Matéria recente da FSP, via BBC Brasil, dá conta que uma universidade sueca, o Instituto Karolinska, está muito próximo de desenvolver uma vacina contra a Aids bem sucedida. Testes feitos até agora com 40 voluntários mostraram uma taxa de imunização de 97%, o que qualifica a vacina a partir para a próxima fase, com 60 voluntários na Tanzânia. O processo consiste na aplicação de duas vacinas, sendo que a primeira foi desenvolvida em conjunto com uma agência governamental sueca e a segunda foi cedida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA.
Algumas coisas a serem percebidas.
Primeiro, o Instituto Karolinska é uma das melhores faculdades de medicina da Suécia, e sonho de consumo de uma amiga minha aspirante a médica (neste momento perdida em algum lugar da Lapônia sueca). Foi fundado em 1810 como um centro de pesquisas médicas para o exército sueco, e logo caiu nas graças de algum rei, que acabou herdando seu nome (Karolinska Institutet = algo como "Instituto Carlino", ou de Carlos).
E é pública, como todas as universidades suecas.
Cá entre nós, sempre que se reclama da universidade pública ou da morosidade da pesquisa médica, alguém surge logo com a solução mágica de privatizar as universidades ou colocar toda a pesquisa científica, inclusive de questões estratégicas, nas mãos da iniciativa privada. Uma solução mais interessante e já proposta pelo Hermenauta (com um pano de fundo já existente) consiste na implantação de um prêmio para motivar quem desenvolva determinado avanço científico, bem sucedido no caso da aviação e nos vôos espaciais civis. Mas retornando à velha pergunta: um desenvolvimento científico privado vai realmente ser aproveitado por toda a humanidade?
Voltando às ciências médicas, é sabido que as indústrias farmacêuticas hoje formam uma verdadeira máfia, uma verdadeira tríade chinesa no monopólio de remédios considerados importantíssimos para a manutenção da saúde mundial. No entanto, remédios avançados para doenças como o câncer e a Aids são vendidos com preços pela hora da morte. O caso da Aids pode ser considerado ainda mais dramático, uma vez que existem países africanos no qual mais de 50% da população ativa estão com o vírus, e a quebra da patente (chefiada pelo então ministro da saúde tucano, José Serra) dos remédios do coquetel anti-Aids foi providencial.
Pode-se argumentar que a participação do referido instituto americano foi motivada por este contar com os avanços das indústrias médicas de lá. O problema é que esse instituto é público, e, como muitas instituições públicas americanas (a exemplo da PBS e da NOAA) muitas vezes vai de encontro com governos neocons, a exemplo do atual. Sozinhos, os NHI (e o responsável pela segunda vacina, o de alergia e doenças infecciosas) são responsáveis por quase um terço do montante gasto em pesquisa médica nos EUA, sendo o restante composto pelas empresas.
Num mundo em que se alardeia aos quatro ventos a necessidade de reduzir a participação do Estado na vida dos cidadãos e entregar as prioridades de produção ao mercado, iniciativas como esta mostram a força que possui um governo preocupado com o bem-estar de seus cidadãos e a possibilidade real de eficiência (e mais que isso, vanguarda) de uma instituição pública, que para chegar a tal objetivo não necessita mais que boa administração dos recursos envolvidos. Nem sempre isso é alcançado no caso das empresas privadas, visto o caso de empresas como a Cisco, Enron, Encol, Aracruz Celulose...
5 de novembro de 2007
2 de novembro de 2007
Ele Certamente Gostou
Aconteceu o que eu e um monte de gente esperava na F1: o empresário de Alonso anunciou a recisão do contrato do piloto na McLaren, e agora está livre para negociar outros contratos com outras equipes - de preferência bem longe de Lewis Hamilton.
