamente ser uma república das bananas típica da América Central. Certo que falam o filipino, que pouco tem a ver com o espanhol, mas a sucessão de golpes, contra-golpes, guerrilhas rurais e intervenção americana, até mesmo um proto-caudilho na história...
28 de novembro de 2007
Bunda de Índio
Discussão na comunidade "Coisas da Diplomacia", no orkut, sobre o que ocorreria com Pernambuco caso o domínio holandês tivesse continuado. Não obstante Suriname e Indonésia já terem oferecidos ótimos exemplos, Rafael Galvão, aquele baiano, deu uma ótima dica do que aconteceria: muito provavelmente Salvador, que já foi ocupada pelos neerlandeses, se chamaria Johannesburg e ele teria que passar por um monte de preconceitos para ter intercurso sexual com alguma moça "de cor" e da bunda durinha. Há gente que teima em não acreditar, mas, num mundo onde tem gente que dá crédito ao Mídia Sem Máscara, tudo é possível.
Enfim, mas no meio da discussão tem um sujeito que aparece emulando uma escrita que se pretende ser a de um brasileiro que mora há muitos anos na Alemanha e teria supostamente esquecido muito da língua pátria, e fala, com uma propriedade doutoral, que as "pontes de Olinda foram construídas por Maurício de Nassau" e que "influências holandesas são percebidas na arquitetura da região de Serra Talhada".
* * *
Muito prazer. Meu nome agora é Viktor Veerhoeven, e descobri que minha ascendência européia é na verdade de um simpático vilarejozinho na região de Gelre. Falando nisso, vou embarcar semana que vem para assumir o polder da família, onde se cria vacas e se plantam tulipas. Pelo menos antes de o mar invadir tudo com o aquecimento global...
* * *
Vamos aos fatos:
- Relevando o erro de as pontes históricas de Pernambuco se localizarem na verdade no Recife, a ponte (isso, foi somente uma) que Maurício de Nassau construiu na verdade era de madeira e jamais poderia durar até os tempos modernos. A ponte mais antiga do Recife é a Princesa Isabel, aquela que vai dar no início da Rua da Concórdia, e foi construída no século XIX;
- Nem em sonho os holandeses chegaram tão para o interior ao ponto de sua influência se fazer sentir em Serra Talhada. Fosse assim, Arcoverde seria a Eindhoven do semi-árido. O máximo que eles chegaram, acho, foram aos pés da serra das Russas, e ainda assim sem povoamentos importantes. A influência européia que se faz sentir na maior parte do sertão nordestino é na verdade inglesa, fruto do intercâmbio cultural presente durante a implantação da ferrovia na região, em fins de período vitoriano. Ou nem isso. Mesmo as cercas de pedra de Triunfo e Venturosa, e que podem ser encontradas ainda em outros lugares (na fazenda de meu falecido avô mesmo tinha) eram provavelmente influência portuguesa, certamente mais seguro que enveredar por uma hipótese remota de ocupação holandesa no sertão.
Enfim, mas no meio da discussão tem um sujeito que aparece emulando uma escrita que se pretende ser a de um brasileiro que mora há muitos anos na Alemanha e teria supostamente esquecido muito da língua pátria, e fala, com uma propriedade doutoral, que as "pontes de Olinda foram construídas por Maurício de Nassau" e que "influências holandesas são percebidas na arquitetura da região de Serra Talhada".
* * *
Muito prazer. Meu nome agora é Viktor Veerhoeven, e descobri que minha ascendência européia é na verdade de um simpático vilarejozinho na região de Gelre. Falando nisso, vou embarcar semana que vem para assumir o polder da família, onde se cria vacas e se plantam tulipas. Pelo menos antes de o mar invadir tudo com o aquecimento global...
* * *
Vamos aos fatos:
- Relevando o erro de as pontes históricas de Pernambuco se localizarem na verdade no Recife, a ponte (isso, foi somente uma) que Maurício de Nassau construiu na verdade era de madeira e jamais poderia durar até os tempos modernos. A ponte mais antiga do Recife é a Princesa Isabel, aquela que vai dar no início da Rua da Concórdia, e foi construída no século XIX;
- Nem em sonho os holandeses chegaram tão para o interior ao ponto de sua influência se fazer sentir em Serra Talhada. Fosse assim, Arcoverde seria a Eindhoven do semi-árido. O máximo que eles chegaram, acho, foram aos pés da serra das Russas, e ainda assim sem povoamentos importantes. A influência européia que se faz sentir na maior parte do sertão nordestino é na verdade inglesa, fruto do intercâmbio cultural presente durante a implantação da ferrovia na região, em fins de período vitoriano. Ou nem isso. Mesmo as cercas de pedra de Triunfo e Venturosa, e que podem ser encontradas ainda em outros lugares (na fazenda de meu falecido avô mesmo tinha) eram provavelmente influência portuguesa, certamente mais seguro que enveredar por uma hipótese remota de ocupação holandesa no sertão.
