Fiz o meu cadastro no Gravatar, aquele site que gera um avatar automático e reconhecido globalmente por todos que tenham o link para sua imagenzinha nas caixas de comentário dos blogs.
Só que o meu só tem o avatar do Blogger, nada de Gravatar.
Algum conhecido meu e leitor deste blog sabe como se coloca o serviço aqui, e topa fazer pra mim "na faixa"? Hein? Hein?
4 de dezembro de 2007
3 de dezembro de 2007
Lições, Todos Os Dias
Chávez perdeu o referendo no qual havia proposto, entre outras coisas, a possibilidade de o presidente venezuelano ser reeleito para quantos mandatos quisesse. Há diversos indícios de que os partidários chavistas mais moderados, e ligados ao grupo político do seu ex-ministro da defesa, podem ter votado contra a proposta. Chávez, para surpresa de seus opositores na direita venezuelana, concedeu a derrota.
Sobre isso:
- É provável que o grupo chavista moderado, mas que ao mesmo tempo dá mostras de querer um movimento socialista venezuelano descolado da imagem de Chávez, tenha feito isso justamente para reforçar sua posição, com o intuito também de não queimar de vez sua imagem para com a opinião pública internacional que por muito menos já estava afirmando a existência de campos de concentração nos llanos;
- Como dito anteriormente, Chávez, ao reconhecer a derrota, calou a boca de muita gente, e deu mostras de maturidade, ao perceber claramente que deu um passo maior que as pernas. O problema é que, verdade seja dita, Chávez tem as idéias certas mas expressa de maneira errada. Pessoalmente, acho que ele ficou desbocado assim principalmente depois do golpe de 2002. Tivesse ficado quieta no canto dela e deixado o jogo democrático continuar a tomar o seu rumo, e teriam evitado aquele papelão ridículo.
Sobre isso:
- É provável que o grupo chavista moderado, mas que ao mesmo tempo dá mostras de querer um movimento socialista venezuelano descolado da imagem de Chávez, tenha feito isso justamente para reforçar sua posição, com o intuito também de não queimar de vez sua imagem para com a opinião pública internacional que por muito menos já estava afirmando a existência de campos de concentração nos llanos;
- Como dito anteriormente, Chávez, ao reconhecer a derrota, calou a boca de muita gente, e deu mostras de maturidade, ao perceber claramente que deu um passo maior que as pernas. O problema é que, verdade seja dita, Chávez tem as idéias certas mas expressa de maneira errada. Pessoalmente, acho que ele ficou desbocado assim principalmente depois do golpe de 2002. Tivesse ficado quieta no canto dela e deixado o jogo democrático continuar a tomar o seu rumo, e teriam evitado aquele papelão ridículo.
30 de novembro de 2007
Tão Longe, Tão Perto
Nesta semana, um motim nas Filipinas liderado por soldados que enfrentavam julgamento por outro motim anteriormente ocorrido no início da década foi debelado por tropas do governo, que invadiram o hotel onde os amotinados estavam de uma maneira extremamente sutil: jogaram um blindado dentro do hall. Eles foram presos, juntamente com alguns jornalistas que cobriam o evento, e vão enfrentar outro processo militar.
Alguém aqui conhece a história das Filipinas desde a sua independência "formal" em 1898 e a "de facto" em 1946?
Como se sabe, as Filipinas, junto com Cuba e Porto Rico, foram alguns dos últimos bastiões do imperialismo espanhol fora do Marrocos, Saara Ocidental e da Guiné Equatorial. Foi aí que se tornaram o primeiro bastião do imperialismo americano, servindo como domínios de fato ainda que os ianques não gostassem muito de admitir que estavam fazendo o mesmo jogo dos europeus que fingiam ter ojeriza.
A questão é que os filipinos, desde alguns anos antes da guerra Hispano-Americana, já travavam uma luta de independência sangrenta, liderada pelo general Emilio Aguinaldo, uma espécie de Simon Bolívar do Sudeste Asiático. Só que a revolta, que se prolongou pelos primeiros anos de domínio americano, foi sufocada. As coisas ficaram relativamente na mesma até a Segunda Guerra e a invasão japonesa, que fez a parca administração norte-americana acabar de vez tendo em vista o esforço de guerra em outras partes do Pacífico. Sob muitos aspectos, os filipinos lutaram sozinhos e isso reacendeu o nacionalismo deles, que finalmente ganharam a independência em 1946.
