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2 de agosto de 2009

Elegia

Quando escrevi, na semana passada, um obituário sobre a situação de meu time de coração, me senti em uma posição delicada e não pude deixar de ter, ainda, uma ponta de esperança sobre sua recuperação. Nessas horas você começa a apelar pra expedientes mágicos, e na ânsia de sair dessa situação desesperadora muita gente jogou a ética e a moral para as cucuias. Eu não os culpo. Aliás, é difícil definir o que sente o torcedor ao ver suas últimas esperanças se esvaindo. Mas acho que posso ilustrar da seguinte forma:

Imagine você que uma pessoa muito querida sua (um parente próximo ou um de seus melhores amigos) descobriu, em 2006, que tinha câncer, AIDS ou uma doença degenerativa potencialmente fatal. Desde então, ele não faz outra coisa a não ser definhar. Imaginando ainda que você tenha recursos de ajudá-lo, você termina apelando para todo e qualquer tipo de tratamento miraculoso - afinal de contas, você abandona toda a sua racionalidade com o objetivo de salvar aquela pessoa a qualquer custo.

Só que os tratamentos que médicos e terapeutas prometem não dão resultado. Na verdade, alguns desses médicos e terapeutas, descobrimos depois, na verdade eram charlatões que estavam se aproveitando da boa fé e do desespero das pessoas que circundam o doente. Chega a um estado em que, não importa o tratamento aplicado, ele não irá responder (e isso ocorre mais precisamente no último trimestre de 2008). Este é o estágio terminal da doença, acompanhado das já esperadas infecções oportunistas. Um belo dia, o organismo não resiste mais e falece.

O que aconteceu com o Santa Cruz nos últimos anos foi mais ou menos isso. Nos prometeram muitas soluções mágicas, mas nenhuma realmente deu certo, ou então só pioraram a situação. A crônica ausência de gols, o excesso de volantes, a péssima qualidade dos laterais são situações que poderiam ser facilmente contornadas caso o organismo, ou seja, o clube, estivesse em boas condições. Isoladamente, fora do contexto que o clube já vivia desde a derrota no Pernambucano de 2006, elas não fariam diferença. Quando o time perdeu na quarta rodada de uma fase inicial de 6 partidas, com um retrospecto nada animador, de certa maneira sabia que aquele era o último suspiro de meu time. E aí que mora o perigo.

Sim, porque quem já teve a tristeza de perder um ente querido sabe como é difícil aceitar uma perda. Você acha, durante algum tempo, que nada disso aconteceu. Que tudo foi um pesadelo, e o falecido vai entrar, em carne e osso, pela porta da frente, firme e forte, e ainda contando anedotas. O problema é que os que se vão nunca voltam (e não é minha intenção discutir teologia neste texto). No fundo, as esperanças se mantêm, embora possa se questionar a salubridade desse tipo de pensamento.

Eu fiquei profundamente triste com a derrota de hoje para o time do Central, pois ainda mantinha uma faísca de esperança de que o time pudesse se recuperar. Isto não aconteceu, como se sabe. E a anunciada morte do time foi consumada no "enterro" de hoje. Acredito que devemos honrar o morto e prestar-lhe os últimos deveres fúnebres no próximo domingo. Restará a lembrança de um time que, outrora, nos deu tanto orgulho. Como os bons momentos que passamos ao lado daqueles que amamos, mas que por algum motivo se foram para não mais.

25 de julho de 2009

Nota De Falecimento

Faleceu na noite de hoje o Santa Cruz Futebol Clube, vulgo Santinha ou Coral, em sua residência, o estádio José do Rego Maciel, no bairro do Arruda, em Recife, Pernambuco. O enterro ocorrerá no próximo sábado, no cemitério do estádio Luiz Lacerda, bairro Maurício de Nassau, Caruaru, Pernambuco, com uma missa de sétimo dia prevista para a semana seguinte na antiga residência do defunto.

Muito pranteado por seus amigos e associados, o Santa Cruz Futebol Clube passava por uma longa agonia desde o ano de 2006, quando um câncer começou a acometê-lo. A lenta evolução da doença foi acompanhada por seus admiradores, e não deixou de admirar a garra que o mesmo tinha em persistir lutando contra o processo que lhe consumia o corpo e, principalmente, a mente.

