5 de outubro de 2007

Irmanados na Secura

Quando comecei este blog, uma das minhas primeiras idéias era a de fazer um blog temático com uma comparação entre o sertão nordestino e o Outback australiano, uma região seca que, ao contrário do que todo mundo pensa, tem mais vegetação do que o deserto propriamente dito e que ocupa a maior parte do país. Mas isso não impede o lugar de ser absurdamente seco.

E realmente o é. Em condições que provavelmente são piores que as do Nordeste, já que eles não possuem uma estação de chuvas como a nossa, que normalmente vai de janeiro até maio e atinge a maior parte do território. Essa falta de chuvas faz com que o solo não tenha fertilidade nenhuma - para plantas que não sejam nativas. Isso fez com que permanecesse em grande parte preservado, com exceção de certas planícies periféricas que servem para criação de gado e ovelhas. Mas você encontra xerófitas em abundância, principalmente, hã, plantas caducifólias baixas e de galhos retorcidos e brancos na época da seca... Tá, mandacaru não tem, mas aí já era pedir demais.

A vida animal é riquíssima também. Além de ser habitat natural dos cangurus e dingos, além de outras espécies de lagartos, crocodilos e cobras, também tornou-se o lugar de preferência de animais que tornaram-se selvagens depois de abandonados pelos primeiros colonos, como certas raças de cavalos e camelos.

A cidade mais importante da região é Alice Springs, localizada bem no meio do mapa da Austrália. Em termos populacionais, Alice Springs é menor que muito município paupérrimo do sertão nordestino. Um verdadeiro cú-do-mundo de 26 mil habitantes, como se pode ver pelas fotos. Mas ela calhou de ser uma cidade equidistante no meio de um país vasto e, talvez mais importante, de uma região esparsamente povoada (o sertão nordestino é o semi-árido mais densamente povoado do mundo, então é mais fácil atribuir importância a mais e maiores núcleos populacionais). Resultado: virou entreposto de estradas e ferrovias - e, num primeiro momento, de transportes aéreos.

Fotografias da região em si, você encontra aqui, aqui, e aqui. Eu particularmente achei impressionante a semelhança da região deles com a minha, aqui em Pernambuco, pelo menos em termos geográficos. Quem conhece também vai achar parecido.

2 comentários:

Dawn disse...

Ai, que lindo. Isto me lembrou uma matéria que eu li há tempos atrás numa Marie Claire (é, pois é), uma menina contando sua experiência no deserto australiano - um lugar certamente bem parecido com o que você descreve aí.

Eu não sei bem de onde ela era, talvez São Paulo. No início, achou absurdo o calor, detestou o lugar, os aborígenes estrangeiros. Depois, começou a se dar conta que ela era a estrangeira, que havia um mundo ali a ser descoberto. Saiu do trailer com ar condicionado, se entrosou com os locais, abraçou o deserto e acabou rodando boa parte da Austrália com um violão debaixo do braço, sobrevivendo de cantar em bares.

É certo que eu não consigo transmitir aqui toda beleza que ela passa - ou melhor, que eu vi. Mas é que na época em que eu li este texto, me deu vontade de pegar uma mochila e perambular por lá, ou por aí (aí mesmo, onde você está, ou eu acho que está).

E sabe do que mais? Eu não quero nunca reler o texto da tal menina, porque o encanto pode se desfazer. Você também não deveria querer saber quem sou, acho que fica mais legal assim, mas você tirou a opção de "anônimo" do seu blog. Isto não se faz. :)
Bom, talvez agora você saiba... azar o seu.
Beijos.

Dawn disse...

[agora, que dói um pouquinho você nunca ter puxado papo comigo no Orkut, dói. Mas só um pouquinho!
;)]

Gostei do post do outro blog, sobre quando eu sumi. :D

Beijos, de novo.