Ganhar a independência, na verdade, é apenas uma maneira simpática de falar sobre os fatos. Os EUA deram apoio para sufocar rebeliões comunistas e islâmicas, mantendo no poder um calhorda como Ferdinand Marcos (sem esquecer de sua "adorável" Imelda, a dos trocentos pares de sapato). Em troca, Marcos deixou os EUA usarem o país como base de contenção do comunismo na região do Extremo Oriente. Isso não matou a guerrilha, que continuou a combater no meio das florestas e montanhas, nem a oposição, que ganhou novo alento com a liderança do líder exilado Benigno Aquino.
Num momento em que as pressões populares por redemocratização aumentaram, Marcos permitiu que Aquino voltasse ao país, embora ele fosse morto por um atirador praticamente na escada do avião. A esposa de Aquino, Corazón, retomou a luta pelo fim da ditadura e eventualmente conseguiu, vencendo as primeiras eleições e depois passando a faixa presidencial para Fidel Ramos, seguido depois pela atual presidente Gloria Arroyo.
Depois de ler essa história, eu fiquei impressionado em como eles poderiam perfeitamente ser uma república das bananas típica da América Central. Certo que falam o filipino, que pouco tem a ver com o espanhol, mas a sucessão de golpes, contra-golpes, guerrilhas rurais e intervenção americana, até mesmo um proto-caudilho na história...
Alguém aqui conhece a história das Filipinas desde a sua independência "formal" em 1898 e a "de facto" em 1946?
Como se sabe, as Filipinas, junto com Cuba e Porto Rico, foram alguns dos últimos bastiões do imperialismo espanhol fora do Marrocos, Saara Ocidental e da Guiné Equatorial. Foi aí que se tornaram o primeiro bastião do imperialismo americano, servindo como domínios de fato ainda que os ianques não gostassem muito de admitir que estavam fazendo o mesmo jogo dos europeus que fingiam ter ojeriza.
A questão é que os filipinos, desde alguns anos antes da guerra Hispano-Americana, já travavam uma luta de independência sangrenta, liderada pelo general Emilio Aguinaldo, uma espécie de Simon Bolívar do Sudeste Asiático. Só que a revolta, que se prolongou pelos primeiros anos de domínio americano, foi sufocada. As coisas ficaram relativamente na mesma até a Segunda Guerra e a invasão japonesa, que fez a parca administração norte-americana acabar de vez tendo em vista o esforço de guerra em outras partes do Pacífico. Sob muitos aspectos, os filipinos lutaram sozinhos e isso reacendeu o nacionalismo deles, que finalmente ganharam a independência em 1946.
Ganhar a independência, na verdade, é apenas uma maneira simpática de falar sobre os fatos. Os EUA deram apoio para sufocar rebeliões comunistas e islâmicas, mantendo no poder um calhorda como Ferdinand Marcos (sem esquecer de sua "adorável" Imelda, a dos trocentos pares de sapato). Em troca, Marcos deixou os EUA usarem o país como base de contenção do comunismo na região do Extremo Oriente. Isso não matou a guerrilha, que continuou a combater no meio das florestas e montanhas, nem a oposição, que ganhou novo alento com a liderança do líder exilado Benigno Aquino.
Num momento em que as pressões populares por redemocratização aumentaram, Marcos permitiu que Aquino voltasse ao país, embora ele fosse morto por um atirador praticamente na escada do avião. A esposa de Aquino, Corazón, retomou a luta pelo fim da ditadura e eventualmente conseguiu, vencendo as primeiras eleições e depois passando a faixa presidencial para Fidel Ramos, seguido depois pela atual presidente Gloria Arroyo.
Depois de ler essa história, eu fiquei impressionado em como eles poderiam perfeitamente ser uma república das bananas típica da América Central. Certo que falam o filipino, que pouco tem a ver com o espanhol, mas a sucessão de golpes, contra-golpes, guerrilhas rurais e intervenção americana, até mesmo um proto-caudilho na história...
29 de novembro de 2007
Top 5 Anime
Aquela italiana parece que está numa creativity spree, dado a produção de posts interessantes nesta semana. Ela fez um post recente sobre os melhores animes de sua época, filmes e séries. E comprovou o que eu pensava: italianos e franceses tinham acesso a mais animes legais durante a década de 80 que nós. Eu vou fazer uma listinha, só que como eu não acompanhei muitos animes durante minha vida, eu vou ficar em uma categoria só, e coloco mais um que eu adoraria ver. Aí vai.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
5. Lupin Sansei: Um dos primeiros animes lançados, foi revolucionário para a época por abordar abertamente temas como sexualidade e violência sob uma perspectiva glamourosa. Reinaldo Azevedo ia cair pra trás se visse. O fato é que conta a história de um ladrão internacional, membro de uma família tradicional de ladrões com origem na França, sendo ele o terceiro da linhagem (por isso o Sansei = terceira geração). Além do mais era divertidíssimo, contando as tentativas do mesmo de comer uma peituda chamada Fujiko e terminando pelado e "na mão", mostrando as pernas magrelas e cabeludas.