Quanto a isso, algumas coisas precisam ser ditas:
1) Eu me surpreendi com a forma como o contrato foi terminado de uma maneira tão amistosa, ao menos no que diz respeito ao plano dos negócios. Eu esperava uma espécie de Gotterdammerung nos trailers da equipe de Ron Dennis, mas parece que resolveram agir como um casal que entende que a relação não está mais dando certo e assina os papéis sem muita conversa (hipótese corroborada por esta notícia aqui);
2) Apesar da aparente incerteza, eu apostaria todas as minhas fichas em como Alonso vai mesmo para a sua antiga casa, a Renault. Foi certamente o lugar onde ele foi mais feliz na F1, e existe uma vontade por parte dos dirigentes da equipe anglo-francesa (e quem disser que é só francesa apanha!). É só juntar a fome com a vontade de comer. Asfalto;
3) Ron Dennis sim vai continuar seu calvário com a McLaren-Mercedes, ao menos é o que tudo indica. E a inversa também é verdadeira. A Prodrive, empresa especialista em carros para o WRC, teve melada a sua oportunidade de entrar na F1 por Bernie Ecclestone, o Ricardo Teixeira do "circo". Ou seja, isso significa que a Mercedes vai continuar com aqueles ingleses chatos de Woking e a McLaren vai continuar com aqueles alemães pedantes de Stuttgart. Quid pro quo.
Agora é esperar pra ver como vai ser o quebra-pau nas pistas em 2008. Aliás, eu estou louco pra ver como vai ser esse GP noturno de Cingapura.
Quanto a isso, algumas coisas precisam ser ditas:
1) Eu me surpreendi com a forma como o contrato foi terminado de uma maneira tão amistosa, ao menos no que diz respeito ao plano dos negócios. Eu esperava uma espécie de Gotterdammerung nos trailers da equipe de Ron Dennis, mas parece que resolveram agir como um casal que entende que a relação não está mais dando certo e assina os papéis sem muita conversa (hipótese corroborada por esta notícia aqui);
2) Apesar da aparente incerteza, eu apostaria todas as minhas fichas em como Alonso vai mesmo para a sua antiga casa, a Renault. Foi certamente o lugar onde ele foi mais feliz na F1, e existe uma vontade por parte dos dirigentes da equipe anglo-francesa (e quem disser que é só francesa apanha!). É só juntar a fome com a vontade de comer. Asfalto;
3) Ron Dennis sim vai continuar seu calvário com a McLaren-Mercedes, ao menos é o que tudo indica. E a inversa também é verdadeira. A Prodrive, empresa especialista em carros para o WRC, teve melada a sua oportunidade de entrar na F1 por Bernie Ecclestone, o Ricardo Teixeira do "circo". Ou seja, isso significa que a Mercedes vai continuar com aqueles ingleses chatos de Woking e a McLaren vai continuar com aqueles alemães pedantes de Stuttgart. Quid pro quo.
Agora é esperar pra ver como vai ser o quebra-pau nas pistas em 2008. Aliás, eu estou louco pra ver como vai ser esse GP noturno de Cingapura.
31 de outubro de 2007
Referente ao Post Abaixo
Conseguimos. Agora, vamos rezar para que daqui pra lá a polícia não toque fogo nas favelas das cidades-sede...
29 de outubro de 2007
Contagem Regressiva
26 de outubro de 2007
Os Novos Brinquedinhos da Defesa
Matéria recente postada no meu think tank conservador favorito, o Defesa@Net, dá conta do programa de rearmamento das forças armadas brasileiras. Não é nenhuma novidade já que o Exército aprovou a produção do seu novo blindado sobre rodas nas instalações da Iveco/Fiat, num controvertido processo de licitação. Agora, a FAB anuncia o processo de licitação para a compra de 12 helicópteros de ataque e 12 helicópteros de transporte pesado, e a Marinha diz que o seu programa nuclear estará concluído em 2014, com o bendito submarino nuclear entrando em atividade em 2020.
Não questiono a necessidade de se manterem forças armadas modernas e bem treinadas, mas me dá calafrios ver o governo dando armamentos novos em folha para oficiais de comando com a cabeça ainda nos tempos do Duque de Caxias e na doutrina de salvação nacional. Certo que eles têm muito a agradecer ao governo Lula - a FAB mesmo não comprava caças novos desde 89. Mas os ecos das lições na ESG ainda são muito mais fortes e possuem mais apelo no imaginário dos homens de farda que qualquer outra coisa. Está aí o escândalo do livro sobre a ditadura, que não me deixa mentir, bem como repetidas declarações sobre projeção de força em outros países da América do Sul.