Coube ao Esporte Clube Sergipe aplicar-lhe a eutanásia, processo que não foi nada fácil dada a resistência ao doente. Finalmente, após 90 minutos, foi constatada a definitiva dormição dos órgãos vitais do Santinha. Alguns confrades religiosos do finado manifestaram a intenção de encaminhar ao Vaticano e à Igreja Ortodoxa dados para o processo de canonização por martírio.

28 de abril de 2009

"Que Time É Esse?"












Juro que tive de ouvir isso. Logo "dela".

Edinho, em que buraco você nos enfiou...

10 de janeiro de 2009

Há Quem Explique?

Amanhã o Santa Cruz estréia no campeonato pernambucano contra o Sete de Setembro, na cidade de Garanhuns. Estamos vindo de uma humilhante derrota por 1 x 0 contra a seleção municipal de Ipojuca. Segundo o técnico Márcio Bittencourt, o vexaminoso placar deve ser atribuído à má forma física dos jogadores, que iniciaram o treinamento depois das férias no sábado passado.

Ainda assim, eu continuo confiante pra estréia do Santinha.

Alguém consegue entender o porquê? Poxa, o tricolor é hoje um time que só vive do passado, e de um passado distante. Nosso último título pernambucano é de 2005. Nossa melhor colocação num Brasileirão foi um quarto lugar na década de 70. Cantamos vitórias dessa época e do tri-supercampeonato de 1983! Ainda assim, o Santa Cruz tem uma das maiores torcidas do estado, senão a maior.

Avante, então. Tem coisas que só a paixão explica.

25 de dezembro de 2008

Grandes Esperanças

O Santa Cruz Futebol Clube, O Mais Querido Das Multidões, está passando por grandes mudanças. Já estava antes de eu tirar minhas férias sabáticas do blog, mas só agora nós, tricolores, pudemos sentir o gostinho da mudança. Certo, não dá pra dizer muita coisa. Entretanto, só o fato de o clube ter o estádio reformado em suas estruturas, e receber um gramado de alta qualidade com sistema de irrigação automatizado, já significa muita coisa.

A mudança do patrocinador de material esportivo também é motivo de vitória. Só o fato de saber que vamos dar adeus à sebosíssima Champ's, que cometeu o disparate de fazer um escudo no qual o branco foi substituído por cinza (!), já significa muita coisa.

A contratação, no período de um mês, de 20 jogadores, bem como o aproveitamento de alguns oriundos das divisões de base também é sensacional. Além disso, a promessa a ser concretizada da construção do novo CT e do maior apoio aos pratas da casa já significam muita coisa.

Mas se consideramos que nenhuma competição começou e que nenhum aspecto prático da mudança rendeu resultados em campo, vemos com temor que na prática isso ainda não significa nada. Espero que só ainda.

24 de agosto de 2008

Requiescat In Pace

















* 3/2/1914
+ 24/8/2008

:~(

22 de novembro de 2007

Wishful Thinking (final)

"O sucesso do time no campeonato estadual certamente fez com que muitos dirigentes antigos do Santa Cruz - e em especial dos outros grandes da capital - mordessem os chapéus de tanta raiva. Os primeiros, pelo óbvio sucesso de um clube comandado pelos próprios torcedores, numa enorme democracia esportiva. Os últimos, por terem perdido para um clube recém caído para a tenebrosa terceira divisão do campeonato nacional.

Mas a vitória deu o estímulo necessário aos descrentes para voltar a contribuir com o clube. Na primeira partida do grupo regional da Série C, contra um obscuro time do interior do Rio Grande do Norte, o Arruda lotou com 60 mil pessoas, e ainda assim porque esse foi o limite imposto por razões de segurança. Se 200 mil ingressos fossem postos à venda, 200 mil ingressos seriam vendidos. Não se pode dizer exatamente que a campanha do time foi perfeita, mas conseguiram a classificação até o octogonal final.