4. Bleach: Um dos poucos animes modernos que conseguiu chamar a minha atenção, devido à sua visão espiritualista que se aproxima da minha própria cosmovisão. Trata da história de Ichigo Kurosaki, um médium consciente que de repente encontra uma shinigami (espécie de guia de almas) encarregada de combater espíritos malévolos, chamados de hollows devido aos vazios em suas vidas post-mortem. Ao derrotar um hollow, um shinigami efetua o konsou nas almas, limpando-as dos crimes e enviando para um lugar melhor... isso se o cara não for muito ruim, senão pega a Highway to Hell... As sequências de artes marciais são ótimas, eletrizantes.
3. Neon Genesis Evangelion: De longe, um dos animes mais profundos que eu já assisti. Da primeira vez que eu vi a série completa (inclusive aquele final extremamente controverso) eu fiquei com as questões apresentadas martelando minha cabeça um bom tempo. Para quem não conhece, é a história de um grupo de adolescentes num futuro semi-pós-apocalíptico em que precisam combater estranhos extra-terrestres que ameaçam a existência humana na Terra. Pior: o Apocalipse referido nas sagradas escrituras referia-se aos próprios...
2. Macross: Eu adoro o traço dos animes dos anos 70 e 80, tanto dos personagens quanto das estruturas. E nesse caso aqui, ambos são belíssimos, especialmente o primeiro filme de Macross com aqueles caças VF-1 com Jolly Rogers nos lemes... enfim, sem desviar-se do assunto, trata igualmente de um embate envolvendo humanidade e aliens, sendo que esses aliens são humanóides com 15 metros de altura, o que força o desenvolvimento de novos caças-robô humanóides para enfrentar essa ameaça.
1. Saint Seiya: E precisa dizer mais? Saint Seiya é hors-concours pra muita gente em todo o Brasil, marcando a mente de um monte de pré-adolescentes, principalmente em 94, 95 e 96. O desenho de Masami Kurumada é simplesmente lindo, e a temática até hoje empolga. Tem uma colega minha que falou pra todo mundo na nossa sala da faculdade que achava Shiryu de Dragão a coisa mais linda do mundo, com aquele longo cabelão... Eu preferia ver os socos e pontapés, bem como a superação constante de limites.
O que eu queria ver: Não é bem ver, é ler mesmo. A obra prima de Osamu Tezuka, precursor de quase todos os mangás e animes hoje existentes. Phoenix foi publicada dos anos 60 até os últimos dias de Tezuka-sama, e tratava de um dos mais contundentes temas já trabalhados em HQ: a busca pelo poder e pela imortalidade, personificados na figura da mítica ave que ressurge das cinzas quando queimada até a morte. O panorama da humanidade é traçado em toda a obra, 12 livros no total, desde os seus primórdios civilizatórios até o seu derradeiro momento no Universo. Tudo isto descrito de uma maneira a levar lágrimas aos olhos.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
cultura,
literatura
28 de novembro de 2007
Bunda de Índio
Discussão na comunidade "Coisas da Diplomacia", no orkut, sobre o que ocorreria com Pernambuco caso o domínio holandês tivesse continuado. Não obstante Suriname e Indonésia já terem oferecidos ótimos exemplos, Rafael Galvão, aquele baiano, deu uma ótima dica do que aconteceria: muito provavelmente Salvador, que já foi ocupada pelos neerlandeses, se chamaria Johannesburg e ele teria que passar por um monte de preconceitos para ter intercurso sexual com alguma moça "de cor" e da bunda durinha. Há gente que teima em não acreditar, mas, num mundo onde tem gente que dá crédito ao Mídia Sem Máscara, tudo é possível.
Enfim, mas no meio da discussão tem um sujeito que aparece emulando uma escrita que se pretende ser a de um brasileiro que mora há muitos anos na Alemanha e teria supostamente esquecido muito da língua pátria, e fala, com uma propriedade doutoral, que as "pontes de Olinda foram construídas por Maurício de Nassau" e que "influências holandesas são percebidas na arquitetura da região de Serra Talhada".
* * *
Muito prazer. Meu nome agora é Viktor Veerhoeven, e descobri que minha ascendência européia é na verdade de um simpático vilarejozinho na região de Gelre. Falando nisso, vou embarcar semana que vem para assumir o polder da família, onde se cria vacas e se plantam tulipas. Pelo menos antes de o mar invadir tudo com o aquecimento global...