O negócio é que o Brasil nem em sonho pode pensar em projeção de força, ou exercer hard power, como se diz no linguajar das Relações Internacionais. Uma política de defesa consistente com nossas forças deveria estar baseada em manter uma defesa efetiva de nosso território, bem como manter operações de manutenção da paz junto à ONU. Fala-se em defesa da soberania, quando a própria soberania de nossos vizinhos sulamericanos, bem como a de alguns africanos, está em jogo por questões ideológicas. Não vejo por que teríamos de manter um caríssimo submarino nuclear quando um submarino movido a hidrogênio poderia fazer o mesmo trabalho, com custos mais baixos, embora os comandantes da MB insistam em dizer o contrário.
No fundo, no fundo, isso é a maior vontade de ser potência por parte daqueles que possuem estrelas nos ombros, ainda que seja uma vontade não concretizada.
Não questiono a necessidade de se manterem forças armadas modernas e bem treinadas, mas me dá calafrios ver o governo dando armamentos novos em folha para oficiais de comando com a cabeça ainda nos tempos do Duque de Caxias e na doutrina de salvação nacional. Certo que eles têm muito a agradecer ao governo Lula - a FAB mesmo não comprava caças novos desde 89. Mas os ecos das lições na ESG ainda são muito mais fortes e possuem mais apelo no imaginário dos homens de farda que qualquer outra coisa. Está aí o escândalo do livro sobre a ditadura, que não me deixa mentir, bem como repetidas declarações sobre projeção de força em outros países da América do Sul.
O negócio é que o Brasil nem em sonho pode pensar em projeção de força, ou exercer hard power, como se diz no linguajar das Relações Internacionais. Uma política de defesa consistente com nossas forças deveria estar baseada em manter uma defesa efetiva de nosso território, bem como manter operações de manutenção da paz junto à ONU. Fala-se em defesa da soberania, quando a própria soberania de nossos vizinhos sulamericanos, bem como a de alguns africanos, está em jogo por questões ideológicas. Não vejo por que teríamos de manter um caríssimo submarino nuclear quando um submarino movido a hidrogênio poderia fazer o mesmo trabalho, com custos mais baixos, embora os comandantes da MB insistam em dizer o contrário.
No fundo, no fundo, isso é a maior vontade de ser potência por parte daqueles que possuem estrelas nos ombros, ainda que seja uma vontade não concretizada.
25 de outubro de 2007
C'est Vrai Cette Mansonge?
Tudo indica que sim, de fato é verdade essa mentira. Eu estava, agora à noite, correndo o risco de ser condenado pelo meu aparelho comunista assistindo à Globo (:P), quando vi uma cena da novela das oito no mínimo chocante, ainda mais se tratando do grande satã da família Marinho: um sujeito arrotando prenconceitos a torto e a direito contra um morador de favela que estava presente a um jantar de gala (sem perceber que a empregada que o servia também era negra), a filha do mesmo que trouxe o favelado pra bancar a descolada, o preconceito "não pergunte, não conte" do resto das pessoas, um certo nível de oportunismo político do deputado presente (soi-disant judeu) ao comprar a causa do favelado para si...
Não é de hoje que a Globo me surpreende, e me assusta com isso. Tá, a cobertura das eleições de 2006 dão a entender que a velha global continua firme em forte em sua posição liberal-conservadora, e principalmente hegemônica, em nosso país. Mas eu não posso pensar de todo mal de uma emissora que tem gente que produz séries como "Hoje É Dia de Maria" e "A Pedra do Reino" (apesar dos baixos índices de audiência desta última devido ao seu alto grau de experimentalismo). Nem como mantém Caco Barcellos, o mesmo que adoraria ver a violência na favela se transformando em revolução social estilo bolchevique em uma Caros Amigos, ou um Luís Carlos Azenha, que tem um dos blogs mais ácidos da blogosfera brasileira, e ao mesmo tempo um dos mais centrados.
Marcelo Tas, que aparentemente passou para o outro lado da força (ou então nunca saiu dele), fez uma entrevista por debaixo dos panos com um repórter da Globo, durante o comício das Diretas Já na Praça da Sé, em São Paulo, lá pelos idos de 84. Eu não lembro do nome do dito cujo, mas é relativamente conhecido. O fato é que Tas perguntou a ele se não era um paradoxo cobrir um evento ao qual a Globo se opunha fortemente quando ele, o repórter, era pró-Diretas. Ele soltou que ele e muitos colegas apoiavam as Diretas e sempre que possível faziam pressão para colocar o viés próprio em matérias feitas para a Globo, muito embora sofressem pressão e o quase-onipresente corte da navalha da edição. Parece que as coisas não são exatamente tão azuis lá dentro, o que eu já desconfiava. Mas sempre é bom ter a certeza de que se está certo.