A CBF também estava mordida de raiva com o sucesso do clube, e logo logo as malas pretas começaram a afluir para os clubes paulistas que estavam na fase final da terceirona, dispostos a impedir que o time tricolor de corpo e alma conseguisse subir e desse o exemplo ao resto do futebol brasileiro. E por um momento parecia que a trupe dos dirigentes da toda-poderosa máfia da bola iria ter sucesso: em três jogos, dois empates e uma derrota.

Não por isso, o líder do movimento dos torcedores tricolores, na preleção dada ao time em uma certa partida em casa, lembrou os jogadores de tudo pelo qual haviam passado, e o que realmente estava em jogo: eles haviam lutado para provar que, acima de tudo, o futebol é um jogo que destina-se a levar alegria ao rosto do torcedor de determinada agremiação esportiva. Nunca poderia servir apenas para satisfazer egos, gerar lucros desmedidos com venda de craques ou reduto de poder político. Então o que estava em jogo não era apenas a esperança do torcedor tricolor, mas de todos os torcedores que estavam insatisfeitos com seus clubes. Esta era a chance que eles tinham de mudar de vez a história do futebol no país, e quiçá em todo o mundo.

O resultado das partidas restantes: apenas dois empates. 4 gols sofridos. Um primeiro lugar conquistado com uma rodada de antecedência. O Santa Cruz e seus torcedores haviam passado em sua prova de fogo."

Reage, Tricolor!

20 de novembro de 2007

Wishful Thinking (2)

"Recife, duas da tarde. Em algum dia do final de janeiro de 2008. A uma semana do início do campeonato pernambucano.

O líder do movimento popular que tomara de assalto o Santa Cruz Futebol Clube estava à beira do gramado do Estádio do Arruda, em Recife. Em volta, tinha pelo menos uma centena de marmanjos participando de uma peneira. Nas arquibancadas, alguns milhares de pessoas assistindo a peneira. Em determinado momento, ele começou a lembrar o que acontecera até então.

Depois da tomada do Arruda, parecia que as coisas não iriam se sustentar. A diretoria antiga começou a mover um processo atrás do outro contra os líderes do movimento 'Viva Santa Cruz', os patrocinadores oficiais sumiram, até o fornecedor de material esportivo debandou. Era uma sorte que a CBF e a FPF continuaram a reconhecer o time e a garantir sua vaga nas divisões e campeonatos em que estava. Pressão de um certo senador magrelo.

Era hora de apelar para o mesmo movimento que se apossara do clube. De pronto, um monte de gente apareceu para trabalhar na reforma do estádio, inclusive engenheiros. Pequenos negócios se ofereceram a custear algumas despesas do clube. Mas isso não era suficiente, até porque o clube precisaria viajar e muito nos próximos dias. Era preciso economizar nos jogadores.

Foi aí que alguém surgiu com a idéia para apelar para os torcedores do tricolor. E ficara decidido que, em toda pelada de society, barrinha de meio de rua, e campeonato de sítio com regras 'pescoço pra baixo é canela', se procuraria algum tricolor bom de bola e que estivesse disposto a recuperar seu time de coração, estaria convocado a dar sua contribuição.

Muitos afluíram para o Arruda, mas só uns poucos poderiam se aproveitar. O salário também fez muita gente decidir: ajuda de custo para cobrir as despesas mais básicas, e só. A folha de pagamento estava do tamanho da de um time do interior. Sorte que o patrocínio de muitas pessoas surgiu, pelo simples prazer de contribuir para uma verdadeira democracia futebolística, da forma como estava.

Voltando à peneira final, de 100 jogadores, a aclamação popular servia de termômetro para saber se determinado jogador agradava ou não. Estudantes e profissionais de educação física olhavam a habilidade dos futuros craques, e médicos avaliavam na hora sua condição fisiológica. Ao final do dia, muito aplaudidos, eram formados um time de titulares, um time de reservas e um time sub-23. Cada um recebeu um jogo de padrões de casa e fora - costurados por muito orgulho por um grupo de senhoras do bairro. Não havia nem uniforme de treino e os jogadores teriam de manter as roupas. Lavar e passar, para aprender a ter amor pelo clube.