* * *
Vamos aos fatos:
- Relevando o erro de as pontes históricas de Pernambuco se localizarem na verdade no Recife, a ponte (isso, foi somente uma) que Maurício de Nassau construiu na verdade era de madeira e jamais poderia durar até os tempos modernos. A ponte mais antiga do Recife é a Princesa Isabel, aquela que vai dar no início da Rua da Concórdia, e foi construída no século XIX;
- Nem em sonho os holandeses chegaram tão para o interior ao ponto de sua influência se fazer sentir em Serra Talhada. Fosse assim, Arcoverde seria a Eindhoven do semi-árido. O máximo que eles chegaram, acho, foram aos pés da serra das Russas, e ainda assim sem povoamentos importantes. A influência européia que se faz sentir na maior parte do sertão nordestino é na verdade inglesa, fruto do intercâmbio cultural presente durante a implantação da ferrovia na região, em fins de período vitoriano. Ou nem isso. Mesmo as cercas de pedra de Triunfo e Venturosa, e que podem ser encontradas ainda em outros lugares (na fazenda de meu falecido avô mesmo tinha) eram provavelmente influência portuguesa, certamente mais seguro que enveredar por uma hipótese remota de ocupação holandesa no sertão.
Enfim, mas no meio da discussão tem um sujeito que aparece emulando uma escrita que se pretende ser a de um brasileiro que mora há muitos anos na Alemanha e teria supostamente esquecido muito da língua pátria, e fala, com uma propriedade doutoral, que as "pontes de Olinda foram construídas por Maurício de Nassau" e que "influências holandesas são percebidas na arquitetura da região de Serra Talhada".
* * *
Muito prazer. Meu nome agora é Viktor Veerhoeven, e descobri que minha ascendência européia é na verdade de um simpático vilarejozinho na região de Gelre. Falando nisso, vou embarcar semana que vem para assumir o polder da família, onde se cria vacas e se plantam tulipas. Pelo menos antes de o mar invadir tudo com o aquecimento global...
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Vamos aos fatos:
- Relevando o erro de as pontes históricas de Pernambuco se localizarem na verdade no Recife, a ponte (isso, foi somente uma) que Maurício de Nassau construiu na verdade era de madeira e jamais poderia durar até os tempos modernos. A ponte mais antiga do Recife é a Princesa Isabel, aquela que vai dar no início da Rua da Concórdia, e foi construída no século XIX;
- Nem em sonho os holandeses chegaram tão para o interior ao ponto de sua influência se fazer sentir em Serra Talhada. Fosse assim, Arcoverde seria a Eindhoven do semi-árido. O máximo que eles chegaram, acho, foram aos pés da serra das Russas, e ainda assim sem povoamentos importantes. A influência européia que se faz sentir na maior parte do sertão nordestino é na verdade inglesa, fruto do intercâmbio cultural presente durante a implantação da ferrovia na região, em fins de período vitoriano. Ou nem isso. Mesmo as cercas de pedra de Triunfo e Venturosa, e que podem ser encontradas ainda em outros lugares (na fazenda de meu falecido avô mesmo tinha) eram provavelmente influência portuguesa, certamente mais seguro que enveredar por uma hipótese remota de ocupação holandesa no sertão.
27 de novembro de 2007
Conquista?
Esta semana, relatório do PNUD aponta que o Brasil alcançou pela primeira vez a faixa de alto desenvolvimento humano do IDH, o índice de desenvolvimento humano, que entre outras coisas mede a taxa de analfabetismo, a expectativa de vida e a renda per capita de uma população. Mas, ironia do destino, mais países atingiram a mesma faixa e o Brasil acabou caindo da 69ª para a 70ª colocação, sendo superado por países como Arábia Saudita e Albânia.
Apesar do aparente fracasso, corroborado pelos ainda péssimos indicadores do índice de Gini (superando a marca dos 51 pontos, o que é vergonhoso), é a primeira vez que tal fato ocorre e os analistas do PNUD são categóricos em afirmar que a subida brasileira se deve ao ótimo cenário externo, ao crescimento da economia, à melhoria geral da qualidade de vida da população, e principalmente a programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família e o Fome Zero.
É verdade que o governo Lula está longe de ser um governo perfeito e que a eles cabem pesadas críticas, mas por questões que remetem à própria história política do país e à caracterização das ideologias partidárias, bem como seus grupos de apoio, a oposição e em especial o PSDB não estão aproveitando estes aspectos e continuam na boa e velha cantilena de que podem fazer melhor sem oferecer alternativas concretas. E o que eu estou fazendo aqui é uma análise fria.