Foro de São Paulo comanda. :P
Não é de hoje que a Globo me surpreende, e me assusta com isso. Tá, a cobertura das eleições de 2006 dão a entender que a velha global continua firme em forte em sua posição liberal-conservadora, e principalmente hegemônica, em nosso país. Mas eu não posso pensar de todo mal de uma emissora que tem gente que produz séries como "Hoje É Dia de Maria" e "A Pedra do Reino" (apesar dos baixos índices de audiência desta última devido ao seu alto grau de experimentalismo). Nem como mantém Caco Barcellos, o mesmo que adoraria ver a violência na favela se transformando em revolução social estilo bolchevique em uma Caros Amigos, ou um Luís Carlos Azenha, que tem um dos blogs mais ácidos da blogosfera brasileira, e ao mesmo tempo um dos mais centrados.
Marcelo Tas, que aparentemente passou para o outro lado da força (ou então nunca saiu dele), fez uma entrevista por debaixo dos panos com um repórter da Globo, durante o comício das Diretas Já na Praça da Sé, em São Paulo, lá pelos idos de 84. Eu não lembro do nome do dito cujo, mas é relativamente conhecido. O fato é que Tas perguntou a ele se não era um paradoxo cobrir um evento ao qual a Globo se opunha fortemente quando ele, o repórter, era pró-Diretas. Ele soltou que ele e muitos colegas apoiavam as Diretas e sempre que possível faziam pressão para colocar o viés próprio em matérias feitas para a Globo, muito embora sofressem pressão e o quase-onipresente corte da navalha da edição. Parece que as coisas não são exatamente tão azuis lá dentro, o que eu já desconfiava. Mas sempre é bom ter a certeza de que se está certo.
Foro de São Paulo comanda. :P
23 de outubro de 2007
Volvo e Eu
Quadraaaaaaaaaaaaaado!!!
Nunca tive. (tá, essa foi infame)
Mas não por falta de vontade. Eu adoro marcas de automóveis, mas a Volvo AB (abreviatura de Aktiebolaget, o equivalente sueco de "S.A.") é uma das marcas pelo qual eu nutro um carinho especial, mesmo quando não merece: até bem pouco tempo atrás, os Volvo eram conhecidos pelo seu design quadrado, verdadeiros caixotes. Antes disso, quando tinham o design arredondado dos anos 50 e primeira metade dos 60, a Volvo chegou a lançar um esportivo extremamente simpático, o P1800, e vendeu bastante até. Mas não tinha apelo com seu público alvo: os jovens suecos da época o chamavam de "o esportivo dos velhos".
Fundada nos anos 20 como uma subsidiária da SKF, uma fabricante de peças, a Volvo fora anteriormente uma fabricante de rolamentos, mas mudou seu foco com a independência e a presidência de dois sujeitos, Assar Gabrielsson e Gustav Larson. O seu primeiro carro de sucesso surgiu no início dos anos 50 como uma alternativa para desovar chassis de vans subutilizados: nascia a primeira wagon da marca, a PV444. Desde os anos 40 a marca tem uma reputação de confiabilidade e vanguarda no uso de equipamentos de segurança.
A divisão de automóveis da Volvo foi vendida à Ford em 1999, ficando os caminhões, motores (inclusive turbinas de aviação) e máquinas de construção com o grupo original. No entanto, a marca manteve muito de sua segurança e, verdade seja dita, melhorou bastante em termos de design. Há quem goste dos caixotes dos anos 70, 80 e 90. Mas não é nada condizente com os tempos atuais (economia de combustível, maior eficiência aerodinâmica) e com a própria imagem de segurança da marca manter um farol quadrado (ou até mesmo um duplo farol redondo, parecendo uma carreta) ou um ângulo quase reto no pára-brisas.
Os rumores sobre a venda da Volvo Cars (e de todo o grupo PAG, que inclui ainda a Jaguar e a Land Rover) continuam, com a família Wallenberg, sueca, despontando na frente como potenciais candidatos. Nada mais justo, uma vez que isso tornaria a marca novamente pertencente à terra do rei Carl Gustav e manteria o uso de plataformas da Ford. Enquanto isso, eu continuo com sonhos de mulher, filhos, e uma V50 com motor flex na garagem.