Dando um pequeno salto no tempo, a tática rendeu resultados. A raiva com que os jogadores jogaram contra o Sport deixou o time com 2 jogadores suspensos por carrinhos violentos, um sem-número de cartões amarelos, mas garantiu uma vitória suada por 1 x 0 na Ilha do Retiro. A mesma coisa aconteceu na final do estadual, contra o Náutico. Na Copa do Brasil, chegaram até a terceira rodada, sendo eliminados pela Portuguesa."

(continua)

19 de novembro de 2007

Wishful Thinking

Hoje eu não vou falar sobre os perigos que correm o mundo das relações internacionais. Tampouco vou falar sobre meus temores sobre a prova do IRBr ano que vem. Muito menos vou idolatrar um carro que me deixa com o queixo caído.

Hoje eu vou demonstrar minha raiva com algo que aconteceu no sábado à tarde. E para isso vou me servir de uma historinha...

"Recife, três da manhã. Um dia depois da última rodada do Campeonato Brasileiro da Série B.

Um alto membro da cúpula da diretoria do Santa Cruz Futebol Clube dorme tranquilo em casa, mas sabia dos rumores que desde a penúltima rodada corriam nos bastidores do time. Coisas muito desencontradas sobre a insatisfação com o time. No último jogo, já com o time rebaixado para a série C, os torcedores fizeram sinais estranhos e cantaram músicas mais estranhas ainda, sempre de costas para o campo. Mas ficou por isso mesmo.

De repente, toca o telefone. Era um dos seguranças do clube:
- Doutor, pelo amor de Deus, faz alguma coisa! Faz alguma coisa dout-aaaaaaaaaaaarrrrrrrrgggggghhhhhhhhhh!!! *clic*

O que acabara de ouvir era algo assustador. Nem tanto pelo horrendo grito que o guarda soltou, mas pelo barulho que tinha de fundo. Era um barulho de multidão em fúria, e, mais assustador ainda, uma multidão em fúria organizada, gritando em coro palavras de ordem. A frase gritada com mais raiva era o refrão de uma música antiga: 'Pega, mata e come!'.

Resolveu ligar a televisão, e o plantão da Globo mostrava, da câmera de um helicóptero, uma avenida Beberibe completamente tomada. A Beira-Canal, sua perpendicular, não ficava muito atrás. Ela pulsava com a gente que estava lá embaixo. Em preto, branco e vermelho.

Podia se ver que alguns torcedores já tinham quebrado alguns portões e tomaram o Estádio do Arruda de assalto. Câmeras ainda não estavam disponíveis no solo, mas parece que as reivindicações dos torcedores eram que o Santa Cruz passasse a ser patrimônio dos torcedores, com direção exercida por um colégio representante do torcedor comum. Que o Santa realmente se tornasse um time do povo.

Obviamente ninguém conseguiu dormir mais naquela casa, e nem na casa dos cartolas do clube. A polícia bem que foi chamada para tentar colocar ordem, mas não teve muito sucesso. Alguns policiais mesmo se juntaram ao movimento popular, inclusive oficiais. Parece que a ordem atual no time, como tal, deixara de existir, e o que podia ser feito era tentar tirar alguma vantagem.

Ledo engano. Assim que começou o 'Bom Dia Pernambuco' e uma entrevista com o líder do movimento - um negão de 1,90m de altura - foi arranjada, o aviso foi dado: qualquer antigo sócio do clube (já que os títulos de sociedade foram todos revogados) com ligações diretas com a direção do Santa, de qualquer tempo, iria por conta própria; ele não iria se responsabilizar pela reação da turba.

A partir daquele momento, o Santa Cruz virava de fato patrimônio de todos os torcedores tricolores. A verdade era essa. O resto que se resolvesse na justiça."

(continua)

31 de outubro de 2007

Referente ao Post Abaixo

Conseguimos. Agora, vamos rezar para que daqui pra lá a polícia não toque fogo nas favelas das cidades-sede...

29 de outubro de 2007

Contagem Regressiva














Habemus panis et circensis

Eu deveria me sentir muito culpado por ficar feliz em saber que vamos receber uma Copa do Mundo de futebol?