Não é preciso ser nenhum especialista em ciência política para perceber que a grande massa eleitoral está pouco se lixando para o fato de o PT ter copiado as políticas tucanas que deram certo. O problema é que, considerando que as mesmas foram "copiadas", elas estão dando certo agora, e não antes. Se alguém chega e propõe acabar com tais benefícios em nome do bem-estar geral da economia brasileira (que no presente momento, e não antes, vai muito bem, obrigado), é lógico que vai ser rechaçado lindamente nas urnas.
E com tanto tempo de poder, ainda não perceberam isso. Francamente.
Apesar do aparente fracasso, corroborado pelos ainda péssimos indicadores do índice de Gini (superando a marca dos 51 pontos, o que é vergonhoso), é a primeira vez que tal fato ocorre e os analistas do PNUD são categóricos em afirmar que a subida brasileira se deve ao ótimo cenário externo, ao crescimento da economia, à melhoria geral da qualidade de vida da população, e principalmente a programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família e o Fome Zero.
É verdade que o governo Lula está longe de ser um governo perfeito e que a eles cabem pesadas críticas, mas por questões que remetem à própria história política do país e à caracterização das ideologias partidárias, bem como seus grupos de apoio, a oposição e em especial o PSDB não estão aproveitando estes aspectos e continuam na boa e velha cantilena de que podem fazer melhor sem oferecer alternativas concretas. E o que eu estou fazendo aqui é uma análise fria.
Não é preciso ser nenhum especialista em ciência política para perceber que a grande massa eleitoral está pouco se lixando para o fato de o PT ter copiado as políticas tucanas que deram certo. O problema é que, considerando que as mesmas foram "copiadas", elas estão dando certo agora, e não antes. Se alguém chega e propõe acabar com tais benefícios em nome do bem-estar geral da economia brasileira (que no presente momento, e não antes, vai muito bem, obrigado), é lógico que vai ser rechaçado lindamente nas urnas.
E com tanto tempo de poder, ainda não perceberam isso. Francamente.
26 de novembro de 2007
E Quando A Gente Procura...
... acha.
Eu era louco para saber quem era uma cafuçuzinha que aparecia dançando em uma das inúmeras vinhetas da MTV. Era o clássico estereótipo da estudante de arquitetura do CAC, uma personagem que sempre me agradou bastante, e ainda continua exercendo seu fascínio sobre esta pessoa. Imagino que deve haver gente que tem fantasias eróticas com aquelas réguas "T", mas, bom, ainda bem que eu sou um menino do interior.
Enfim, e mudando de assunto propositalmente, o fato é que graças a um certo post de uma certa italiana, eu consegui descobri quem era a dita cuja. Trata-se de Cat Power, ou o nome de palco de Charlyn Marshall, classificada como uma das mulheres mais góztosas da história do rock. E com razão, embora ela certamente esteja fora do estilo de uma Debbie Harry (Blondie), Lita Ford (The Runaways) no esplendor do sucesso, Nina Persson (The Cardigans) e talvez aquela que eu ache a mais recente vedete, Reeta-Leena Korhola (Husky Rescue). Enfim, chacun a son goût.
É difícil classificar o estilo dela, pelo que eu ouvi, mas certamente é experimental. E indie também, embora dentro desse enorme guarda-chuva caiba desde Arcade Fire e Weezer, representantes legítimos do nerd rock, até o blasé, ao menos na minha opinião, de coisas como Placebo. Aliás, poucas coisas pra mim são mais representativos de um indie autêntico que uma atitude blasé. Cat Power é assim.
E talvez seja por isso que ela cative tanto. A voz dela é suave, envolvente, mas ela também olha pra você (e isso é potencializado quando ela está com aquele cabelinho na cara, aquela dancinha tosca, a calça jeans e a camisa preta de botão largadona) com aquela cara de "o quê, você nunca foi a Londres"? Humilha que humilha. Aliás, isso daria mote para um possível encontro amoroso entre a dita cuja e um matuto cool, como é o Xico Sá. Aposto que num instante ele tirava o queijo dela. Em duas horas de conversa, talvez ela estivesse até lambendo os dedos da buchada acompanhada de um vinho syrah de ótima safra. Mais um pouco do vinho, e eles estariam dentro em pouco fazendo uma análise junguiana do inconsciente coletivo nos tempos do Padim Ciço.
Mais tarde, talvez, ainda saindo dos lençóis desarrumados, ririam e muito de imaginar Habermas vestido de gibão e chapéu de vaqueiro.
E por aí vai.
Eu era louco para saber quem era uma cafuçuzinha que aparecia dançando em uma das inúmeras vinhetas da MTV. Era o clássico estereótipo da estudante de arquitetura do CAC, uma personagem que sempre me agradou bastante, e ainda continua exercendo seu fascínio sobre esta pessoa. Imagino que deve haver gente que tem fantasias eróticas com aquelas réguas "T", mas, bom, ainda bem que eu sou um menino do interior.