22 de outubro de 2007
R.I., Uma Cachaça
Até a semana passada, como se já não bastasse o constante estado de tensão vivido pelos habitantes do Oriente Médio, o governo turco bombardeou posições do Partido dos Trabalhadores do Curdistão no Iraque, segundo o governo do subsequente. O PKK, em sua sigla em curdo, é uma organização de caráter separatista que deseja unificar as áreas onde possuam maioria étnica no Iraque, Irã, Azerbaidjão e, claro, Turquia. Por motivos óbvios, governos dos 4 países os oprimem com mão de ferro. Saddam Hussein chegou ao cúmulo de usar armas químicas contra eles em 1987, proporcionando uma das cenas mais horrendas que já vi no fotojornalismo: um bebê morto parcialmente coberto pela mãe igualmente defunta, com a boca aberta em desespero e o rosto coberto por um pó branco proveniente do gás.
O estabelecimento de uma região autônoma no norte do Iraque foi visto como uma óbvia vitória para eles, na luta para o estabelecimento de um país na região, que é bem montanhosa. Os turcos iniciaram a ação com um ataque de artilharia, chegando a destruir uma ponte e atingindo áreas rurais. O legislativo iraquiano ainda está decidindo que ação vai tomar a respeito, se bem que não se pode esperar muita coisa de um país que está às voltas com a violência interna, uma ocupação dos EUA e um exército em péssimas condições. De qualquer jeito, era motivo de esperar-se uma crise diplomática séria, pra dizer o mínimo.
Mas vejam como as Relações Internacionais são engraçadas e surpreendentes: o PKK pediu arrego e anunciou que vai negociar uma trégua nos próximos dias com o governo de Ankara. E eu que estava apostando num recrudescimento sério do conflito ao ponto de estender-se a uma ação séria no Mediterrâneo, contra os Gregos. Acho que ainda tenho muito a aprender... e por essas e outras, com muito gosto.
Uma coisa é certa, e que não é nem absurda de se considerar: essa pode ser a desculpa perfeita para a UE recusar a candidatura turca à entrada no clubinho de Bruxelas (palpite de um conhecido meu). Sarkozy e Angela Merkel, quando souberam, devem ter dançado em cima de uma bandeira com crescente-e-estrela...
O estabelecimento de uma região autônoma no norte do Iraque foi visto como uma óbvia vitória para eles, na luta para o estabelecimento de um país na região, que é bem montanhosa. Os turcos iniciaram a ação com um ataque de artilharia, chegando a destruir uma ponte e atingindo áreas rurais. O legislativo iraquiano ainda está decidindo que ação vai tomar a respeito, se bem que não se pode esperar muita coisa de um país que está às voltas com a violência interna, uma ocupação dos EUA e um exército em péssimas condições. De qualquer jeito, era motivo de esperar-se uma crise diplomática séria, pra dizer o mínimo.
Mas vejam como as Relações Internacionais são engraçadas e surpreendentes: o PKK pediu arrego e anunciou que vai negociar uma trégua nos próximos dias com o governo de Ankara. E eu que estava apostando num recrudescimento sério do conflito ao ponto de estender-se a uma ação séria no Mediterrâneo, contra os Gregos. Acho que ainda tenho muito a aprender... e por essas e outras, com muito gosto.
Uma coisa é certa, e que não é nem absurda de se considerar: essa pode ser a desculpa perfeita para a UE recusar a candidatura turca à entrada no clubinho de Bruxelas (palpite de um conhecido meu). Sarkozy e Angela Merkel, quando souberam, devem ter dançado em cima de uma bandeira com crescente-e-estrela...
17 de outubro de 2007
Engenho do Fim do Mundo
Bush não é exatamente um gênio, mas às vezes os parvos conseguem surpreender a gente, e isso costuma acontecer quando menos se espera. O caubói de dois neurônios recentemente anunciou que o governo iraniano deveria ser impedido de conseguir armas nucleares, uma vez que tinha um líder que já havia anunciado seu desejo de "destruir Israel". Caso contrário, corria-se o risco de deflagrar a Terceira Guerra Mundial.