4 de outubro de 2007

A Arte da Fita no Futebol

Não é cassette, nem VHS, muito menos Betamax. A fita a qual me refiro aqui é a arte de exagerar um determinado feito, geralmente uma agressão física. O sujeito que cai sozinho depois de vislumbrar um zagueiro colocando uma perna à sua frente e fica lá, gritando de dor como se tivessem decepado os dois pés. Fazer isso é uma arte. A capacidade desses jogadores é análoga à de qualquer ator vencedor do Oscar. Ou até melhor.

Me lembrei de um Palmeiras x River Plate em uma Libertadores dessas, acho que foi 2000 ou 2001. O Palmeiras já havia perdido o primeiro jogo na Argentina e estava perdendo de novo lá no Parque Antarctica. No final do jogo, uns 43 minutos do 2o. tempo, um jogador palmeirense teve um atrito leve com um argentino na beira do campo, sem o juiz ver. Quando o brasileiro está voltando para a partida, o argentino do nada cai no chão e simula um suposto soco que levou. Resultado: Jogador palmeirense expulso sem ter feito absolutamente nada.

O goleiro Dida, do Milan e da SeleNike brasileira, deu ontem uma aula de interpretação digna de Actor's Studio. Com o Milan perdendo por 2 a 1 pro Celtic fora da casa, e tendo que dividir uma segunda posição vergonhosa com o já referido time escocês (num grupo em que o Shakhtar Donetsk está em primeiro!), eis que entra um torcedor escocês em campo correndo para comemorar o segundo gol do time. O cara teve a infelicidade de dar um tapinha no ombro de Dida, no melhor estilo "valeu pela falha", e sair em disparada.

Dida ficou puto com a provocação, é claro, e se armou para correr atrás do engraçadinho. Só que, quando estava a ponto de ensaiar um dos momentos mas hilários (e potencialmente perigosos) da história do futebol mundial, uma luz desceu direto no seu cérebro e estragou nosso barato. Caiu no chão simulando um suposto murro que levou e teve que sair de maca do campo. Agora a UEFA está analisando o caso para ver se anula o resultado do jogo e dá uma punição ao Celtic.

Lógico que punição mesmo merecia o Dida. Mas eu espero que a UEFA não seja tão sacana quanto ele...

1 de outubro de 2007

Marta e a Bola, Bola e Marta

Há quem diga que é melhor perder como a seleção brasileira de 1982 (de Zico, Júnior, Sócrates, Falcão...) que ganhar como a de 1994 (de gente não menos boa como Branco, Raí, Taffarel...). Eu sou desses que concorda com a frase. E também acho que ela se aplica perfeitamente à seleção feminina que perdeu a final ontem, por 2 x 0, para a Alemanha.

A impressão que eu tive, vendo o jogo, foi a de que os esterótipos normalmente aplicados aos estilos de jogar das respectivas seleções masculinas puderam ser aplicados às femininas. As brasileiras tentaram fazer o jogo bonito que vinham fazendo já desde o início da competição. Chapéus, dribles geniais, futebol arte, lindo como uma pintura de Michellangelo ou de van Dijk. Mas deve ter sido por isso também que a Itália não ficou na vanguarda do desenvolvimento da Europa, e o mesmo motivo pelo qual o capitalismo holandês dos séculos XVI e XVII não se sustentou durante muito tempo...

Em compensação, a Alemanha jogou feito uma máquina. Precisa como uma ferramenta da Bosch, como um canhão Krupp, como um carro da Audi (Vörsprung durch Technik, lembra?). Fundamentos perfeitos, marcação perfeita, ataques perfeitos. Mas, sinceramente, o futebol mais feio que já vi, e olha que isso não é bolinho para alguém que já assistiu o Grêmio x Boca Juniors da final da Libertadores desse ano. Mas serviu.