23 de outubro de 2007
Volvo e Eu
Quadraaaaaaaaaaaaaado!!!
Nunca tive. (tá, essa foi infame)
Mas não por falta de vontade. Eu adoro marcas de automóveis, mas a Volvo AB (abreviatura de Aktiebolaget, o equivalente sueco de "S.A.") é uma das marcas pelo qual eu nutro um carinho especial, mesmo quando não merece: até bem pouco tempo atrás, os Volvo eram conhecidos pelo seu design quadrado, verdadeiros caixotes. Antes disso, quando tinham o design arredondado dos anos 50 e primeira metade dos 60, a Volvo chegou a lançar um esportivo extremamente simpático, o P1800, e vendeu bastante até. Mas não tinha apelo com seu público alvo: os jovens suecos da época o chamavam de "o esportivo dos velhos".
Fundada nos anos 20 como uma subsidiária da SKF, uma fabricante de peças, a Volvo fora anteriormente uma fabricante de rolamentos, mas mudou seu foco com a independência e a presidência de dois sujeitos, Assar Gabrielsson e Gustav Larson. O seu primeiro carro de sucesso surgiu no início dos anos 50 como uma alternativa para desovar chassis de vans subutilizados: nascia a primeira wagon da marca, a PV444. Desde os anos 40 a marca tem uma reputação de confiabilidade e vanguarda no uso de equipamentos de segurança.
A divisão de automóveis da Volvo foi vendida à Ford em 1999, ficando os caminhões, motores (inclusive turbinas de aviação) e máquinas de construção com o grupo original. No entanto, a marca manteve muito de sua segurança e, verdade seja dita, melhorou bastante em termos de design. Há quem goste dos caixotes dos anos 70, 80 e 90. Mas não é nada condizente com os tempos atuais (economia de combustível, maior eficiência aerodinâmica) e com a própria imagem de segurança da marca manter um farol quadrado (ou até mesmo um duplo farol redondo, parecendo uma carreta) ou um ângulo quase reto no pára-brisas.
Os rumores sobre a venda da Volvo Cars (e de todo o grupo PAG, que inclui ainda a Jaguar e a Land Rover) continuam, com a família Wallenberg, sueca, despontando na frente como potenciais candidatos. Nada mais justo, uma vez que isso tornaria a marca novamente pertencente à terra do rei Carl Gustav e manteria o uso de plataformas da Ford. Enquanto isso, eu continuo com sonhos de mulher, filhos, e uma V50 com motor flex na garagem.
10 de setembro de 2007
People's General
Semana passada, parece que o novo Ministro da Defesa, o sr. Nelson Jobim, começou a realmente mostrar a que veio. Para aqueles mais preguiçosos em clicar nos links, eu explico:
O mais recente livro governamental documentando casos de torturas e desaparecimentos durante os anos de ditadura militar (1964-1985) gerou um tremendo mal-estar dentro das casernas, e com razão, ao menos para estes. Ninguém gosta de revelar os esqueletos que guarda no armário, não é verdade? Mas o atual comandante do Exército foi além e divulgou uma nota repudiando firmemente a lei da Anistia política, instrumento criado com a intenção de "zerar o jogo" para ambos os lados, prescrevendo os crimes cometidos por organismos de resistência à ditadura, pessoas acusadas de crimes políticos, e, hã, bem, agentes oficiais ou a serviço do governo da época em ações de repressão à oposição. Curioso, não?
A iniciativa do governo, que faz uma mea-culpa do Estado brasileiro, foi vista dentro dos quartéis como sendo um primeiro passo rumo aos julgamentos dos diretamente envolvidos nos diversos crimes de ruptura da liberdade de expressão e pensamento político, tortura e assassinatos. Vendo a carta dos homens de farda, Jobim não teve dúvidas e ameaçou o general de Exército Enzo Martins Peri com a exoneração do cargo. Parece que o quatro-estrelas abaixou o facho depois dessa. Uns mais alarmistas dizem que ele está fulo de raiva a ponto de organizar um golpe, mas eu duvido. Principalmente depois que o diretor da famigerada ESG convidou João Pedro Stédile, há alguns anos atrás, para fazer uma palestra sobre a questão fundiária para diversos oficiais de alta patente. E, na visão de um importante historiador (embora se conteste na visão de quem), este é na verdade o primeiro passo para a completa superação de nossos traumas políticos da segunda metade do século XX.