Até aí nada de mais (!), já que nós sabemos que tipo de bravata contra o governo iraniano os EUA soltam desde o governo Reagan. Mas ele tocou num ponto nevrálgico das relações internacionais hodiernas. A simples suspeita de que o Irã esteja desenvolvendo armamentos nucleares já colocou pra funcionar as cabecitas feas dos estrategistas militares dos EUA, França, e principalmente Israel. O Instituto de Inteligência de Israel, mais conhecido como Mossad, já conseguiu identificar com sucesso possíveis locais de reatores e de estoque de matérias-primas para a fabricação de bombas-A no país do golfo Pérsico, bem como possíveis locais de estoques de bombas.
Passados os detalhes para as Forças de Defesa de Israel, a coisa começa a descambar para a estratégia militar do tipo mais esdrúxulo possível. Há quem diga que um ataque semelhante ao ocorrido ao reator nuclear de Osirak, no Iraque, em 1981, poderia ser levado a cabo contra as instalações iranianas e o complexo nuclear de Bushehr, onde estão a maior parte das usinas do país. Só que, sabendo da existência de um bunker reforçado alguns metros abaixo do complexo, avalia-se a possibilidade do uso de uma arma nuclear de baixa intensidade para arrebentar a fortificação.
Israel sabe das implicações que um ataque deste tipo irá ter no mundo. Armas nucleares nem são necessariamente o que existe de mais potente nos arsenais modernos (os ataques de napalm contra Dresden e Tóquio mataram mais gente), mas tem um efeito psicológico fortíssimo. Isso seria a desculpa perfeita para os árabes se juntarem em peso contra os israelenses, que inevitavelmente se veria ameaçado. Para isso, eles guardam um presentinho para a posteridade, a "Opção Sansão". Como o nome indica, significa botar pra quebrar com todos aqueles que resolveram tirar uma onda com a cara do filhote de Theodor Herzl, estejam envolvidos ou não.
A hipótese de uma série de mísseis Jericho chovendo sobre as capitais árabes e de quem estiver ao alcance, e de quebra iniciando um conflito em escala global, pra mim não é o melhor dos cenários. Por um lado, Bush está certo, embora eu não concorde com ele na esmagadora maioria dos casos. Mas mais chantagem faz Israel que o Irã.
Até aí nada de mais (!), já que nós sabemos que tipo de bravata contra o governo iraniano os EUA soltam desde o governo Reagan. Mas ele tocou num ponto nevrálgico das relações internacionais hodiernas. A simples suspeita de que o Irã esteja desenvolvendo armamentos nucleares já colocou pra funcionar as cabecitas feas dos estrategistas militares dos EUA, França, e principalmente Israel. O Instituto de Inteligência de Israel, mais conhecido como Mossad, já conseguiu identificar com sucesso possíveis locais de reatores e de estoque de matérias-primas para a fabricação de bombas-A no país do golfo Pérsico, bem como possíveis locais de estoques de bombas.
Passados os detalhes para as Forças de Defesa de Israel, a coisa começa a descambar para a estratégia militar do tipo mais esdrúxulo possível. Há quem diga que um ataque semelhante ao ocorrido ao reator nuclear de Osirak, no Iraque, em 1981, poderia ser levado a cabo contra as instalações iranianas e o complexo nuclear de Bushehr, onde estão a maior parte das usinas do país. Só que, sabendo da existência de um bunker reforçado alguns metros abaixo do complexo, avalia-se a possibilidade do uso de uma arma nuclear de baixa intensidade para arrebentar a fortificação.
Israel sabe das implicações que um ataque deste tipo irá ter no mundo. Armas nucleares nem são necessariamente o que existe de mais potente nos arsenais modernos (os ataques de napalm contra Dresden e Tóquio mataram mais gente), mas tem um efeito psicológico fortíssimo. Isso seria a desculpa perfeita para os árabes se juntarem em peso contra os israelenses, que inevitavelmente se veria ameaçado. Para isso, eles guardam um presentinho para a posteridade, a "Opção Sansão". Como o nome indica, significa botar pra quebrar com todos aqueles que resolveram tirar uma onda com a cara do filhote de Theodor Herzl, estejam envolvidos ou não.
A hipótese de uma série de mísseis Jericho chovendo sobre as capitais árabes e de quem estiver ao alcance, e de quebra iniciando um conflito em escala global, pra mim não é o melhor dos cenários. Por um lado, Bush está certo, embora eu não concorde com ele na esmagadora maioria dos casos. Mas mais chantagem faz Israel que o Irã.