Deve ser por isso que o peso da derrota não caiu como uma pedra sobre as costas do Brasil (e não, eu não credito essa indiferença ao preconceito do brasileiro com o futebol feminino - até porque metade do Brasil, as brasileiras, viram e gostaram). Fato é que, antes de ganhar, qualquer seleção brasileira tem a obrigação de jogar bonito. Está no nosso inconsciente. Fomos mal(?)-acostumados por Garrincha, Pelé, e uma penca de outros. Que se pode fazer? É por isso que nós ficamos com tanta raiva de o Ronaldinho fazer aqueles malabarismos no Barcelona e murchar a bola na Seleção (e naquele 1 x 0 para a França). É por isso também que nós (menos os gremistas) nos sentimos vingados por Alexandre Pato naquela final de Mundial, apesar de ser cedo para afirmar qualquer coisa sobre ele. É por isso que se valoriza mais o jogador que perde um jogo mas demonstra raça, amor à camisa e encara o jogo como se fosse um espetáculo, do que aquele que faz o feijão com arroz mal-temperado e ganha por 1 x 0. Ou até mesmo 0,5 x 0.

Na visão de Marta, a sorte a abandonou. Eu não seria tão pessimista assim.

24 de agosto de 2007

Plunct, Plaft, Zum!

Quem viu as notícias, e principalmente quem viu quantos e quais foram absolvidos, já sabe.

Não vai a lugar nenhum (pelo menos até o indiciamento das outras denúncias).

* * *

Em compensação, parece que esse, se não tomar cuidado, vai. Para a terceirona.

10 de agosto de 2007

O Futebol é o Quê, Mesmo?

Tá rolando o maior barraco no blog da Copa Paulo Francis. O nome escroto e o motivo de minha preocupação com ela eu explico:

Em 2003, acho que lá pelo meu segundo período na faculdade, nós e o povo do então quarto período (como só existe uma entrada por habilitação de Comunicação Social na UFPE, então só existem períodos pares ou ímpares para cada curso por semestre) resolvemos colocar à frente idéias antigas do pessoal do curso referentes a um campeonato de futebol. Tudo começou com uns joguinhos amistosos para saber se valia a pena, que foram um sucesso. E então começou a organização para iniciar aquela que seria a copa dos estudantes de Jornalismo.

Mas que nome colocar? Era preciso algo de impacto, com alguém que contribuiu substancialmente para o jornalismo, e se fosse esportivo, melhor ainda. Surgiram propostas como Nelson Rodrigues, Juca Kfouri, até mesmo Jorge Kajuru. Aí o povo do então sexto (e, na primeira edição da Copa, sétimo período), uma tucanada de mão - e bico - cheios, bateram o pé e fizeram beicinho pra batizar de Paulo Francis ou Carlos Lacerda. Que remédio - precisávamos deles pra fazer o campeonato - então escolhemos o menos ruinzinho, que era Paulo Francis. Estava feito o batizado, e a bola rolou.

A polêmica sobre regras acompanhou o campeonato desde o início, por causa de um aluno desblocado que queria jogar pela turma onde estava. Inventaram de criar um estatuto e um comitê gestor da copa que, nos anos subsequentes, veio a se tornar - na minha opinião e do pessoal da minha turma - na nêmesis do espírito esportivo. Afinal de contas, eu estava pouco me lixando sobre datas, horários, tabelas, etc. desde que nós jogássemos bola pelo simples fato de jogar bola. Os três pontos na tabela eram mera consequência. Mas, como sabemos, a criação de um posto de poder faz com que o desejo de cristalização se materialize na cabeça, especialmente aqueles de um grupo dirigente que não larga o osso por nada neste mundo.

Foram pelo menos uns 3 campeonatos, contando o desse ano, que rolou polêmica. No caso de 2007, nós, que nos formamos em novembro do ano passado, participamos como time convidado a pedido da maioria dos nossos adversários, contra quem sempre tivemos o maior respeito e jogamos de maneira limpa. O problema é que tem um certo cartola que quer porque quer ganhar a taça de qualquer jeito, nem que para isso sujeite o próprio time (onde eu tenho muitos amigos) a ser chamado de "café-com-leite". Esperneou na hora que aprovaram a entrada de nosso time como convidado no campeonato desse ano, e esperneou ao ver que, pouco antes da rodada final, nós tínhamos chances reais de vencer a dita cuja. Resultado, uma cômoda mudança de horário para fazer com que o time do pessoal da minha turma não tivesse condições de jogar com o time completo. E, por consequência, perder por W.O.