O mais recente livro governamental documentando casos de torturas e desaparecimentos durante os anos de ditadura militar (1964-1985) gerou um tremendo mal-estar dentro das casernas, e com razão, ao menos para estes. Ninguém gosta de revelar os esqueletos que guarda no armário, não é verdade? Mas o atual comandante do Exército foi além e divulgou uma nota repudiando firmemente a lei da Anistia política, instrumento criado com a intenção de "zerar o jogo" para ambos os lados, prescrevendo os crimes cometidos por organismos de resistência à ditadura, pessoas acusadas de crimes políticos, e, hã, bem, agentes oficiais ou a serviço do governo da época em ações de repressão à oposição. Curioso, não?
A iniciativa do governo, que faz uma mea-culpa do Estado brasileiro, foi vista dentro dos quartéis como sendo um primeiro passo rumo aos julgamentos dos diretamente envolvidos nos diversos crimes de ruptura da liberdade de expressão e pensamento político, tortura e assassinatos. Vendo a carta dos homens de farda, Jobim não teve dúvidas e ameaçou o general de Exército Enzo Martins Peri com a exoneração do cargo. Parece que o quatro-estrelas abaixou o facho depois dessa. Uns mais alarmistas dizem que ele está fulo de raiva a ponto de organizar um golpe, mas eu duvido. Principalmente depois que o diretor da famigerada ESG convidou João Pedro Stédile, há alguns anos atrás, para fazer uma palestra sobre a questão fundiária para diversos oficiais de alta patente. E, na visão de um importante historiador (embora se conteste na visão de quem), este é na verdade o primeiro passo para a completa superação de nossos traumas políticos da segunda metade do século XX.
25 de julho de 2007
Rezando pra Franco
O Hermenauta postou uma ótima notícia sobre a opinião da elite/classe média e dos pobres do Brasil sobre o acidente de Congonhas. Ela revela muita coisa sobre aquilo que muita gente está chamando de ampliação do abismo social existente entre ambas as classes, embora uma detenha a maior parte das riquezas do país e a outra... bom, a outra detém o resto.
Uma discussão também estava rolando em uma comunidade do Orkut da qual faço parte, o Botequim Socialista. Nessa discussão, as pessoas comentavam, inclusive de maneira assustada, o quanto essa parcela da sociedade anda defendendo valores como moral (conservadora), família (conservadora), propriedade (conservadora) e Deus (esse serve tanto a gregos quanto a troianos). A defesa de livre mercado, sinto informar aos liberais de plantão, é mero acessório, uma vez que se abraça qualquer ideologia de mercado que esteja em consonância com os outros itens acima citados (muita gente considerou Perón de esquerda, e sem falar naquela pendenga ainda não resolvida do nazismo ser de esquerda).
Basta ter um mínimo de conhecimentos de História mundial para saber o que rolou na Espanha pouco antes da guerra civil. Os republicanos viviam um momento de disputas internas dentro do governo, em grande parte causada pela ampla frente que formaram (a grande maioria de socialistas, comunistas e anarco-socialistas, mas os liberais espanhóis também estavam lá). Parece que esse governo também não sabia muito bem o que fazer, ou o que priorizar. Aí, no meio do turbilhão, surge o baixinho galego líder de um grupo conhecido como a Falange, que se revolta com uma guarnição do Exército no Marrocos espanhol. Ele vinha com uma conversa estranha de defesa de Deus, Pátria, Família etc. O resto a gente já sabe.
Eu achava antes que nós estávamos era à beira de uma Revolução Francesa, com o povo adquirindo consciência de "povo" mesmo, e uma elite assustada com medo de perder benefícios. Mas parece que as coisas rumam para um ciclo mais recente da História e de seu motor, a boa e velha luta de classes preferida do velho barbudo.
Uma discussão também estava rolando em uma comunidade do Orkut da qual faço parte, o Botequim Socialista. Nessa discussão, as pessoas comentavam, inclusive de maneira assustada, o quanto essa parcela da sociedade anda defendendo valores como moral (conservadora), família (conservadora), propriedade (conservadora) e Deus (esse serve tanto a gregos quanto a troianos). A defesa de livre mercado, sinto informar aos liberais de plantão, é mero acessório, uma vez que se abraça qualquer ideologia de mercado que esteja em consonância com os outros itens acima citados (muita gente considerou Perón de esquerda, e sem falar naquela pendenga ainda não resolvida do nazismo ser de esquerda).