16 de outubro de 2007
Mercado Desnudo
Em recente notícia ao melhor estilo "Piratas de Silicon Valley", descobriu-se que determinados importadores de produtos de tecnologia da informação aqui no Brasil sonegaram um monte de impostos, com o objetivo de favorecer determinada companhia multinacional da área. A tal companhia, aparentemente, é uma das grandes do setor, com sede nos Estados Unidos. Estima-se que deixaram de pagar cerca de R$ 1,5 bilhão ao fisco, devidos em meio a operações ilegais.
Até agora, a Polícia Federal tem 93 mandados de busca e 44 mandatos de prisão temporária, inclusive contra altos executivos da filial da empresa no Brasil e de empresas responsáveis pela importação. Segundo a Folha de São Paulo, a quem a notícia pode ser creditada, "O esquema utilizava laranjas para importação, ocultação e patrimônio, contrabando, sonegação fiscal, falsidade ideológica, uso de documento falso, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.". O dinheiro e os bens eram movimentados através de empresas off-shore em paraísos fiscais caribenhos, como as Bahamas e as Ilhas Virgens Britânicas.
O que mais uma vez suscita mais uma vez a boa e velha discussão sobre a necessidade ou não de regulamentação da economia, e olha que eu vou me abster de qualquer colocação sobre o socialismo aqui. Um liberal, olhando para uma grande empresa norte-americana fruto do boom de TI nos anos 80 tendo de recorrer a uma prática digna de muambeiro da Av. Dantas Barreto, no centro do Recife, tem o argumento na ponta da língua: é o excesso de obrigações e encargos impostos pelo Estado que os fazem recorrer a isso; corte-se o Estado que os crimes serão cortados.
É difícil crer em tal argumento quando consideramos uma situação lucro/lucro, como é a da tal empresa. Produtos de TI contém um enorme valor agregado pela própria natureza do trabalho envolvido em sua fabricação. Ou seja, rios de dinheiro continuariam a fluir para as contas bancárias de todos os que se beneficiam, sejam seus empregados ou acionistas. O que se considera aqui são 300 milhões de reais (considerando as cotações do dólar no período em questão, uns 120 milhões de verdinhas) por ano a mais ou a menos no balanço contábil da filial local, o que é uma quantia irrisória se considerarmos as suas operações globais.
O problema em questão não me parece ser necessariamente a falta ou o excesso de Estado. Tá mais pra ética mesmo dos dirigentes da companhia.
Até agora, a Polícia Federal tem 93 mandados de busca e 44 mandatos de prisão temporária, inclusive contra altos executivos da filial da empresa no Brasil e de empresas responsáveis pela importação. Segundo a Folha de São Paulo, a quem a notícia pode ser creditada, "O esquema utilizava laranjas para importação, ocultação e patrimônio, contrabando, sonegação fiscal, falsidade ideológica, uso de documento falso, evasão de divisas e corrupção ativa e passiva.". O dinheiro e os bens eram movimentados através de empresas off-shore em paraísos fiscais caribenhos, como as Bahamas e as Ilhas Virgens Britânicas.
O que mais uma vez suscita mais uma vez a boa e velha discussão sobre a necessidade ou não de regulamentação da economia, e olha que eu vou me abster de qualquer colocação sobre o socialismo aqui. Um liberal, olhando para uma grande empresa norte-americana fruto do boom de TI nos anos 80 tendo de recorrer a uma prática digna de muambeiro da Av. Dantas Barreto, no centro do Recife, tem o argumento na ponta da língua: é o excesso de obrigações e encargos impostos pelo Estado que os fazem recorrer a isso; corte-se o Estado que os crimes serão cortados.
É difícil crer em tal argumento quando consideramos uma situação lucro/lucro, como é a da tal empresa. Produtos de TI contém um enorme valor agregado pela própria natureza do trabalho envolvido em sua fabricação. Ou seja, rios de dinheiro continuariam a fluir para as contas bancárias de todos os que se beneficiam, sejam seus empregados ou acionistas. O que se considera aqui são 300 milhões de reais (considerando as cotações do dólar no período em questão, uns 120 milhões de verdinhas) por ano a mais ou a menos no balanço contábil da filial local, o que é uma quantia irrisória se considerarmos as suas operações globais.
O problema em questão não me parece ser necessariamente a falta ou o excesso de Estado. Tá mais pra ética mesmo dos dirigentes da companhia.
Ingredientes:
economia,
ética,
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