O futebol é um esporte maravilhoso. Mas, ao contrário do que pensam certos juízes de certos estados, a maior praga do referido jogo não é a viadagem. É, sim, a sede de poder que pode fazer tudo, impedindo inclusive o fair play. Sede de poder, inclusive, que pode se mascarar em um discurso rebuscado e cheio de intenções escondidas. Sede de poder que me fez ficar farto, desabafar e até mesmo "olavar", no sentido de mandar alguém, literalmente, tomar no centro da caçapa do olho do cú.

3 de agosto de 2007

Rezando pra Franco, Parte II

Juiz arquiva queixa de Richarlyson e diz que futebol é "viril"

A queixa apresentada pelo volante são-paulino Richarlyson contra o diretor administrativo do Palmeiras, José Cyrillo Jr., que insinuou que o atleta é homossexual, foi arquivada pelo juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho, segundo reportagem da Folha Online nesta sexta-feira. (...)

No documento em que relaciona os motivos para o arquivamento do caso, Junqueira Filho classifica o futebol como "jogo viril, varonil, não homossexual" e sugere que um atleta gay deve abandonar a carreira ou montar um novo time e criar uma federação própria para continuar atuando.

Aqui, com íntegra da decisão judicial aqui.

* * *

Ora, vejam só. No futebol são famosas as histórias de jogadores gays, alguns até mesmo ídolos de torcidas. Mas esse provavelmente é o primeiro caso de juiz que sai do armário em decisão de primeira instância. Onde esse mundo vai parar, hein?

* * *

O juiz argumentou que o futebol é um esporte "viril, varonil". Só se esqueceu de lembrar que, nos EUA, o futebol feminino é mil vezes mais forte que o masculino. Falando nisso, jogadores mais "viris e varonis" por lá costumam ir para o futebol americano, o basquete, o beisebol, o hóquei, restando para os sissies por excelência, o nobre esporte bretão.

* * *

São Paulo está na vanguarda do país em relação a muitos aspectos, trilhando, eu diria, o mesmo caminho de muitos países europeus. Os movimentos e greves trabalhistas organizadas, por lá, começaram bem antes do resto do Brasil.

Parece que o fascismo também vai chegar antes.

24 de julho de 2007

Complexo de Brasil x Argentina

Quem viu a cena sabe do que falo. Já são 3 finais de futebol consecutivas que os hermanos perdem para nós. Eu nunca fui muito fã de Dunga, e tenho ojeriza a Parreira. Mas parece que quando se trata de jogar contra a Argentina, os maiores pernas de pau viram craques de uma hora pra outra. Ou então são os argentinos que ficam a ponto de pedirem pra cagar e sair.

Até aí tudo bem, coisas do futebol. Os brasileiros tremiam nas bases também quando ouviam falar de Argentina na época áurea de Maradona, na segunda metade da década de 80. Mas algo que não engulo foram as recusas repetidas dos argentinos de não receberem a medalha de prata ao final de cada jogo. Pombas, eu sei que existe um preconceito enorme dos brasileiros sobre os argentinos no que diz respeito à sua empáfia e orgulho portenhos. Mas dar combustível para criar animosidades é dose.

A história se repetiu novamente neste Panamericano, com o handebol. Os argentinos recusaram a medalha de prata e saíram embaixo de uma chuva de vaias, bem merecidas na minha opinião. Adoro o país e tudo o mais, mas falta de espírito esportivo é dose pra mim. Se quisessem, sei lá, protestar contra a organização, que fizessem uma declaração na imprensa, levantassem um punho fechado, abaixassem as calças e mostrassem a bunda, mas tirar a medalha é o caminho mais curto para levar a opinião pública contra si.

As nossas meninas (do basquete e do vôlei) também sofrem do mesmo mal, mas são mais democráticas - tremem em qualquer final. São especialistas em morrer na praia, jogando inexplicavelmente pior que nos últimos jogos e contra um adversário que nem poderia merecer tanto respeito assim. Mas pelo menos não recusam medalha ganha.

12 de julho de 2007

Ascensão e Queda de um Império

Aqui.