Basta ter um mínimo de conhecimentos de História mundial para saber o que rolou na Espanha pouco antes da guerra civil. Os republicanos viviam um momento de disputas internas dentro do governo, em grande parte causada pela ampla frente que formaram (a grande maioria de socialistas, comunistas e anarco-socialistas, mas os liberais espanhóis também estavam lá). Parece que esse governo também não sabia muito bem o que fazer, ou o que priorizar. Aí, no meio do turbilhão, surge o baixinho galego líder de um grupo conhecido como a Falange, que se revolta com uma guarnição do Exército no Marrocos espanhol. Ele vinha com uma conversa estranha de defesa de Deus, Pátria, Família etc. O resto a gente já sabe.
Eu achava antes que nós estávamos era à beira de uma Revolução Francesa, com o povo adquirindo consciência de "povo" mesmo, e uma elite assustada com medo de perder benefícios. Mas parece que as coisas rumam para um ciclo mais recente da História e de seu motor, a boa e velha luta de classes preferida do velho barbudo.
10 de julho de 2007
Uma Nova Tradição de Hot-Rods Brasileiros
Design e tecnologia italianas, por incrível que pareça
Arnaldo Tenório, contribuidor das discussões do grupo Ágora (link ao lado), é um dos maiores entusiastas de recuperação de carros antigos que eu conheço, comigo incluso. Ele tinha em mente um projeto no mínimo tentador, e que envolvia o veículo acima ilustrado. O FIAT 147, um dos maiores sucessos de venda da fábrica de Turim, foi fabricado não só na Itália, mas em uma série de países de Terceiro Mundo, como Brasil, Argentina e Turquia. Além disso, cedeu seus préstimos à SEAT espanhola, à Zastava iugoslava e à Lada soviética, onde sobrevive até hoje como aquele carrinho quadradão que era vendido aqui sob o nome de 1300.
Ele gostaria de preparar um Fiat desses, de preferência com a frente utilizada pelos idos de 1980, usando um motor Fiasa 1.5 com injeção multiponto, o mesmo utilizado até bem pouco tempo na família Palio e Fiorino. Mantendo igualmente a caixa de marchas e o escapamento do Fiasa, ainda que preparado para sair um som "bonito", receberia novo estofamento, rodas, pneus, uma suspensão mais elevada e um improviso no protetor de cárter. Pronto: um ótimo carro de rali, com relação peso/potência invejável, está pronto para encarar as trilhas.
Eu ainda faria mais. Acho que, na minha mente doentia, tem um plano de tuning (no meu caso é afinação mesmo, não transformar um carro em árvore de natal) para cada clássico brasileiro, mas não escondo minhas preferência por modelos refrigerados a água. E detalhe, todos eles usariam álcool, já que eu sou uma criatura ecologicamente correta:
Volkswagen Passat: utilizando um dos primeiros modelos, 1975, envolveria a colocação de rodas semelhantes às utilizadas nos veículos de rali (Sportline é o fabricante), uma suspensão mais rígida ou até mesmo regulável, a troca da caixa de mudanças por uma de 5 velocidades, e a alteração mais importante: a colocação de um motor AP1800 Mi. A carroceria seria mantida mais ou menos da mesma forma que a original;
Chevrolet Opala: De preferência um modelo coupé 1980. Eu tenho um especial fetiche pelas caixas de 3 marchas acionadas na coluna de direção, mas para os meus propósitos seria mais interessante uma de 5 marchas. O motor seria o venerável 4.1 "seis canecos", seja o do Omega ou um mais recente com injeção Bosch K-Jetronic. A preparação externa seria feita de modo a lembrar o último SS a sair da linha de produção, embora o acabamento interior teria de ter obrigatoriamente uma coloração bege quase areia. Detalhes em couro sintético;
Ford Corcel I: Alguém é louco de preparar o Windsor 302 V8 do Maverick pra andar com álcool? Por isso que, na Ford, escolho o Corcel I. Na prática, todo Corcel tem um quê de Renault das décadas de 60 e 70 (a Willys, que fabricava modelos Renault licenciados por aqui, foi comprada pela Ford em 1968), e por tabela dos clássicos Alpine franceses que tinham um ar da beira-mar de St. Tropez, com direito a Brigitte Bardot e tudo. Por isso usaria um sedã duas portas com a tradicional pintura azul-geladeira, só que um pouco mais escura. Capô, teto e tampa do porta malas seriam pintados de preto em três camadas. Os bancos, em couro sintético preto. Entra a caixa de mudanças do Del Rey, de 5 marchas. Se desse pra adaptar, entra o motor AP1800 Mi, já utilizado nos Versailles. Se não, a mesma solução do Opala: injeção Bosch. Os pneus seriam de perfil alto em rodas de aro 14.
Com qualquer 15 mil "conto" eu faço o projeto. O problema é justamente a grana aparecer. Enquanto isso, eu fico no suspiro.
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