Enfim, e mudando de assunto propositalmente, o fato é que graças a um certo post de uma certa italiana, eu consegui descobri quem era a dita cuja. Trata-se de Cat Power, ou o nome de palco de Charlyn Marshall, classificada como uma das mulheres mais góztosas da história do rock. E com razão, embora ela certamente esteja fora do estilo de uma Debbie Harry (Blondie), Lita Ford (The Runaways) no esplendor do sucesso, Nina Persson (The Cardigans) e talvez aquela que eu ache a mais recente vedete, Reeta-Leena Korhola (Husky Rescue). Enfim, chacun a son goût.
É difícil classificar o estilo dela, pelo que eu ouvi, mas certamente é experimental. E indie também, embora dentro desse enorme guarda-chuva caiba desde Arcade Fire e Weezer, representantes legítimos do nerd rock, até o blasé, ao menos na minha opinião, de coisas como Placebo. Aliás, poucas coisas pra mim são mais representativos de um indie autêntico que uma atitude blasé. Cat Power é assim.
E talvez seja por isso que ela cative tanto. A voz dela é suave, envolvente, mas ela também olha pra você (e isso é potencializado quando ela está com aquele cabelinho na cara, aquela dancinha tosca, a calça jeans e a camisa preta de botão largadona) com aquela cara de "o quê, você nunca foi a Londres"? Humilha que humilha. Aliás, isso daria mote para um possível encontro amoroso entre a dita cuja e um matuto cool, como é o Xico Sá. Aposto que num instante ele tirava o queijo dela. Em duas horas de conversa, talvez ela estivesse até lambendo os dedos da buchada acompanhada de um vinho syrah de ótima safra. Mais um pouco do vinho, e eles estariam dentro em pouco fazendo uma análise junguiana do inconsciente coletivo nos tempos do Padim Ciço.
Mais tarde, talvez, ainda saindo dos lençóis desarrumados, ririam e muito de imaginar Habermas vestido de gibão e chapéu de vaqueiro.
E por aí vai.
Ingredientes:
(pós?)modernidade,
música,
televisão
23 de novembro de 2007
E Será Que Vai?
Matéria do Blig do Gomes dá conta de que uma nova categoria está para ser lançada no segundo semestre de 2008: trata-se da Superleague, que correrá com um chassis Panoz e um motor V12 4.2 de mais de 750 cavalos de potência (eu nunca consegui converter direito braking horse power). O diferencial do tal campeonato é a divisão por times de futebol, e não por equipes. O clube brasileiro que patrocinará um dos carros é justamente o Framengo.
Se vai deslanchar? Não sei. O Gomes aposta que não. Eu não posso dizer, já que está ainda relativamente longe. Mas é muito estranho que, das 6 etapas previstas, uma não esteja confirmada, e que não existe ainda um único piloto previsto para pilotar os bólidos. Pra completar, o site oficial é na verdade um blog hospedado na Wordpress. Sei não...
Se vai deslanchar? Não sei. O Gomes aposta que não. Eu não posso dizer, já que está ainda relativamente longe. Mas é muito estranho que, das 6 etapas previstas, uma não esteja confirmada, e que não existe ainda um único piloto previsto para pilotar os bólidos. Pra completar, o site oficial é na verdade um blog hospedado na Wordpress. Sei não...
22 de novembro de 2007
Wishful Thinking (final)
"O sucesso do time no campeonato estadual certamente fez com que muitos dirigentes antigos do Santa Cruz - e em especial dos outros grandes da capital - mordessem os chapéus de tanta raiva. Os primeiros, pelo óbvio sucesso de um clube comandado pelos próprios torcedores, numa enorme democracia esportiva. Os últimos, por terem perdido para um clube recém caído para a tenebrosa terceira divisão do campeonato nacional.
Mas a vitória deu o estímulo necessário aos descrentes para voltar a contribuir com o clube. Na primeira partida do grupo regional da Série C, contra um obscuro time do interior do Rio Grande do Norte, o Arruda lotou com 60 mil pessoas, e ainda assim porque esse foi o limite imposto por razões de segurança. Se 200 mil ingressos fossem postos à venda, 200 mil ingressos seriam vendidos. Não se pode dizer exatamente que a campanha do time foi perfeita, mas conseguiram a classificação até o octogonal final.
A CBF também estava mordida de raiva com o sucesso do clube, e logo logo as malas pretas começaram a afluir para os clubes paulistas que estavam na fase final da terceirona, dispostos a impedir que o time tricolor de corpo e alma conseguisse subir e desse o exemplo ao resto do futebol brasileiro. E por um momento parecia que a trupe dos dirigentes da toda-poderosa máfia da bola iria ter sucesso: em três jogos, dois empates e uma derrota.