Venhamos e convenhamos, eu nunca fui exatamente com a cara do Corinthians. Mas sou fã do bom futebol e do jogo entre cavalheiros, então valorizo a história de um time que deu ao mundo craques como Rivelino (ainda que ficasse mais famoso no Fluminense), Sócrates, Casagrande e Viola. Tenho birra de Marcelinho Carioca e Edílson, dois jogadores com o ego maior que a cidade de São Paulo, mas não se pode negar que as criaturas jogaram bem em seus respectivos momentos no clube. Ainda que depois...

Mas eu fiquei emputecido com aquela história da MSI. Sempre dizia que aquilo servia de lavanderia de dinheiro pra máfia russa, e também por que não gostava da junção de uma das maiores tragédias que o futebol brasileiro poderia dar para o mundo - o cartola - com o administrador frio e calculista de uma empresa de origens obscuras, neste caso o senhor Joorabchian. Mas não é que, aparentemente, as criaturas estavam sujas mesmo?

Sinceramente, ele, Berezovski e a atual diretoria do Corinthians já vão tarde. Acho que quem tinha de assumir o time deveriam ser necessariamente os seus maiores apoiadores, a hord... quer dizer, a Gaviões da Fiel. Mas isso significaria também, provavelmente, que todo jogador responsável pela perda de um título paulista seria condenado a um linchamento por parte dos fanáticos torcedores do "Cu-rintcha".

Aliás, se a moda pega entre seleções...

4 de julho de 2007

Achismo

Sem nada para fazer na minha hora de descanso, liguei a TV em um programa esportivo da Band (como se eles tivessem outra coisa; ou melhor, têm Gilberto Barros). Estava passando uma reportagem especial de um jogador da Portuguesa de São Paulo que havia admitido recentemente que era "gato", ou seja, um jogador que declara ser mais velho para tornar-se profissional e ganhar mais. Isso, a princípio, não é algo que se vê todo o dia. Um jogador fazendo mea culpa por causa disso, então, é coisa de dar mote até para um mini-documentário. Parecia ser este, com os devidos descontos, o viés da matéria.

O que me chamou foi o fato de o comentarista da Band, com um profundo ar de enfado, declarar categoricamente que não tinha pena nenhuma da criatura, e que pra ele a punição que o STJD iria dar ao jogador - 6 meses no mínimo - era pouco; pelo que fez, merecia era ser banido de vez do futebol.

Meus dois tostões sobre o assunto, como jornalista, admirador de futebol e ainda mais de jogador fazendo coisa que nenhum outro fez antes, como demonstrar um mínimo de inteligência (tirando uns e outros, como por exemplo Sócrates e, vez ou outra, Falcão):

- Jornalismo esportivo é o que se pode chamar de Império do Achismo. Quando é comentarista, então, o cara se reveste de uma aura de Deus supremo do futebol que nada abala, nem mancada dita em mesa redonda, embora provavelmente nunca tenha frequentado uma faculdade de Educação Física ou sequer conhecido o cotidiano de um clube. A opinião do tal comentarista da Band foi dispensável, para dizer o mínimo. Além do mais, ele não é nenhum juiz do STJD para proferir sentença contra jogador, clube ou o que valha (embora a idoneidade do tal tribunal possa ser questionada, mas isso são outros quinhentos), o que demonstra bem o nível de preparo de muitos "jornalistas" por aí;

- Independente do ato criminoso que levou o jogador perante a Justiça (e que deve invariavelmente levá-lo à punição), o tal comentarista, e mesmo o Tribunal, provavelmente desconhecem a realidade do futebol no Brasil, o que nos leva também a uma discussão sobre as próprias condições das famílias de baixa renda no país. Muitos pais levam os próprios filhos às seletivas de clubes declarando uma idade maior que a real, motivados por empresários ou diretorias inescrupulosas que visam apenas o lucro fácil com uma nova promessa. Pelo lado dos pais, o sucesso rápido dos filhos é a salvação para uma condição de miséria tal que não oferece uma opção mais ortodoxa, qual seja, os estudos, de perspectiva de futuro. Que se penalize quem faça tal coisa, certo. Mas também que se favoreça o futebol como parte integrante na construção de um cidadão, e não apenas como A salvação para problemas financeiros.