Não por isso, o líder do movimento dos torcedores tricolores, na preleção dada ao time em uma certa partida em casa, lembrou os jogadores de tudo pelo qual haviam passado, e o que realmente estava em jogo: eles haviam lutado para provar que, acima de tudo, o futebol é um jogo que destina-se a levar alegria ao rosto do torcedor de determinada agremiação esportiva. Nunca poderia servir apenas para satisfazer egos, gerar lucros desmedidos com venda de craques ou reduto de poder político. Então o que estava em jogo não era apenas a esperança do torcedor tricolor, mas de todos os torcedores que estavam insatisfeitos com seus clubes. Esta era a chance que eles tinham de mudar de vez a história do futebol no país, e quiçá em todo o mundo.
O resultado das partidas restantes: apenas dois empates. 4 gols sofridos. Um primeiro lugar conquistado com uma rodada de antecedência. O Santa Cruz e seus torcedores haviam passado em sua prova de fogo."
Reage, Tricolor!
Mas a vitória deu o estímulo necessário aos descrentes para voltar a contribuir com o clube. Na primeira partida do grupo regional da Série C, contra um obscuro time do interior do Rio Grande do Norte, o Arruda lotou com 60 mil pessoas, e ainda assim porque esse foi o limite imposto por razões de segurança. Se 200 mil ingressos fossem postos à venda, 200 mil ingressos seriam vendidos. Não se pode dizer exatamente que a campanha do time foi perfeita, mas conseguiram a classificação até o octogonal final.
A CBF também estava mordida de raiva com o sucesso do clube, e logo logo as malas pretas começaram a afluir para os clubes paulistas que estavam na fase final da terceirona, dispostos a impedir que o time tricolor de corpo e alma conseguisse subir e desse o exemplo ao resto do futebol brasileiro. E por um momento parecia que a trupe dos dirigentes da toda-poderosa máfia da bola iria ter sucesso: em três jogos, dois empates e uma derrota.
Não por isso, o líder do movimento dos torcedores tricolores, na preleção dada ao time em uma certa partida em casa, lembrou os jogadores de tudo pelo qual haviam passado, e o que realmente estava em jogo: eles haviam lutado para provar que, acima de tudo, o futebol é um jogo que destina-se a levar alegria ao rosto do torcedor de determinada agremiação esportiva. Nunca poderia servir apenas para satisfazer egos, gerar lucros desmedidos com venda de craques ou reduto de poder político. Então o que estava em jogo não era apenas a esperança do torcedor tricolor, mas de todos os torcedores que estavam insatisfeitos com seus clubes. Esta era a chance que eles tinham de mudar de vez a história do futebol no país, e quiçá em todo o mundo.
O resultado das partidas restantes: apenas dois empates. 4 gols sofridos. Um primeiro lugar conquistado com uma rodada de antecedência. O Santa Cruz e seus torcedores haviam passado em sua prova de fogo."
Reage, Tricolor!
20 de novembro de 2007
Wishful Thinking (2)
"Recife, duas da tarde. Em algum dia do final de janeiro de 2008. A uma semana do início do campeonato pernambucano.
O líder do movimento popular que tomara de assalto o Santa Cruz Futebol Clube estava à beira do gramado do Estádio do Arruda, em Recife. Em volta, tinha pelo menos uma centena de marmanjos participando de uma peneira. Nas arquibancadas, alguns milhares de pessoas assistindo a peneira. Em determinado momento, ele começou a lembrar o que acontecera até então.
Depois da tomada do Arruda, parecia que as coisas não iriam se sustentar. A diretoria antiga começou a mover um processo atrás do outro contra os líderes do movimento 'Viva Santa Cruz', os patrocinadores oficiais sumiram, até o fornecedor de material esportivo debandou. Era uma sorte que a CBF e a FPF continuaram a reconhecer o time e a garantir sua vaga nas divisões e campeonatos em que estava. Pressão de um certo senador magrelo.
Era hora de apelar para o mesmo movimento que se apossara do clube. De pronto, um monte de gente apareceu para trabalhar na reforma do estádio, inclusive engenheiros. Pequenos negócios se ofereceram a custear algumas despesas do clube. Mas isso não era suficiente, até porque o clube precisaria viajar e muito nos próximos dias. Era preciso economizar nos jogadores.
Foi aí que alguém surgiu com a idéia para apelar para os torcedores do tricolor. E ficara decidido que, em toda pelada de society, barrinha de meio de rua, e campeonato de sítio com regras 'pescoço pra baixo é canela', se procuraria algum tricolor bom de bola e que estivesse disposto a recuperar seu time de coração, estaria convocado a dar sua contribuição.
Muitos afluíram para o Arruda, mas só uns poucos poderiam se aproveitar. O salário também fez muita gente decidir: ajuda de custo para cobrir as despesas mais básicas, e só. A folha de pagamento estava do tamanho da de um time do interior. Sorte que o patrocínio de muitas pessoas surgiu, pelo simples prazer de contribuir para uma verdadeira democracia futebolística, da forma como estava.
Voltando à peneira final, de 100 jogadores, a aclamação popular servia de termômetro para saber se determinado jogador agradava ou não. Estudantes e profissionais de educação física olhavam a habilidade dos futuros craques, e médicos avaliavam na hora sua condição fisiológica. Ao final do dia, muito aplaudidos, eram formados um time de titulares, um time de reservas e um time sub-23. Cada um recebeu um jogo de padrões de casa e fora - costurados por muito orgulho por um grupo de senhoras do bairro. Não havia nem uniforme de treino e os jogadores teriam de manter as roupas. Lavar e passar, para aprender a ter amor pelo clube.
Dando um pequeno salto no tempo, a tática rendeu resultados. A raiva com que os jogadores jogaram contra o Sport deixou o time com 2 jogadores suspensos por carrinhos violentos, um sem-número de cartões amarelos, mas garantiu uma vitória suada por 1 x 0 na Ilha do Retiro. A mesma coisa aconteceu na final do estadual, contra o Náutico. Na Copa do Brasil, chegaram até a terceira rodada, sendo eliminados pela Portuguesa."
(continua)
O líder do movimento popular que tomara de assalto o Santa Cruz Futebol Clube estava à beira do gramado do Estádio do Arruda, em Recife. Em volta, tinha pelo menos uma centena de marmanjos participando de uma peneira. Nas arquibancadas, alguns milhares de pessoas assistindo a peneira. Em determinado momento, ele começou a lembrar o que acontecera até então.
Depois da tomada do Arruda, parecia que as coisas não iriam se sustentar. A diretoria antiga começou a mover um processo atrás do outro contra os líderes do movimento 'Viva Santa Cruz', os patrocinadores oficiais sumiram, até o fornecedor de material esportivo debandou. Era uma sorte que a CBF e a FPF continuaram a reconhecer o time e a garantir sua vaga nas divisões e campeonatos em que estava. Pressão de um certo senador magrelo.
Era hora de apelar para o mesmo movimento que se apossara do clube. De pronto, um monte de gente apareceu para trabalhar na reforma do estádio, inclusive engenheiros. Pequenos negócios se ofereceram a custear algumas despesas do clube. Mas isso não era suficiente, até porque o clube precisaria viajar e muito nos próximos dias. Era preciso economizar nos jogadores.
Foi aí que alguém surgiu com a idéia para apelar para os torcedores do tricolor. E ficara decidido que, em toda pelada de society, barrinha de meio de rua, e campeonato de sítio com regras 'pescoço pra baixo é canela', se procuraria algum tricolor bom de bola e que estivesse disposto a recuperar seu time de coração, estaria convocado a dar sua contribuição.
Muitos afluíram para o Arruda, mas só uns poucos poderiam se aproveitar. O salário também fez muita gente decidir: ajuda de custo para cobrir as despesas mais básicas, e só. A folha de pagamento estava do tamanho da de um time do interior. Sorte que o patrocínio de muitas pessoas surgiu, pelo simples prazer de contribuir para uma verdadeira democracia futebolística, da forma como estava.
Voltando à peneira final, de 100 jogadores, a aclamação popular servia de termômetro para saber se determinado jogador agradava ou não. Estudantes e profissionais de educação física olhavam a habilidade dos futuros craques, e médicos avaliavam na hora sua condição fisiológica. Ao final do dia, muito aplaudidos, eram formados um time de titulares, um time de reservas e um time sub-23. Cada um recebeu um jogo de padrões de casa e fora - costurados por muito orgulho por um grupo de senhoras do bairro. Não havia nem uniforme de treino e os jogadores teriam de manter as roupas. Lavar e passar, para aprender a ter amor pelo clube.
Dando um pequeno salto no tempo, a tática rendeu resultados. A raiva com que os jogadores jogaram contra o Sport deixou o time com 2 jogadores suspensos por carrinhos violentos, um sem-número de cartões amarelos, mas garantiu uma vitória suada por 1 x 0 na Ilha do Retiro. A mesma coisa aconteceu na final do estadual, contra o Náutico. Na Copa do Brasil, chegaram até a terceira rodada, sendo eliminados pela Portuguesa."
(continua)
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